sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O espírito natalino minimalista

Os preparativos para o Natal começam a impregnar os ambientes das energias dessa época. As decorações começam a aparecer, pomposas ou tímidas. As pessoas começam a andar de um lado para o outro fazendo listas, combinando detalhes, fazendo vaquinhas, organizando trocas de presentes. Outras pessoas começam a correr da loucura da reconstrução do "espírito natalino" e dizem não para todos os amigos ocultos a que são convidadas.

Em nós mesmos, aparece aquele espírito auto-indulgente de se presentear, comprar para si mesmo aquilo que há muito tempo queríamos (ou não). Aquela vontade de presentear os amores e entes queridos. A vontade de comprar uma roupa especial para o episódio da ceia de Natal.

Não preciso continuar a discussão já batida sobre o que é realmente o espírito natalino. Seria aquele que aparece nas propagandas com 50% de desconto? Seria aquele que impulsiona os familiares e amigos a se reunirem e festejarem? Ao mesmo tempo, seria então uma hipocrisia se reunir somente no Natal? E, apesar disso, já que o Natal é para muitos uma data mais especial do que as outras, não seria então uma oportunidade para cosntruir laços verdadeiros em vez de cantar mau humoradamente a hipocrisia das datas comemorativas?

Reflexões, apenas.

Neste Natal, o orçamento apertado me fez repensar e reduzir minha lista de presentes para mim e para os outros. Ao mesmo tempo, trouxe a oportunidade de refletir e buscar alternativas para passar a minha vez no jogo do consumismo natalino.

Sei que nossos familiares e amigos adoram ganhar presentes novinhos e caros (assim como muitos de nós), e muitas vezes tudo que não queremos é ouvir aquele comentário maldoso ou ver aquela expressão amarela diante de nosso presente baratinho, mas de coração. Entretanto, sucumbir ao consumismo é comprovadamente um círculo vicioso. Dessa forma, vamos nos libertar da vontade de agradar ao outro com um presente que talvez vá gerar uma fatura gigante de cartão de crédito no mês que vem (e vamos encarar eventuais expressões de desagrado, acontece).

Nesse espírito natalino minimalista, encontrei algumas boas indicações no Zen Habits. Abaixo, adaptei as mais interessantes para nossa realidade.

  • Faça outras coisas com a família, como cantar músicas natalinas, cozinhar, jogar futebol (no original, ele também sugere assistir "It's a Wonderful Life", mas acho que nenhum programa da TV aberta brasileira vai ser grande coisa pra assistir com a família).
  • Reunir a família para fazer trabalhos voluntários. 
  • Pedir às pessoas que façam uma doação para uma instituição de caridade em vez de te darem presentes.
  • Produzir presentes que tenham significado.
  • Fazer uma troca de presentes com coisas que você já tem (achei essa a melhor ideia, um amigo oculto em que não precisaremos comprar nada, e sim presentear o amigo com algum item nosso que esteja em bom estado, mas em desuso).
  • Cozinhar presentes.
  • Ter alguma experiência em vez de dar bens materiais: fazer alguma coisa divertida juntos, ir à praia ou a um lago (ok, um pouco longe da realidade árida de Brasília, mas existem coisas divertidas que não envolvem praias e lagos).
  • Encontrar esperança. O Natal tem muito potencial para ser sobre muito mais do que comprar — ele pode ser um tempo de esperança, renovação, entes amados, inspiração, contemplação. Converse com a sua família sobre isso — como podemos encontrar meios de ser esperançosos, gratos, cooperativos? Como podemos ser mais presentes em vez de preocupados com a compra de presentes?

Quem topa um amigo oculto de usados? o/

    segunda-feira, 29 de novembro de 2010

    Reflexões para a boa convivência

    O que evitar

    1. Julgamento. Evite julgar, mesmo que só no pensamento. Nenhuma reação existe sem ação. Se o julgam hoje, é porque já julgou. Evitando o julgamento, quebra-se esse ciclo infrutífero. Quem julga o outro é porque se acha melhor do que ele. Quaisquer que sejam os critérios de certo e errado, que por sinal são sólidos como as ondas no mar, achar-se melhor que outro apenas demonstra pobreza de espírito.

    "Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados" Lucas 6:37

    2. Ciúme. Deriva do sentimento de posse. Dessa forma, evite o apego. Pratique o Amor universal, incondicional e desinteressado.

    3. Apontar defeitos. Um tipo de julgamento. Ataca a autoestima daqueles que não se sentem seguros de si. Apontar defeitos nos outros demonstra, antes de tudo, a própria insegurança.

    "Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca." Mateus 12:34

    4. Comparação. Evite comparar as pessas umas com as outras. Mais um tipo de julgamento, tipo esse que despreza a individualidade inerente a cada um. Cada pessoa é um universo. Dessa forma, não faz sentido estabelecer comparações ou até mesmo padrões. As pessoas não são para se encaixarem em padrões, mas para serem aceitas e amadas como elas são.

    "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." Mateus 22:39

    5. Preconceito. Incompatível com as noções de Amor universal e fraternidade universal. O invólucro carnal é diverso, porém temporário, e não exerce influência no caráter, só para citar um tipo de preconceito. Muito acima de cor da pele, opção sexual, opção religiosa, estilo de vida, ou qualquer das milhares de coisas que são alvo de preconceito - somos todos irmãos.

    6. Fanatismo. O ser humano caminha invariavelmente para a evolução, de forma que onde quer que esteja, estará aprendendo lições valiosas que com certeza se somarão à sua caminhada evolutiva. Julgar um caminho como certo em detrimento de outro é uma atitude pretensiosa. Se pouco sabemos de nós mesmos, que dirá dos outros.

