domingo, 1 de agosto de 2010

When we just wanna be home

É certo que estar em qualquer outro lugar que não seja sua casa te traz uma perspectiva diferente do mundo. E não falo apenas de estar em um outro país. Sabe aquela sensação de acordar numa cama estranha, olhar ao redor e não conhecer nada direito, saber apenas vagamente o que é tudo aquilo, só porque existe um "tudo aquilo" básico que está em todos os lugares? E tem também a sensação de que depois disso todas as coisas que você conhece estarão sendo automaticamente comparadas com todas as outras coisas que você veio a conhecer.

É como dizem: já era. As experiências que temos recriam o nosso próprio mundo, que é no fim o único em que realmente vivemos. E tudo será mil vezes diferente se mil vezes olharmos para trás. E acredito que quanto mais longe formos, fisicamente ou não, menos pertenceremos a qualquer lugar, exceto ao lar.

Por isso os laços familiares são tão incríveis. De tudo que nós abandonamos na vida, é o que sentimos mais, mesmo se não admitirmos. E é engraçado constatar que, quando estamos longe e dizemos "nossa, como queria estar em casa", nunca estamos nos referindo à nossa casa em outro país, que será sempre temporária.

Quando olho para trás, nesse momento, não me vejo em nenhum lugar que não seja a minha casa. A maior parte de todo o resto que eu vejo quando olho para trás, nesse momento, já faz parte de um mundo distante demais de mim.