sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mitos da alimentação saudável

Há dois meses venho buscando uma alimentação cada vez mais saudável. Nesse pouco tempo, pude observar e experienciar os vários mitos e preconceitos que a nossa organização social associou à alimentação saudável ao longo da existência nesse planeta.

Mito n. 1: alimentos saudáveis são muito caros.

Durante quase toda a minha vida, dei pouca importância à alimentação. Creio que não tive mais prejuízos decorrentes disso porque minha família em si não tem uma alimentação tão ruim. O meu pensamento era o seguinte: para que gastar dinheiro com comida, que você come e ela vai embora rapidamente, se podemos gastar dinheiro com bens materiais que vão durar muito mais?

Neste momento, porém, não consigo mais ver sentido no meu antigo raciocínio. Quando refletimos sobre a vida e o que se leva dela, percebemos que a única coisa que realmente possuímos, e ainda assim temporariamente, é o corpo. Aqui uns pensarão: mas para que cuidar do corpo se vamos morrer?

Já é sabido que o mau uso que se faz do corpo caracteriza um suicídio lento. Uma rotina de alimentação ruim e de sedentarismo abrevia a nossa preciosa existência nesse planeta. Os livros estão aí para contar a história daqueles que assim se foram e que lamentam profundamente o mau uso que fizeram da única coisa material que verdadeiramente possuíram. Um ótimo exemplo é o filme Nosso Lar, que mostra justamente uma história de suicídio lento.

Além disso, como já foi dito, tudo que é feito ao corpo físico reflete nos corpos mental e espiritual. Dessa forma, apesar de o corpo físico eventualmente morrer, o dano que foi feito a ele estará refletido nos nossos corpos imortais.

Para completar a reflexão sobre esse mito, um pensamento banal: "passamos metade da vida gastando saúde para ganhar dinheiro, e a outra metade gastando dinheiro para recuperar a saúde". Nem preciso dizer o que é mais caro, uma alimentação saudável ou um médico.

Mito n. 2: para que se alimentar saudavelmente se você já é magra?

Sempre me lembro de que na Grécia Antiga o padrão de beleza da mulher não eram as mulheres magras ou, como é hoje em dia, as mulheres magérrimas.

O propósito da alimentação saudável não é estético, muito embora esse fator atraia muitas pessoas para uma boa alimentação. A perda de peso é uma consequência da alimentação saudável.

A busca por um padrão de beleza estabelecido pela sociedade não passa necessariamente pelo caminho da alimentação saudável. Prova disso são as clínicas de cirurgia estética. Se se busca apenas o padrão de beleza, pode-se muito bem ir pelo caminho da intervenção cirúrgica.

Além disso, pessoas magras não são necessariamente saudáveis. Apenas exames específicos podem revelar, por exemplo, o percentual de gordura ruim no corpo. Gordura essa que pode causar várias doenças tanto em uma pessoa magra como em uma pessoa gorda. Cabe aqui a reflexão sobre os termos magro e gordo. Percebam que o termo "gordo" carrega um sentido pejorativo, ao passo que "magro" não tem essa conotação. E isso se dá apenas por causa do padrão de beleza estabelecido pela sociedade atual.

Uma ramificação desse mito é o de que pessoas magras podem comer porcaria sem que isso lhes traga danos. A curto prazo, a má alimentação pode não demonstrar seus efeitos externamente, na aparência, o que podemos considerar até como uma desvantagem das pessoas magras em relação às gordas. Os magros que acreditam somente na estética acabarão por procurar a alimentação saudável mais tarde, quando o corpo reclamar por meio de sérios problemas de saúde. A longo prazo, de uma forma ou de outra, certamente chegaremos na parte da vida em que gastaremos nosso dinheiro para cuidar dos problemas de saúde decorrentes da nossa péssima alimentação.

Mito n. 3: por que você está se alimentando dessa maneira, foi recomendação médica?

Novamente, a tendência em pensar que só se deve cuidar do corpo quando ele já entrou em colapso. Cuidando bem do corpo, estaremos justamente evitando que precisemos tanto do médico. Se paramos para pensar sobre a gama de doenças que estão relacionadas à má alimentação, percebemos que estamos percorrendo o caminho inverso. O que comemos, ao lado do que pensamos e do que sentimos, é uma das coisas que mais afeta nossas vidas.