    "Na casa de meu Pai há muitas moradas" João 14:2


    O que cultivar

    1. Individualidade. Vivemos em sociedade, mas o constante impulso de igualar todas as pessoas, encaixá-las em um padrão, é uma violência ao espírito, à individualidade que cada ser possui. Viver harmonicamente em sociedade, mas sem anular o seu eu verdadeiro. Ao contrário, fortalecê-lo cada vez mais em detrimento do ego, para que seja cada vez mais senhor de si e esteja cada vez mais imune às investidas regulares da sociedade para padronizá-lo.

    2. Silêncio. O pensamento convertido em voz possui grande poder. Dessa forma, é necessário ter cuidado com o que verbalizamos, principalmente com relação a nós mesmos. O ser humano constantemente sabota sua própria vida com verbalizações negativas, depressivas, más, de todo infrutíferas, que apenas denotam desequilíbrio e frustração. Se ainda não conseguiu controlar o pensamento (que tem força independente de ser verbalizado ou não), que comece exercitando o silêncio, poupando a si mesmo e aos outros da verborragia.

    3. Vibração. Tudo vibra constantemente no universo. Por meio de um exercício de consciência, podemos modificar nossa frequência vibratória. Vibrando positivamente, com amor e em harmonia, atrairemos vibrações afins.

    "Toda manifestação de energia, seja esta no nível da matéria, do pensamento, emoção, vontade, desejo, amor, raiva, é construída através de vibrações e, dessa forma, podemos, com um duro trabalho de autoconsciência, mudar nossa frequência vibratória."

    sexta-feira, 15 de outubro de 2010

    Mitos da alimentação saudável

    Há dois meses venho buscando uma alimentação cada vez mais saudável. Nesse pouco tempo, pude observar e experienciar os vários mitos e preconceitos que a nossa organização social associou à alimentação saudável ao longo da existência nesse planeta.

    Mito n. 1: alimentos saudáveis são muito caros.

    Durante quase toda a minha vida, dei pouca importância à alimentação. Creio que não tive mais prejuízos decorrentes disso porque minha família em si não tem uma alimentação tão ruim. O meu pensamento era o seguinte: para que gastar dinheiro com comida, que você come e ela vai embora rapidamente, se podemos gastar dinheiro com bens materiais que vão durar muito mais?

    Neste momento, porém, não consigo mais ver sentido no meu antigo raciocínio. Quando refletimos sobre a vida e o que se leva dela, percebemos que a única coisa que realmente possuímos, e ainda assim temporariamente, é o corpo. Aqui uns pensarão: mas para que cuidar do corpo se vamos morrer?

    Já é sabido que o mau uso que se faz do corpo caracteriza um suicídio lento. Uma rotina de alimentação ruim e de sedentarismo abrevia a nossa preciosa existência nesse planeta. Os livros estão aí para contar a história daqueles que assim se foram e que lamentam profundamente o mau uso que fizeram da única coisa material que verdadeiramente possuíram. Um ótimo exemplo é o filme Nosso Lar, que mostra justamente uma história de suicídio lento.

    Além disso, como já foi dito, tudo que é feito ao corpo físico reflete nos corpos mental e espiritual. Dessa forma, apesar de o corpo físico eventualmente morrer, o dano que foi feito a ele estará refletido nos nossos corpos imortais.

    Para completar a reflexão sobre esse mito, um pensamento banal: "passamos metade da vida gastando saúde para ganhar dinheiro, e a outra metade gastando dinheiro para recuperar a saúde". Nem preciso dizer o que é mais caro, uma alimentação saudável ou um médico.

    Mito n. 2: para que se alimentar saudavelmente se você já é magra?

    Sempre me lembro de que na Grécia Antiga o padrão de beleza da mulher não eram as mulheres magras ou, como é hoje em dia, as mulheres magérrimas.

    O propósito da alimentação saudável não é estético, muito embora esse fator atraia muitas pessoas para uma boa alimentação. A perda de peso é uma consequência da alimentação saudável.

    A busca por um padrão de beleza estabelecido pela sociedade não passa necessariamente pelo caminho da alimentação saudável. Prova disso são as clínicas de cirurgia estética. Se se busca apenas o padrão de beleza, pode-se muito bem ir pelo caminho da intervenção cirúrgica.

    Além disso, pessoas magras não são necessariamente saudáveis. Apenas exames específicos podem revelar, por exemplo, o percentual de gordura ruim no corpo. Gordura essa que pode causar várias doenças tanto em uma pessoa magra como em uma pessoa gorda. Cabe aqui a reflexão sobre os termos magro e gordo. Percebam que o termo "gordo" carrega um sentido pejorativo, ao passo que "magro" não tem essa conotação. E isso se dá apenas por causa do padrão de beleza estabelecido pela sociedade atual.

    Uma ramificação desse mito é o de que pessoas magras podem comer porcaria sem que isso lhes traga danos. A curto prazo, a má alimentação pode não demonstrar seus efeitos externamente, na aparência, o que podemos considerar até como uma desvantagem das pessoas magras em relação às gordas. Os magros que acreditam somente na estética acabarão por procurar a alimentação saudável mais tarde, quando o corpo reclamar por meio de sérios problemas de saúde. A longo prazo, de uma forma ou de outra, certamente chegaremos na parte da vida em que gastaremos nosso dinheiro para cuidar dos problemas de saúde decorrentes da nossa péssima alimentação.

    Mito n. 3: por que você está se alimentando dessa maneira, foi recomendação médica?

    Novamente, a tendência em pensar que só se deve cuidar do corpo quando ele já entrou em colapso. Cuidando bem do corpo, estaremos justamente evitando que precisemos tanto do médico. Se paramos para pensar sobre a gama de doenças que estão relacionadas à má alimentação, percebemos que estamos percorrendo o caminho inverso. O que comemos, ao lado do que pensamos e do que sentimos, é uma das coisas que mais afeta nossas vidas.

