quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Coq au vin

Eu estaria mentindo se dissesse que tudo começou com as unhas azuis, mas penso que foi de tanto observá-las que percebi, visualmente, que de fato venho me des(cons)truindo ao longo dos últimos três anos. É como se eu precisasse edificar o meu templo sobre os escombros, e não sobre a terra limpa. Tudo que eu construí em cima da terra infértil do radicalismo, absolutamente tudo está em ruínas.

Não me percebi imediatamente nesse processo de desconstrução. Assim que as primeiras bases das minhas ilusões ruíram, apenas me lancei à depressão, como todos o fazem. Lugar comum da desilusão. Mas tudo que sucedeu, em uma velocidade incrível, foi o anti-cristo do meu "eu" anterior.



Às vezes questiono o porquê dessa velocidade. Vivo em ritmo acelerado para acabar logo com tudo que me prende ao meu "eu" paradigmático? É como um cientista louco à procura do maior número de experiências possível em um espaço de tempo o mais curto possível, como se o mundo fosse acabar (e isso justificasse deixar de lado a qualidade das experiências).

Às vezes questiono inclusive a necessidade das representações visuais e materiais na quebra de paradigmas. É realmente necessário sentir o sabor? A esta pergunta, respondo que sim. De outra forma, não se obtém a experiência de misturar-se a algo para então entendê-lo e respeitá-lo. E é necessário que isso seja feito de maneira consciente em sua totalidade. Deduzir que sentiu o sabor não é igual a sentir o sabor. Não há envolvimento.

Um fato: é preciso experimentar o sushi mais de três vezes para aprender a apreciá-lo.

Nesse momento, consciente da minha desconstrução, busco uma das características do meu "eu" anterior de que ainda me lembro e que acho apreciável: a paciência. Quero reaprender a esperar e a observar, e só então saborear cada experiência em sua totalidade de cores, formas, sentidos e vibrações. Sem pressa, mesmo que um mundo inteiro esteja afundando rapidamente diante dos meus olhos.

2 comentários:

Clodoaldo disse...

Quando você descobrir como se livrar do seu "eu" encontrará a resposta para tantas perguntas dentro de si.

Dizzy Insane disse...

"eu" = ego

Nesse caso, sim, encontrarei muitas respostas ou talvez nem precisarei delas. ^^