Neste ponto da reflexão, é importante atentar para a pressão social. Por que nos preocupamos tanto com o que o outro está comendo? Fará alguma diferença para você se eu comer macarronada no almoço? Fará alguma diferença para mim, para os meus corpos físico, mental e espiritual, se você comer pudim de sobremesa? Nenhuma. Socialmente, entretanto, as pessoas procuram se reunir em grupos que fazem a mesma coisa porque a quantidade dá uma ideia de legitimação às suas atitudes. Se a sociedade come bolo todo dia, isso não diz nada sobre a qualidade do bolo. Isso diz apenas que, estatisticamente, nós estamos comendo bolo todo dia. Isso nos leva ao próximo mito.

Mito n. 4: eu tive uma alimentação ruim a vida inteira e não morri.

Praticamente autoexplicativo. Por sorte, a maioria dos corpos humanos são resistentes, por isso temos a ilusão de que a má alimentação não está gerando nenhuma reação. Entretanto, sempre que há algo de errado com o corpo, ele envia sinais até a sua mente, para que ela preste atenção no que está acontecendo. Aí que aparecem as doenças, o mal-estar, a fadiga, entre outras inúmeras reações.

O imediatismo com que tratamos a vida faz com que nos preocupemos muito mais com a violência que está além dos muros das nossas casas do que com a "violência" que praticamos diariamente contra nosso próprio corpo.

Mito n. 5: você vai emagrecer com essa alimentação, vai ficar doente.

Muito pelo contrário. Percorrendo o caminho natural, afastaremos inúmeras doenças, ficaremos cada vez mais fortes e resistentes. Da mesma maneira que não é saudável estar muito acima do peso, não é saudável engordar por meio da ingestão de alimentos ruins. Tanto uma coisa como a outra culminarão no colapso do corpo.

O emagrecimento que pode ocorrer será a eliminação das toxinas que acumulamos no organismo. Uma alimentação saudável, aliada à importantíssima atividade física regular, jamais será a causa do enfraquecimento do corpo físico.


Por que olhamos tanto para o exterior e nos iludimos tanto com a parca visão que temos das coisas? Aprendemos a ouvir o outro e a acreditar no que ele fala, criando assim as engrenagens sociais que chamam de loucos e paranoicos aqueles que querem apenas cuidar de si, sem que isso nem ao menos afete uma só pessoa que não seja ele mesmo.

Feche os olhos físicos, respire fundo e perceba o seu interior. Aprenda a interpretar o que ele diz. As respostas estão todas ali, no seu centro, no seu eu verdadeiro. E a partir do momento em que o centro começar a se fortalecer, as pressões sociais não serão mais do que diversão para o dia a dia.


No supermercado hoje:

Eu - esses alimentos saudáveis são tão caros né?
Priscilla, a moça do caixa - é, são mesmo né! Por que você tá comprando isso, foi recomendação médica?
Eu - (rindo) ah, não, não. Quero justamente evitar isso. Cuidar bem do corpo antes de precisar de médico né.
Priscilla - é, eu que o diga, com essa minha coluna.
Eu - pois é, uma coisa que ajuda muito nesse caso é fazer atividade física.
Priscilla - (rindo muito) ih, eu sou muito sedentária!
Eu - (rindo) pois é, aproveita e começa amanhã! =D

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Evolução vs. frustração básica da vida

Deyse e Daniel

Por que a maior parte da população vive em contínuo estado de depressão? O que é essa frustração básica que simplesmente existe (ou seria preexiste)? Embora tentemos explicá-la por meio de motivos mais palpáveis, oriundos dessa vida, a depressão básica encontra explicação nas múltiplas vidas.

Imagine que você conhece um mundo feliz, em que não há desigualdade, guerra, competição. Todos os seus habitantes compartilham tudo o que têm e se ajudam em nome do amor universal. Imagine agora que você irá desse mundo para um outro, em que existe tudo quanto pode ferir a alma de quem o habitar. A primeira sensação é a de estar preso, condenado a viver nesse mundo estranho.