    Neste ponto da reflexão, é importante atentar para a pressão social. Por que nos preocupamos tanto com o que o outro está comendo? Fará alguma diferença para você se eu comer macarronada no almoço? Fará alguma diferença para mim, para os meus corpos físico, mental e espiritual, se você comer pudim de sobremesa? Nenhuma. Socialmente, entretanto, as pessoas procuram se reunir em grupos que fazem a mesma coisa porque a quantidade dá uma ideia de legitimação às suas atitudes. Se a sociedade come bolo todo dia, isso não diz nada sobre a qualidade do bolo. Isso diz apenas que, estatisticamente, nós estamos comendo bolo todo dia. Isso nos leva ao próximo mito.

    Mito n. 4: eu tive uma alimentação ruim a vida inteira e não morri.

    Praticamente autoexplicativo. Por sorte, a maioria dos corpos humanos são resistentes, por isso temos a ilusão de que a má alimentação não está gerando nenhuma reação. Entretanto, sempre que há algo de errado com o corpo, ele envia sinais até a sua mente, para que ela preste atenção no que está acontecendo. Aí que aparecem as doenças, o mal-estar, a fadiga, entre outras inúmeras reações.

    O imediatismo com que tratamos a vida faz com que nos preocupemos muito mais com a violência que está além dos muros das nossas casas do que com a "violência" que praticamos diariamente contra nosso próprio corpo.

    Mito n. 5: você vai emagrecer com essa alimentação, vai ficar doente.

    Muito pelo contrário. Percorrendo o caminho natural, afastaremos inúmeras doenças, ficaremos cada vez mais fortes e resistentes. Da mesma maneira que não é saudável estar muito acima do peso, não é saudável engordar por meio da ingestão de alimentos ruins. Tanto uma coisa como a outra culminarão no colapso do corpo.

    O emagrecimento que pode ocorrer será a eliminação das toxinas que acumulamos no organismo. Uma alimentação saudável, aliada à importantíssima atividade física regular, jamais será a causa do enfraquecimento do corpo físico.


    Por que olhamos tanto para o exterior e nos iludimos tanto com a parca visão que temos das coisas? Aprendemos a ouvir o outro e a acreditar no que ele fala, criando assim as engrenagens sociais que chamam de loucos e paranoicos aqueles que querem apenas cuidar de si, sem que isso nem ao menos afete uma só pessoa que não seja ele mesmo.

    Feche os olhos físicos, respire fundo e perceba o seu interior. Aprenda a interpretar o que ele diz. As respostas estão todas ali, no seu centro, no seu eu verdadeiro. E a partir do momento em que o centro começar a se fortalecer, as pressões sociais não serão mais do que diversão para o dia a dia.


    No supermercado hoje:

    Eu - esses alimentos saudáveis são tão caros né?
    Priscilla, a moça do caixa - é, são mesmo né! Por que você tá comprando isso, foi recomendação médica?
    Eu - (rindo) ah, não, não. Quero justamente evitar isso. Cuidar bem do corpo antes de precisar de médico né.
    Priscilla - é, eu que o diga, com essa minha coluna.
    Eu - pois é, uma coisa que ajuda muito nesse caso é fazer atividade física.
    Priscilla - (rindo muito) ih, eu sou muito sedentária!
    Eu - (rindo) pois é, aproveita e começa amanhã! =D

    segunda-feira, 11 de outubro de 2010

    Evolução vs. frustração básica da vida

    Deyse e Daniel

    Por que a maior parte da população vive em contínuo estado de depressão? O que é essa frustração básica que simplesmente existe (ou seria preexiste)? Embora tentemos explicá-la por meio de motivos mais palpáveis, oriundos dessa vida, a depressão básica encontra explicação nas múltiplas vidas.

    Imagine que você conhece um mundo feliz, em que não há desigualdade, guerra, competição. Todos os seus habitantes compartilham tudo o que têm e se ajudam em nome do amor universal. Imagine agora que você irá desse mundo para um outro, em que existe tudo quanto pode ferir a alma de quem o habitar. A primeira sensação é a de estar preso, condenado a viver nesse mundo estranho.

    Ao encarnar, passamos pelo esquecimento, para que possamos começar uma nova jornada e para que tudo que conseguirmos aqui seja alcançado com mérito. Entretanto, a nossa consciência é a mesma e, apesar de não podermos acessar todo o seu conhecimento e todo o seu potencial, podemos senti-la, podemos nos sintonizar com ela.

    É nesse ponto que nasce a depressão básica da vida. A sensação de que tudo poderia ser melhor e a percepção de que não é. A sensação de que você próprio poderia ser melhor e não é. A saudade da sua origem. Tudo isso gera frustração, e os seres humanos em geral escolhem a estagnação mental ou o rebaixamento mental como fugas a esse sentimento de frustração.

    Rebaixando o seu nível de consciência, o ser humano consegue atingir temporariamente uma ignorância que o poupará do sofrimento causado pela frustração. A própria depressão básica em que vivemos é um tipo dessa ignorância. Nesse ponto, toda a construção social do ego contribui para que fiquemos estagnados, pois a sociedade atual está organizada de modo a propagar valores vazios, buscas meramente materiais.

    Talvez a estagnação seja mais danosa do que as oscilações "para baixo", pois nestas ocorrem choques que podem ser capazes de provocar um despertar de consciência, ao passo que na estagnação os choques são por assim dizer mais fracos. Considera-se também que não há involução. O ser pode estar temporariamente em ignorância, mas assim que acessar sua consciência, tudo que aprendeu estará lá.

    A evolução, por outro lado, requer oscilações "para cima". Aumentar o nosso nível de consciência e o nosso nível de amor universal é um constante exercício. Este planeta proporciona um âmbito enorme de situações mais ou menos conflitantes, tendendo para o caos ou para a paz, respectivamente. O ser humano é, então, continuamente exposto a conflitos de toda natureza, de acordo com a evolução que pretendeu obter. Somente deste modo alcançará uma evolução permanente, ou seja, galgará mais um degrau na escada evolutiva e, daí para diante, passará a oscilar deste ponto para cima.


