sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Saudade

Eu tenho uma saudade quase que religiosa dos tempos do amor. Quando tudo era romance, calor, carinho. Quando havia um nós e nós tínhamos sonhos, talvez até planos. Quando ter um dia difícil era chegar e encontrar o amor, esperando de braços abertos como um clichê.

Pensando sobre o amor, um amor jamais será igual ao outro. Inútil também achar que só se ama uma vez. Mas tudo será sempre diferente. Do outro amor, que bom que fica a lembrança, a saudade... levemente, saudavelmente.

A falta de amor me gela o coração de uma maneira que eu não gostaria. E não é a falta de se sentir amado, mas a falta de amar. Eu ainda me lembro, mas temo chegar um dia a não me lembrar mais quanto tempo faz... mesmo o tempo sendo uma coisa tão abstrata, inexistente às vezes. Difícil não procurar algo do antigo amor em um novo rosto, difícil fazer brilhar um novo amor em um novo rosto, em meu novo rosto. Nem todos estão aí para amar, por diversas razões que nem cabe discutir.

Ah, o amor... assim mesmo: ah, o amor... suspirante, confortável, aconchegante, quente e sereno.

E o vazio, esse oco no peito.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Imperfeição

"E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?"


Surtei. Onde foi que eu me perdi?

Rolou aquela adrenalina toda de estar vivendo uma situação nova. De ter me colocado numa situação difícil, inusitada, delicada. De ter me lançado ao mundo, de ter feito aquelas coisas que eu dizia que nunca ia fazer. De ter enlouquecido sã.

Por isso eu admiro o modo como a vida dá suas rasteiras na gente. O modo como a vida faz com que nós mesmos nos joguemos no fogo. Burn, motherfucker, burn! Nada de hipocrisias e meias verdades, depois que o mundo gira, você quer e quer agora, sem eufemismos. Até porque, se não for agora, você respira fundo e a vontade passa.

E isso me faz pensar. Mais uma vez, gosto do que me faz pensar. Tudo sempre tem um impulso inicial. O resto é inércia. O drama é se deixar levar pela inércia. Vai ficando normal, vai virando rotina, tão fácil como respirar. E lá ficamos todos, nos deixando levar, cada um na sua própria inércia, sem pensar, sem questionar.

"Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite." É quase inevitável, é o nosso egoísmo disfarçado de "o ser humano é um ser social". Sim, o ser humano é um ser social, mas é um ser que socializa com intenções, sejam elas boas ou más. Mas mesmo a má intenção deve ser acompanhada de verdade.

Talvez seja justamente esse o espinho na minha carne. Não fui tão verdadeira quanto eu gosto de ser. Enredei-me na trama dos meus atos, não tão friamente calculados, por sorte da minha consciência, e fiz das circunstâncias um jogo de esconde-esconde. E quando a gente joga, não joga sozinho. "Volte três casas."

Até me questiono agora, entre parênteses, se cabe verdade nesse tipo de ato. Se a verdade não acaba por descaracterizar o ato e transformá-lo em outra coisa qualquer que não vai fazer seguir o jogo. Não tem como jogar com a verdade. A verdade é e pronto.

Eu não quero construir uma imagem para que as pessoas me aceitem. Sou, como todo ser humano, um ser de erros e acertos. E aceitar meus erros e meus medos, vencer a inércia, tomar o caminho estreito e espinhoso, é isso que eu quero, de mim para mim, sinceramente. Nunca me contentei com o fácil. Eu quero a imperfeição das coisas e das pessoas. Quero a minha própria imperfeição.

Eu não quero jogar e não intento ferir. Mas se eu chegar a ferir, que seja com a verdade, pois esta é uma ferida à qual acorre o bálsamo da sinceridade.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Insatisfações

1. Eu quero internet em casa novamente!!!

2. Eu quero paixão, aventura e romance na minha vida! (ao vivo, não online)

3. Eu quero escrever um livro (sonho tolo de quem não põe a mão na massa).

Talvez eu me contentasse em escrever uma short story com bastante paixão, aventura e romance e publicar na internet.