Ao encarnar, passamos pelo esquecimento, para que possamos começar uma nova jornada e para que tudo que conseguirmos aqui seja alcançado com mérito. Entretanto, a nossa consciência é a mesma e, apesar de não podermos acessar todo o seu conhecimento e todo o seu potencial, podemos senti-la, podemos nos sintonizar com ela.

É nesse ponto que nasce a depressão básica da vida. A sensação de que tudo poderia ser melhor e a percepção de que não é. A sensação de que você próprio poderia ser melhor e não é. A saudade da sua origem. Tudo isso gera frustração, e os seres humanos em geral escolhem a estagnação mental ou o rebaixamento mental como fugas a esse sentimento de frustração.

Rebaixando o seu nível de consciência, o ser humano consegue atingir temporariamente uma ignorância que o poupará do sofrimento causado pela frustração. A própria depressão básica em que vivemos é um tipo dessa ignorância. Nesse ponto, toda a construção social do ego contribui para que fiquemos estagnados, pois a sociedade atual está organizada de modo a propagar valores vazios, buscas meramente materiais.

Talvez a estagnação seja mais danosa do que as oscilações "para baixo", pois nestas ocorrem choques que podem ser capazes de provocar um despertar de consciência, ao passo que na estagnação os choques são por assim dizer mais fracos. Considera-se também que não há involução. O ser pode estar temporariamente em ignorância, mas assim que acessar sua consciência, tudo que aprendeu estará lá.

A evolução, por outro lado, requer oscilações "para cima". Aumentar o nosso nível de consciência e o nosso nível de amor universal é um constante exercício. Este planeta proporciona um âmbito enorme de situações mais ou menos conflitantes, tendendo para o caos ou para a paz, respectivamente. O ser humano é, então, continuamente exposto a conflitos de toda natureza, de acordo com a evolução que pretendeu obter. Somente deste modo alcançará uma evolução permanente, ou seja, galgará mais um degrau na escada evolutiva e, daí para diante, passará a oscilar deste ponto para cima.


Essa evolução passa por todos os aspectos da vida, pois estão todos interligados. Corpo físico, mente e espírito, resumidamente. O corpo físico é a casa transitória, o veículo, é o modo de ação e atuação na terceira dimensão quando não se tem controle completo da energia, do corpo mental. Liga-se ao espaço, ao meio físico, porém não ao tempo, que é mental. Para que possamos vibrar em frequências mais altas, é necessário limpar o corpo físico das toxinas que adquirimos através do uso de drogas, da má alimentação, do sedentarismo e das emoções descontroladas.

O corpo mental é o grande criador das ações e manifestações, transcende o tempo e o espaço, cruza planos e dimensões, tanto as mais elevadas como as mais baixas. Através do seu nível de frequência, de vibração, podemos elevar também a frequência de todos os outros corpos, principalmente do corpo físico, transcendendo as limitações físicas da matéria e utilizando cada vez mais a energia, inclusive a própria energia de que é feita a matéria.

O corpo espiritual é o veículo pelo qual temos verdadeiro contato com o divino, a essência suprema, o grande criador. Através do corpo espiritual, percebemos nossa verdadeira origem, nosso Eu Superior (a primeira energia derivada da fonte suprema e não dividida ainda em polaridades masculina e feminina). Expressa-se através do coração, o centro de energia cardíaco, e vincula-se ao cosmos através do centro de energia coronário.

Em resumo, é preciso evoluir a mente, representada pelo cérebro, mas também é igualmente importante evoluir o espírito, representado pelo coração, em direção ao amor universal.

"Quando o nível científico de um mundo supera em muito o nível de amor, esse mundo se autodestrói"*. Estamos vivenciando esta realidade, pois "se o nível de amor de um mundo é baixo, existe infelicidade coletiva, ódio, violência, separatismo, guerras, com um nível perigosamente alto de capacidade destrutiva"*.

Dessa forma, a evolução deste mundo e a possibilidade de visualização de um panorama mais feliz, em que predomine o amor universal, passa necessariamente pelo desenvolvimento individual, pela superação da frustração básica.

A palavra do momento é despertar.