    Essa evolução passa por todos os aspectos da vida, pois estão todos interligados. Corpo físico, mente e espírito, resumidamente. O corpo físico é a casa transitória, o veículo, é o modo de ação e atuação na terceira dimensão quando não se tem controle completo da energia, do corpo mental. Liga-se ao espaço, ao meio físico, porém não ao tempo, que é mental. Para que possamos vibrar em frequências mais altas, é necessário limpar o corpo físico das toxinas que adquirimos através do uso de drogas, da má alimentação, do sedentarismo e das emoções descontroladas.

    O corpo mental é o grande criador das ações e manifestações, transcende o tempo e o espaço, cruza planos e dimensões, tanto as mais elevadas como as mais baixas. Através do seu nível de frequência, de vibração, podemos elevar também a frequência de todos os outros corpos, principalmente do corpo físico, transcendendo as limitações físicas da matéria e utilizando cada vez mais a energia, inclusive a própria energia de que é feita a matéria.

    O corpo espiritual é o veículo pelo qual temos verdadeiro contato com o divino, a essência suprema, o grande criador. Através do corpo espiritual, percebemos nossa verdadeira origem, nosso Eu Superior (a primeira energia derivada da fonte suprema e não dividida ainda em polaridades masculina e feminina). Expressa-se através do coração, o centro de energia cardíaco, e vincula-se ao cosmos através do centro de energia coronário.

    Em resumo, é preciso evoluir a mente, representada pelo cérebro, mas também é igualmente importante evoluir o espírito, representado pelo coração, em direção ao amor universal.

    "Quando o nível científico de um mundo supera em muito o nível de amor, esse mundo se autodestrói"*. Estamos vivenciando esta realidade, pois "se o nível de amor de um mundo é baixo, existe infelicidade coletiva, ódio, violência, separatismo, guerras, com um nível perigosamente alto de capacidade destrutiva"*.

    Dessa forma, a evolução deste mundo e a possibilidade de visualização de um panorama mais feliz, em que predomine o amor universal, passa necessariamente pelo desenvolvimento individual, pela superação da frustração básica.

    A palavra do momento é despertar.


    *Trechos retirados do livro Ami: o menino das estrelas, de Enrique Barrios.

    segunda-feira, 4 de outubro de 2010

    Em busca do equilíbrio

    "Survival isn't strength, smarts, or speed; it's the ability to adapt to change." Leo Babauta
    Sobrevivência não é força, inteligência ou velocidade; é a habilidade de se adaptar à mudança. [tradução livre] 

    A vida nos oferece diariamente situações conflitantes. O conflito entre o que eu quero e o que a vida tem disponível para mim. Eu quero um carro, a vida me apresenta uma bicicleta. Eu quero uma casa própria, a vida me apresenta um aluguel. Esses são exemplos materiais, mas são inumeráveis os conflitos em todos os aspectos da vida.

    Por estar em constante conflito, o ser humano tende a vincular a felicidade à resolução do conflito (a seu favor, obviamente). Serei feliz quando conseguir comprar um carro; serei feliz quando encontrar alguém que me ame; serei feliz quando aqueles que eu amo estiverem bem; serei feliz quando conseguir entrar na universidade; serei feliz quando conseguir seja lá o que for que eu quero. Como fazem as pessoas que não conseguem tudo que querem? Estão condenadas à infelicidade?

    Tenho lido inúmeros textos que dizem que a felicidade está na busca e não em atingir um objetivo. Pote de ouro no fim do arco íris...? Já observaram quantas vezes vocês fizeram planos? E quantos desses planos de fato se tornaram realidade? A vida é uma grande frustração, certo?

    Dessa forma, como estar feliz e em equilíbrio em meio a toda essa oscilação típica da vida nesse planeta?

    1. Tudo muda continuamente. Se vincularmos o nosso bem estar a qualquer coisa externa à nossa individualidade, ao nosso verdadeiro eu, temos já uma garantia de infelicidade. O tempo e a energia que gastamos tentando sustentar o ego poderiam ser utilizados na busca de quem nós somos verdadeiramente. Saber quem você é implica integridade, força, sustentação.

    2. Programação mental. O que fazemos quando confrontados pela mudança? Desesperamo-nos. Ficamos inconformados. Será que poderíamos observar em quê essa mudança realmente afeta o nosso eu verdadeiro? Poderíamos nos programar mentalmente para aceitar a mudança e extrair dela as lições que certamente contém? Ok, somos/estamos humanos, é difícil controlar cada emoção que sentimos, mas é sabido que o chakra frontal controla o emocional, então, não é impossível.

    O conhecer-se e o encontrar-se estão intimamente ligados à capacidade de se programar mentalmente. Quanto mais você se conhece, mais íntegro é e, portanto, mais habilidade terá para colocar-se em equilíbrio. Muitos se desapontam com este mundo justamente pelo caos que aqui existe. Entretanto, é somente em meio ao caos que podemos testar o nosso verdadeiro equilíbrio.

    Todas as situações conflitantes trazem inestimáveis lições. Se na busca por um determinado objetivo você aprender várias lições, que importará conseguir ou não esse objetivo? A evolução é o que fica. 

    Boas leituras no tema "Quem sou eu?" (em inglês):
    Who I'm not
    In Search of Self 

    Leitura complementar (em inglês):
    You-re already perfect

    sábado, 2 de outubro de 2010

    O princípio da não invasão

    O que querer hoje em dia tornou-se uma questão bastante complicada. Poderia dizer que não quero nada de você além de você. Mas tenho medo de, querendo-te, invadir o teu espaço. Por isso eu penso, penso, penso muito mais do que digo. E muito pouco questiono. Questionar também não seria invadir?

    E eu não quero invadir. Quero um convite.

