segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Evolução vs. frustração básica da vida

Deyse e Daniel

Por que a maior parte da população vive em contínuo estado de depressão? O que é essa frustração básica que simplesmente existe (ou seria preexiste)? Embora tentemos explicá-la por meio de motivos mais palpáveis, oriundos dessa vida, a depressão básica encontra explicação nas múltiplas vidas.

Imagine que você conhece um mundo feliz, em que não há desigualdade, guerra, competição. Todos os seus habitantes compartilham tudo o que têm e se ajudam em nome do amor universal. Imagine agora que você irá desse mundo para um outro, em que existe tudo quanto pode ferir a alma de quem o habitar. A primeira sensação é a de estar preso, condenado a viver nesse mundo estranho.

Ao encarnar, passamos pelo esquecimento, para que possamos começar uma nova jornada e para que tudo que conseguirmos aqui seja alcançado com mérito. Entretanto, a nossa consciência é a mesma e, apesar de não podermos acessar todo o seu conhecimento e todo o seu potencial, podemos senti-la, podemos nos sintonizar com ela.

É nesse ponto que nasce a depressão básica da vida. A sensação de que tudo poderia ser melhor e a percepção de que não é. A sensação de que você próprio poderia ser melhor e não é. A saudade da sua origem. Tudo isso gera frustração, e os seres humanos em geral escolhem a estagnação mental ou o rebaixamento mental como fugas a esse sentimento de frustração.

Rebaixando o seu nível de consciência, o ser humano consegue atingir temporariamente uma ignorância que o poupará do sofrimento causado pela frustração. A própria depressão básica em que vivemos é um tipo dessa ignorância. Nesse ponto, toda a construção social do ego contribui para que fiquemos estagnados, pois a sociedade atual está organizada de modo a propagar valores vazios, buscas meramente materiais.

Talvez a estagnação seja mais danosa do que as oscilações "para baixo", pois nestas ocorrem choques que podem ser capazes de provocar um despertar de consciência, ao passo que na estagnação os choques são por assim dizer mais fracos. Considera-se também que não há involução. O ser pode estar temporariamente em ignorância, mas assim que acessar sua consciência, tudo que aprendeu estará lá.

A evolução, por outro lado, requer oscilações "para cima". Aumentar o nosso nível de consciência e o nosso nível de amor universal é um constante exercício. Este planeta proporciona um âmbito enorme de situações mais ou menos conflitantes, tendendo para o caos ou para a paz, respectivamente. O ser humano é, então, continuamente exposto a conflitos de toda natureza, de acordo com a evolução que pretendeu obter. Somente deste modo alcançará uma evolução permanente, ou seja, galgará mais um degrau na escada evolutiva e, daí para diante, passará a oscilar deste ponto para cima.


Essa evolução passa por todos os aspectos da vida, pois estão todos interligados. Corpo físico, mente e espírito, resumidamente. O corpo físico é a casa transitória, o veículo, é o modo de ação e atuação na terceira dimensão quando não se tem controle completo da energia, do corpo mental. Liga-se ao espaço, ao meio físico, porém não ao tempo, que é mental. Para que possamos vibrar em frequências mais altas, é necessário limpar o corpo físico das toxinas que adquirimos através do uso de drogas, da má alimentação, do sedentarismo e das emoções descontroladas.

O corpo mental é o grande criador das ações e manifestações, transcende o tempo e o espaço, cruza planos e dimensões, tanto as mais elevadas como as mais baixas. Através do seu nível de frequência, de vibração, podemos elevar também a frequência de todos os outros corpos, principalmente do corpo físico, transcendendo as limitações físicas da matéria e utilizando cada vez mais a energia, inclusive a própria energia de que é feita a matéria.

O corpo espiritual é o veículo pelo qual temos verdadeiro contato com o divino, a essência suprema, o grande criador. Através do corpo espiritual, percebemos nossa verdadeira origem, nosso Eu Superior (a primeira energia derivada da fonte suprema e não dividida ainda em polaridades masculina e feminina). Expressa-se através do coração, o centro de energia cardíaco, e vincula-se ao cosmos através do centro de energia coronário.

Em resumo, é preciso evoluir a mente, representada pelo cérebro, mas também é igualmente importante evoluir o espírito, representado pelo coração, em direção ao amor universal.

"Quando o nível científico de um mundo supera em muito o nível de amor, esse mundo se autodestrói"*. Estamos vivenciando esta realidade, pois "se o nível de amor de um mundo é baixo, existe infelicidade coletiva, ódio, violência, separatismo, guerras, com um nível perigosamente alto de capacidade destrutiva"*.

Dessa forma, a evolução deste mundo e a possibilidade de visualização de um panorama mais feliz, em que predomine o amor universal, passa necessariamente pelo desenvolvimento individual, pela superação da frustração básica.

A palavra do momento é despertar.


*Trechos retirados do livro Ami: o menino das estrelas, de Enrique Barrios.