*Trechos retirados do livro Ami: o menino das estrelas, de Enrique Barrios.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Em busca do equilíbrio

"Survival isn't strength, smarts, or speed; it's the ability to adapt to change." Leo Babauta
Sobrevivência não é força, inteligência ou velocidade; é a habilidade de se adaptar à mudança. [tradução livre] 

A vida nos oferece diariamente situações conflitantes. O conflito entre o que eu quero e o que a vida tem disponível para mim. Eu quero um carro, a vida me apresenta uma bicicleta. Eu quero uma casa própria, a vida me apresenta um aluguel. Esses são exemplos materiais, mas são inumeráveis os conflitos em todos os aspectos da vida.

Por estar em constante conflito, o ser humano tende a vincular a felicidade à resolução do conflito (a seu favor, obviamente). Serei feliz quando conseguir comprar um carro; serei feliz quando encontrar alguém que me ame; serei feliz quando aqueles que eu amo estiverem bem; serei feliz quando conseguir entrar na universidade; serei feliz quando conseguir seja lá o que for que eu quero. Como fazem as pessoas que não conseguem tudo que querem? Estão condenadas à infelicidade?

Tenho lido inúmeros textos que dizem que a felicidade está na busca e não em atingir um objetivo. Pote de ouro no fim do arco íris...? Já observaram quantas vezes vocês fizeram planos? E quantos desses planos de fato se tornaram realidade? A vida é uma grande frustração, certo?

Dessa forma, como estar feliz e em equilíbrio em meio a toda essa oscilação típica da vida nesse planeta?

1. Tudo muda continuamente. Se vincularmos o nosso bem estar a qualquer coisa externa à nossa individualidade, ao nosso verdadeiro eu, temos já uma garantia de infelicidade. O tempo e a energia que gastamos tentando sustentar o ego poderiam ser utilizados na busca de quem nós somos verdadeiramente. Saber quem você é implica integridade, força, sustentação.

2. Programação mental. O que fazemos quando confrontados pela mudança? Desesperamo-nos. Ficamos inconformados. Será que poderíamos observar em quê essa mudança realmente afeta o nosso eu verdadeiro? Poderíamos nos programar mentalmente para aceitar a mudança e extrair dela as lições que certamente contém? Ok, somos/estamos humanos, é difícil controlar cada emoção que sentimos, mas é sabido que o chakra frontal controla o emocional, então, não é impossível.

O conhecer-se e o encontrar-se estão intimamente ligados à capacidade de se programar mentalmente. Quanto mais você se conhece, mais íntegro é e, portanto, mais habilidade terá para colocar-se em equilíbrio. Muitos se desapontam com este mundo justamente pelo caos que aqui existe. Entretanto, é somente em meio ao caos que podemos testar o nosso verdadeiro equilíbrio.

Todas as situações conflitantes trazem inestimáveis lições. Se na busca por um determinado objetivo você aprender várias lições, que importará conseguir ou não esse objetivo? A evolução é o que fica. 

Boas leituras no tema "Quem sou eu?" (em inglês):
Who I'm not
In Search of Self 

Leitura complementar (em inglês):
You-re already perfect

sábado, 2 de outubro de 2010

O princípio da não invasão

O que querer hoje em dia tornou-se uma questão bastante complicada. Poderia dizer que não quero nada de você além de você. Mas tenho medo de, querendo-te, invadir o teu espaço. Por isso eu penso, penso, penso muito mais do que digo. E muito pouco questiono. Questionar também não seria invadir?

E eu não quero invadir. Quero um convite.

Às vezes, porém, eu sinto meus pés caminhando por regiões em que ainda não sei se posso andar. Recuo quando me vejo rodeada pelo vazio. Quisera, nessas horas, não ter me perdido nessa escuridão.

Apesar de eu me sentir egoísta por querer pensar em mim e então tentar anular tudo que eu venho sentindo, sempre existe um limite além do qual não consigo me expressar sem lágrimas. O vazio se torna insuportável e não existe outra maneira de preenchê-lo. Se não há nada para mim, qual o sentido de tudo isso?

E cada um verte por si mesmo as lágrimas que tem.