    Às vezes, porém, eu sinto meus pés caminhando por regiões em que ainda não sei se posso andar. Recuo quando me vejo rodeada pelo vazio. Quisera, nessas horas, não ter me perdido nessa escuridão.

    Apesar de eu me sentir egoísta por querer pensar em mim e então tentar anular tudo que eu venho sentindo, sempre existe um limite além do qual não consigo me expressar sem lágrimas. O vazio se torna insuportável e não existe outra maneira de preenchê-lo. Se não há nada para mim, qual o sentido de tudo isso?

    E cada um verte por si mesmo as lágrimas que tem.

    sexta-feira, 17 de setembro de 2010

    Ansiedade e paranoia

    É engraçado como, a cada acontecimento que mexe com meus interesses, minha mente tende inevitavelmente para a especulação, da qual pelo menos 80% é paranoia. Digamos que ocorra um fato x que me deixe ansiosa. Minha mente imediatamente começará a desdobrar x em y, z, w, ad infinitum, criando situações prévias ou decorrentes de x, sem que, no entanto, qualquer delas tenha de fato acontecido.

    Não obstante, as emoções decorrentes das situações criadas são reais. É possível sentir todo tipo de coisa pelo simples fato de ter criado uma situação na imaginação.

    Dessa forma, é imprescindível estabelecer um limite para o pensamento paranoico. Isso porque o simples fato de refletir sobre as coisas demonstra uma preferência ou uma característica individual. Quem reflete, pensa, não vai deixar de fazê-lo de uma hora para outra, pois isso seria absurdo, autoritário e prejudicial.

    No momento em que tentamos cercear nossos desejos, violentamos a nós mesmos. Se pensar é preciso, devemos pensar. Mas não devemos deixar de tentar aprimorar cada vez mais os nossos pensamentos.

    Dito isto, sabendo que os pensamentos paranoicos especulativos virão, o que fazer para controlar a ansiedade decorrente do fato x?

    1. Ater-se aos fatos. Diagnosticar as situações criadas pela mente e parar de pensar sobre elas. Fora o fato x, em geral, existem outros fatos reais. Pense sobre eles.

    2. Assim como existe a gaveta da bagunça no Feng Shui, abra a sua gaveta mental de pensamentos paranoicos. Permita-se pensar o que quiser durante um curto espaço de tempo. Depois, feche essa gaveta e volte para a realidade.

    3. Evite comentar com outras pessoas sobre pensamentos paranoicos, principalmente com pessoas que alimentarão ou serão influenciadas pela paranoia.

    A ansiedade existe e só tende a piorar se dermos espaço para esses pensamentos.

    O poder da mente é enorme, tanto podemos migrar para uma realidade paralela dentro de nossa própria cabeça, como podemos treinar esse poder para conseguirmos cada vez mais autocontrole.
     
    25 de agosto de 2010

    domingo, 1 de agosto de 2010

    When we just wanna be home

    É certo que estar em qualquer outro lugar que não seja sua casa te traz uma perspectiva diferente do mundo. E não falo apenas de estar em um outro país. Sabe aquela sensação de acordar numa cama estranha, olhar ao redor e não conhecer nada direito, saber apenas vagamente o que é tudo aquilo, só porque existe um "tudo aquilo" básico que está em todos os lugares? E tem também a sensação de que depois disso todas as coisas que você conhece estarão sendo automaticamente comparadas com todas as outras coisas que você veio a conhecer.

    É como dizem: já era. As experiências que temos recriam o nosso próprio mundo, que é no fim o único em que realmente vivemos. E tudo será mil vezes diferente se mil vezes olharmos para trás. E acredito que quanto mais longe formos, fisicamente ou não, menos pertenceremos a qualquer lugar, exceto ao lar.

    Por isso os laços familiares são tão incríveis. De tudo que nós abandonamos na vida, é o que sentimos mais, mesmo se não admitirmos. E é engraçado constatar que, quando estamos longe e dizemos "nossa, como queria estar em casa", nunca estamos nos referindo à nossa casa em outro país, que será sempre temporária.

    Quando olho para trás, nesse momento, não me vejo em nenhum lugar que não seja a minha casa. A maior parte de todo o resto que eu vejo quando olho para trás, nesse momento, já faz parte de um mundo distante demais de mim.

    quarta-feira, 21 de julho de 2010

    London is to be walked

    Hoje no trabalho uma colega profetizava... "se você tiver que vir para cá definitivamente, você virá. Em outra época, quando você estiver preparada, você irá para qualquer outro lugar. Você faz a sua parte, mas Deus é quem sabe qual será o seu destino". Sempre questiono a utilidade de fazer planos...

    De qualquer forma, saí do trabalho com o objetivo de voltar à Tomcat para buscar o sapato que eu havia reservado. Comecei a subir a Oxford Street e andei quase 1 km até descobrir que estava indo na direção errada. Não existe um tempo perdido quando se tem trinta dias. Tirei fotos do Marble Arch e resolvi ir ao museu do Sherlock Holmes, em 221b Baker Street.

    No caminho, topei com uma loja só de jogos, Chess & Bridge, na 44 da Baker Street. O dono estava fechando a loja, mas tive tempo de dar uma olhadinha e encontrei um quebra-cabeça de 1000 peças de "Onde está Wally?" por apenas £10.

    Continuei meu caminho para a "casa" do Sherlock, mas quando cheguei lá a mocinha vestida a caráter estava fechando o lugar. Muitas coisas fecham em horários normais, apesar de anoitecer só la para as 22h. Lá perto também encontrei The Beatles Store, que é bem pequena, apertada, esquisita até, e repleta de souvenirs dos Beatles.

    Saí de lá e liguei para o dono da Tomcat, "fechamos às 19h", "tô passando aí". Então fiz o caminho de volta até a estação de metrô de Baker Street. Tinha duas opções: a linha Jubilee ou a Bakerloo. Por alguma razão alheia à minha mera vontade, peguei a Bakerloo, que estava dez vezes mais cheia que a Jubilee.

