quarta-feira, 16 de março de 2011

A idade adulta dos porquês

Vocês já se perguntaram por que temos tanta necessidade de perguntar? As respostas podem variar em um espectro de "pra saber", "pra ter certeza" até a clássica desculpa "só por perguntar". Entretanto, raramente observamos o quanto é ineficaz o ato de perguntar algo a alguém.

Em 40% dos casos, você já sabe a resposta, seja por dedução ou por intuição. A tão almejada resposta serve somente para você reafirmar o que já sabia ou para você ficar inquieto como se acabasse de ter descoberto o que já sabia. Parece um jogo psicológico, não? Eu só sei o que eu sei se eu ouvir de alguém o que eu sei?



Em mais 40% dos casos, você vai se irritar com a resposta, não vai gostar, vai questionar, se incomodar, criticar, espernear, dizer qual resposta a pessoa deveria ter dado, ou seja, fazer tudo que a gente faz quando tem as expectativas frustradas (o simples ato de ter expectativa gera um risco de frustração). "Por que perguntou, então?"

Em 5% dos casos, você realmente vai aproveitar algo daquela resposta, ela vai te estimular a pensar, refletir, ponderar e chegar à sua resposta para a mesma pergunta.

Os 5% restantes eu deixo para os casos em que eu não pensei e para perguntas que não se encaixam nesse dilema, como, por exemplo, "que horas são?"

Podem ocorrer diversas variações, obviamente, mas é basicamente assim que se processa um dilema de pergunta-resposta envolvendo dois ou mais indivíduos.

O processo mental é tão individual que eu penso que as interações entre os indivíduos só são úteis porque provocam reflexões individuais que vão dar origem a respostas individuais. Tudo que se ouve são interpretações e correlações do que foi dito, e não literalmente o que foi dito.

Se tudo é, então, um processo muito mais individual do que social, antes de perguntar ao outro, pergunte a si mesmo. Isso sim é eficaz. Serve inclusive como um teste de relevância para a pergunta.

Já passaram por aquela situação de fazer uma pergunta e a resposta aparecer na sua mente um segundo depois?

Antes de verbalizar ao outro uma pergunta, faça-a a si mesmo e veja que respostas obtém. Isso é um exercício que exige bastante prática e é, ao mesmo tempo, um treino para a intuição. A tendência é ficar cada vez menos dependente das respostas alheias.

Se, ainda assim, você não encontrar a resposta em si mesmo (como se ela pudesse estar em outro lugar), vale respirar fundo e observar, pois ela pode estar vindo logo em seguida.

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