    E lá no trem lotado, a dois ou três passos cheios de pessoas, estava a razão. Os olhos mais bonitos que eu já vi em toda a minha vida. Os londrinos podem ser estranhos às vezes, se vestir mal, não ter nada de interessante, mas devo declarar que têm olhos bonitos. Esses olhos em particular estão agora no topo do meu Top Five Beautiful Eyes.

    Olhos puxados, mas não no estilo japonês, e sim do jeito que os olhos ficam quando a gente puxa um pouco a pele do rosto para cima, só que nesse caso totalmente natural. E ao mesmo tempo, olhos grandes e brilhantes, azuis claros com uma pupila bem pretinha. E os olhos não eram a única coisa interessante, como acontece na maioria dos casos que eu tenho observado. Andar de metrô aqui é uma experiência.

    Desci na Covent Garden Station, que acreditam ser assombrada pelo fantasma do ator William Terris, que morreu ali perto. Tube or False, algumas estações de metrô daqui são extremamente estranhas e assustadoras (a Notting Hill Gate é uma das mais bonitas). A maioria das que eu "visitei" é normal e ampla, mas algumas possuem corredores muito estreitos, sujos, feios mesmo. E a Covent Garden tem um bônus: uma escada em espiral com 193 degraus. Claro, tem três elevadores com 98,8% das pessoas esperando para subir.

    Fui pela escada. Parece interminável, você não vê mais do que cinco pessoas descendo ou subindo, isso quase seis da tarde, quando tudo ainda está fervilhando de gente. Acho que no topo devia haver uma medalha esperando pelos vencedores.

    Cheguei então esbaforida à Tomcat e comprei dois sapatos e não um só. O dono dessa loja é Persa, alguém já me explicou, mas não lembro bem o que exatamente isso quer dizer. Obviamente isso também quer dizer que ele é um exímio vendedor. Pelo menos consegui uns descontos, agora que eu sou uma feliz Tomcat Costumer.

    Antes de sair perguntei onde ficava a estação de metrô mais próxima. Ele desenhou um mapa para mim e me explicou exatamente onde ir. À direita depois à esquerda no sinal e depois toda a vida até a estação. Segui os dois primeiros passos, mas esqueci do sinal. Dessa vez, percebi mais rapidamente que tinha errado o caminho. Quem se importa, andei a esmo procurando algum lugar para tomar um suco. Nota: a água daqui não mata a sede.

    Achei então um lugar chamado Silva. Provavelmente era Silva alguma coisa, mas só me lembro agora do Silva. Achei legal encontrar um sobrenome tão familiar e entrei. Os Silvas são italianos e serviram um mixfruit juice para a "bela brasileira". Falamos inglês, italiano e português em menos de 5 minutos. Um dos funcionários deles inclusive era brasileiro. É nóis!

    Saí de lá e andei pelas paradas de ônibus, tentando entender qual linha iria para perto de onde eu estou morando. Mais fácil andar sem destino e esbarrar num Underground. Tropecei então na Tottenham Court Road Station e peguei o trem de volta para Southfields.

    Planos? Para quê?

    sexta-feira, 25 de junho de 2010

    Layla

    Por quanto tempo ainda podemos viver aqui, onde a noite nunca termina, onde jamais temos sono ou cansaço e a luz do sol nunca chega para levar embora cada sonho que tivemos? Como prolongar o momento antes de as cores perderem seu brilho, as expressões tornarem-se sérias, as rotinas estenderem seus longos braços sobre nós, obliterando a poesia recém cantada?

    Ah, as noites eternas dos amantes. Que graça haveria em cantar dos amantes os momentos em que a implacável luz sobre deles desaba, escondendo as verdades do coração e da alma e expondo as dúvidas e fraquezas que a noite sabiamente oculta.

    E o dia não sabe o que a noite encerra, assim como a noite nada sabe sobre o dia. Por isso, ao acordar, tememos olhar para o lado e vislumbrar, talvez, uma individualidade já oculta sob as máscaras cotidianas. Por isso também, ao acordar, talvez olhemos para o outro lado, por medo de sermos surpreendidos com a face limpa em plena luz do dia.

    segunda-feira, 7 de junho de 2010

    Chest of sorrow


    Oh shiny little things I treasure
    wish I could put y'all in a box
    and take with me for lands unknown
    where all the things I'll treasure
    sure will fit in this tiny little chest

    all but love - treasure of the treasures
    which may remain unknown

    for in the love I leave my soul is trapped

    quarta-feira, 26 de maio de 2010

    Universos em expansão

    Cada ser humano é um universo em infinita expansão.
     

    Ela lê livros antigos de autoajuda, escritos em outro idioma. É uma forma de se conectar ao seu passado, do qual frequentemente sente saudades, o que posso atestar pelos lamentos que ouço de vez em quando, em meio a suspiros. É uma mente ativa, que precisa se ocupar. E são tantas as miudezas do dia a dia e do cuidado com o lar, com os filhos, com a aparência. Muito a consertar, muito. Muito a aconselhar, a dizer, sempre. Muito a pedir a Deus, com fé admirável. Nada, entretanto, que chegue perto do tamanho da saudade. Nada que remova o "eterno" espinho.

    Creio que chega a ser uma saudade sem nome e sem forma. Uma entidade. Já faz parte da vida como qualquer outro hábito. É a arma que se conserva entranhada na carne porque retirá-la seria morrer.

    E talvez tudo de que precise seja de uma página em branco, infinita de possibilidades.

    terça-feira, 25 de maio de 2010

    Silêncio e verdade

    A pause in speech is silence. Silence is one of the most 
    profound ways to connect with your inner voice, with nature. 
    Silence is the best part of speech.* mnmlist.com


    Às vezes perdemos tantas oportunidades de dizer a verdade, dizendo aquilo que nem sequer pensamos, seja por medo, por orgulho, que o registro de tantas inverdades acaba por conferir, de fato, forma de verdade a algo que não corresponde ao que sentimos, a uma inverdade.

    A palavra não volta, independente do seu valor, é um registro. Por isso, o silêncio é sempre a melhor opção para quando não conseguimos ainda expressar o que há de verdadeiro em nossos sentimentos. Um registro de inverdade requer mais trabalho para ser substituído por um registro de verdade. O silêncio é livre de valores.

    Pode parecer que, quando falamos a verdade, expomos nossas fraquezas, nos tornamos vulneráveis, mas contra ela não haverá argumento. A verdade por si só é uma força que, no paradoxo da exposição, acabará por nos tornar mais fortes e íntegros.


    *Uma pausa no discurso é silêncio. O silêncio é uma das formas mais profundas de se conectar com sua voz interior, com a natureza. O silêncio é a melhor parte do discurso. (tradução livre)

    quarta-feira, 19 de maio de 2010

    A montanha

    Sinto-me cada vez mais distante, como se o mundo fosse se apequenando diante de mim. As vozes, os sons, os ruídos, as cores, tudo se torna de repente vago, impreciso, fluido, incorpóreo. É claro que é necessário prosseguir, e eu sigo sempre às tarefas diárias, às missões a que me proponho, como quem as risca, uma a uma, da enorme lista que assumiu. Devo ainda seguir a outras missões, àquelas que tenho evitado. Mas a mente ora vagueia indiferente.

    Penso em lugares diversos, invisíveis, altos e distantes, onde o vento varre a superfície e também as preocupações, deixando o campo limpo e livre para a reflexão. Pura. Solitária. Atemporal.

    Distante de tudo, assim como o observador externo do jogo de xadrez, antevejo movimentos, pondero e traço jogadas diferentes para minha própria vida. Livre da personalidade que tanto ilude, entro finalmente em contato comigo mesma. E munida dessa energia, desse conhecimento, adquiridos a conta-gotas a cada dia, posso caminhar novamente em meio à vida irreal a que estamos condenados. Porém, sempre com uma perspectiva nova e mais ampla no olhar.

    segunda-feira, 12 de abril de 2010

    All of a sudden...

    É operada primeiramente uma reviravolta no estômago. Tudo estava tão terrível, entediante, repetitivo, doente até. Faltava motivação, empenho, energia, todas essas coisas que fazem a gente acordar feliz para um novo dia. Fearless.

    Com um telefonema, esse ciclo foi quebrado. A partir de agora, quer as coisas façam sentido ou não, haverá toda uma nova energia para se transformar em realizações. As tarefas maçantes que devem ser terminadas terão também outra cara. Não se parecerão mais com uma prisão, um túnel sem luz no fim, mas, sim, com um cronômetro em contagem regressiva.

    Sweet days ahead. Just smile.

    Existindo

    Escrevi recentemente sobre desacelerar, viver plenamente, e sobre as ilhas desertas, aqueles momentos em que a solidão é tão necessária e até mesmo prazerosa. O encontro consigo mesmo, a chance de entender o vazio, às vezes monstruoso, que há em cada um. Encontro que não é possível quando estamos principalmente concentrados nas buscas materiais.

    O vazio, a falta de motivação, a falta de sonhos, metas, tudo isso me faz pensar em qual seria o objetivo de cada vida sobre a Terra. É fato que para cada vida há um objetivo. Entretanto, também é fato que muito dificilmente conheceremos o nosso próprio objetivo, pela própria natureza da vida nesse planeta. Dessa forma, o questionamento talvez não seja qual o objetivo da minha existência, mas o que posso realizar com a minha existência.

    Partindo do pressuposto de que toda existência caminha inevitavelmente para a evolução, um objetivo básico da vida, válido para todos os seres, seria o de melhorar a si mesmo, desconsiderando aqui as muitas outras acepções que essa ideia pode trazer.

    Uma existência encerra basicamente três possibilidades. O ser pode não cumprir seus objetivos ou cumpri-los de maneira insatisfatória, muitas vezes agravando sua situação; pode cumprir seus objetivos satisfatoriamente, não fazer mais do que sua obrigação; e pode ainda cumprir seus objetivos e fazer mais do que lhe foi proposto, ampliando de certa forma a importância prática da sua existência e acelerando seu processo evolutivo.

    É uma teoria bastante geral que, para cada um, soará de maneira diferente, dependendo do seu grau de compreensão e evolução. Dependendo da sua ideia do que seja aprimorar-se. No entanto, é preciso dizer que não se trata absolutamente de aprimoramento material e, sim, espiritual. A busca pela espiritualidade, marca dessa era, passa necessariamente pelo autoconhecimento e pelo consequente aprimoramento de si mesmo.

    A consciência inerente a todo ser humano nos torna seres capazes de discernir se estamos fazendo mais ou menos do que podemos. Cada um sabe sempre de si. E apenas de si.

    segunda-feira, 22 de março de 2010

    Ilhas desertas

    Nessas horas em que eu preciso e prefiro me calar, nessas horas em que a boca não se mexe, a voz não sai, o corpo feito pedra não responde nem aos impulsos mais instintivos, nessas horas a voz alheia fere e as investidas deixam mais profundas as feridas. E eu não tenho força para fugir. O tempo escoa lento, ao contrário dos pensamentos que de tão rápidos e vários não chegam a ser compreendidos.

    É preciso que eu fuja, é preciso que me esconda, que desvie ou feche os olhos, mas a vida às vezes tem um quê de filme de terror. Os tormentos ficam todos à espreita e, num susto, aparecem na sua frente. E ninguém acredita que se morra de susto. Ainda bem.

    Antes eu acreditava que se devesse esgotar tudo antes de partir, todo o amor, toda a raiva, todas as palavras, possibilidades, toda a energia incômoda que parte de um para outro e, às vezes, vice-versa. Não acredito mais. Agora prefiro acreditar em ilhas desertas.

    Há sempre aquela pergunta, em que se pretende que você faça uma escolha óbvia: quem você levaria com você para uma ilha deserta?

    Ninguém.

    Pense na ilha como um lugar para passar uma temporada consigo mesmo, longe da rotina e das pessoas. Apenas você e a sua consciência. Todo o tempo para pensar, refletir, ponderar, esquecer, perdoar, quem sabe até sentir saudades, das coisas boas e ruins. Exercitar e enraizar a paciência, para que tudo fosse diferente ao voltar.

    Sim, a ilha deserta é uma utopia. Mas observo que podemos nos mudar temporariamente. Deixar uma ilha e partir para outra, com rotinas, pessoas e dilemas diferentes. Quando enfim voltarmos, muita coisa já terá passado, menos o que for bom e real.

    quinta-feira, 18 de março de 2010

    No meio do caos

    O que fazer hoje?

    No meio do caos e da correria do dia a dia, foi essa a pergunta que me fiz hoje. Há milhares de coisas que eu poderia fazer e outras tantas que eu devo fazer, mas fico feliz de ter me permitido essa pergunta.

    Em momentos em que tudo vai mal, é comum termos a oportunidade de refletir sobre o que temos feito nos últimos tempos. Tem sido importante? Tem acrescentado algo a nossa existência? Tem valido todo o estresse? Não. Seja lá o que for, não paga o estresse.

    Não pretendo ser minimalista, ainda. Entretanto, observemos de maneira simples que, enquanto estamos estressados e obcecados em nossas buscas por dinheiro, sucesso, estabilidade, estamos nos afastando de nós mesmos e de entes queridos e amigos, ou seja, daquilo que realmente pode nos trazer alguma felicidade. É lógico. Se sua mente estiver cheia de preocupações nesse sentido, muitas outras coisas passarão despercebidas. Um exemplo clássico é a própria saúde, que inegavelmente se deteriora em buscas desse tipo, motivadas somente pelo desejo impensado de enriquecer, largamente difundido em nossa sociedade. Pergunte a alguém por que quer ficar rico e obterá o diagnóstico desse problema. Não há motivo, não há razão senão a satisfação pessoal, sempre egoísta.

    No meio do caos, é quando o sábio corpo reclama. Porque não basta se alimentar bem, ir ao médico regularmente, ter um bom plano de saúde. É preciso pensar cuidadosamente nas escolhas e em suas consequencias. Valerá a pena todo o estresse para ser rico e poderoso aos trinta, quarenta, se não tivermos saúde para desfrutar? Não deveríamos estar desfrutando do que quer tivéssemos, fosse muito ou pouco, desde sempre? Não deveríamos estar vivendo durante toda a vida?

    Talvez o segredo esteja justamente em buscar o contrário: a simplificação da vida. Ganhar menos, ter menos, gastar menos, viver mais. Viver no sentido pleno da palavra, não apenas sobreviver. O discurso agora é minimalista e, muito embora seja de difícil compreensão e mais difícil ainda execução, podemos simplificá-lo até o ponto em que conseguiremos começar a viver de acordo com algo que esteja relacionado à própria vida, no sentido mais espiritual e luminoso da palavra.

     

    A esse respeito: the 10 most important things to simplify in your life (em inglês).

    Para descontrair:

    terça-feira, 9 de março de 2010

    Do que é feita a tranquilidade

    Duas horas da madrugada. Uma chuvinha fina. O barulho melancólico e ritmado das gotas que caem do telhado em algo que provoca um som oco. Uma certeza: ele não vem. E mesmo se viesse, de que adiantaria? Amanhã e depois também não viria. Dias se passariam como semanas ou meses, se eu me largasse a pensar apenas em seus olhos. Não falo do resto, posto que já não me resta, e não convém que dure pela eternidade.

    Ando tranquila pelas ruas, volto à minha vida tão comum e tão normal. Mergulho na minha rotina, estabeleço e cumpro minhas metas. Penso sobre tudo e sobre nada. E quando penso nele, entendo e aceito, porque da mesma forma que me sinto tão bem ao seu lado, como se a vida fosse uma eterna aventura, quando ele desaparece, por razões que não ouso cogitar, tudo perde a cor novamente. Os dias são todos confortavelmente iguais e meu olhar vazio de sentido e sentimento passa a ver vazio em todos os rostos. Fico leve a borboletear por aí, meu olhar a se perder nos horizontes insondáveis da vida, sem se deter aos vazios que me rodeiam e sem poder medir o meu próprio vazio.

    15/1/2010

    sábado, 30 de janeiro de 2010

    As multifaces da vida

    Eu não pude fazer por você tudo que eu queria. Quando eu cheguei, talvez não fosse tarde, mas quando eu voltei, sim. Fico hoje pensando que se eu não tivesse abandonado tudo e desaparecido, talvez tivesse tido a chance de amenizar um pouco as situações. É tão desesperador pensar que a partir de agora tudo que eu pensar não vai passar de hipótese, porque a realidade já está aí, tão fria.

    A sua simples existência me ensinou tanto. Você possui todas as faces antitéticas da vida. Eu sinceramente nunca pensei que encontraria tantas coisas tão diversas e contrárias em uma só pessoa. E que eu gostaria tanto.

    Obviamente que, quando me vi sofrendo tanto, fugi. Creio ter errado por muito tempo sem entender se tinha mesmo uma direção ou se somente fugia. Só consegui vislumbrar algum entendimento quando te reencontrei e percebi o quanto sentia sua falta. Por mais que fosse difícil, terrível às vezes, não havia nada que fizesse mais sentido.

    E agora? Agora eu não posso ter cinco minutos contigo para te dizer que deve ficar e deve lutar, até o fim. Espero que saiba, espero que entenda e fique. E que algum dia, na eternidade da vida, tenhamos outra oportunidade.