Ha-ha-ha.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Peixe fora d'água

"Olha, não sou daqui, me diga onde estou
não há tempo não há nada que me faça ser quem sou,
mas sem parar pra pensar sigo estradas, sigo pistas pra me achar

Nunca sei o que se passa com as manias do lugar,
porque sempre parto antes que comece a gostar
de ser igual, qualquer um, me sentir mais uma peça no final"

Nosso olhar possui o véu do nosso entendimento. Disseram-me um dia, em uma reunião de pessoas que eu não via há muito tempo, quando eu ponderava o fato de não pertencer àquele lugar, que eu desprezava a todos e me achava superior a eles. Disse-me isso uma pessoa, perscrutando-me pelo véu do seu próprio entendimento. Das outras mais presentes eu não conheço os respectivos pensamentos, captei apenas alguns olhares, que, pelo meu próprio véu, não pareceram tão hostis, apenas igualmente perscrutadores e surpresos.

Sim, surpresos. Não é assim que ficamos quando um estranho se aproxima de nosso grupo? Ficamos surpresos, intrigados, queremos saber por que aquele estranho está ali.

Eu, colocando-me na condição de estranha, aqui venho explicar-me. Tudo que posso dizer, entretanto, é de mim para mim. Até mesmo o texto passará pelo vosso véu.

Muitas pessoas há que passaram pela minha vida ao longo desses poucos 23 anos. Apenas com os familiares mais velhos e mais próximos mantive contato durante todo este tempo. Se cada pessoa que nós conhecêssemos permanecesse em nossas vidas até o fim, teríamos um fim um tanto quanto badalado. Logicamente, nem todas as pessoas que conhecemos queremos perto de nós. Esses vão ficando para trás, naturalmente ou por meio de um adeus. Outras pessoas, de quem gostamos, oscilam em nossas vidas. Vem e vão, ao sabor da maré.

É fato que muitas vezes sou eu a me afastar. Por isso gosto das amizades atemporais, que não dependem de contato frequente, nem de caras e bocas. Amizades sinceras, eu diria.

Porque eu gosto de sumir, sem dramas ou descontentamentos, apenas porque meu barco derivou para outro lugar. Gosto, também, da sensação de encontrar pessoas queridas depois de muito tempo. Conhecer as novidades, observar as mudanças, surpreender e surpreender-se. Às vezes até participar de suas vidas um pouco ou deixar que participem da minha.

Mas todo barco tem um porto e eu volto sempre ao meu. Não posso descrevê-lo, é uma imagem que ainda desenho, dia a dia. É uma imagem que alimento a cada experiência. Poderia dizer que nunca volto ao mesmo porto, mas a uma nova versão dele. Assim como é bom e recompensador encarar o oceano de possibilidades, é igualmente bom e recompensador retornar a um porto seguro. Seguro não porque certo, seguro porque conhecido.

Em outra metáfora, o que escrevi na equação da vida me trouxe até mim, ao mesmo tempo em que me distanciou dos vários eus que eu poderia ter sido. Sei que aqueles que passaram suas vidas sobrevoando perigosamente seus vários eus não chegaram nunca a pousar em um sequer, insatisfeitos com o não poder ter tudo. Não há, pois, nenhum arrependimento da minha parte. Confesso ainda sair e sobrevoar um ou outro eu, mas satisfaço-me de ter uma estrutura para onde voltar. E isso é uma escolha, apenas. Admiro o escolher.

Não, eu não desprezo e não me sinto superior. Apenas fiz outras escolhas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O Sucesso

Quem não quer ter sucesso? Nem todos nós somos Rock Stars, mas, masoquistas à parte, todos queremos alcançar o sucesso, seja ele qual for. Para uns pode ser financeiro, emocional, para outros pode ser chegar ao topo do everest, conseguir um corpo escultural, passar num concurso público ou, por que não, ser um Rock Star. Whatever.

Mas quantos de nós sabemos chegar ao sucesso? E pior ainda, quantos de nós sabemos compreender o sucesso alheio?

Como já diz o ditado, "Deus deu a vida para cada um cuidar da sua". Por que então estamos sempre tão concentrados no sucesso alheio? Se você já justificou o seu fracasso e o sucesso alheio colocando em questão as condições que ele teve e você não, você não aprendeu nada com esse ditado, muito menos com a vida. Com esse pensamento, daqui a 30 anos você ainda estará parado se justificando, enquanto seu "rival" já terá ido a Marte.

Se você ainda não obteve o sucesso que deseja (desconsiderado aqui o "sucesso" que depende do sofrimento de outras pessoas), é porque simplesmente você não trabalhou o suficiente. A culpa é única e exclusivamente sua.

E por que raios as pessoas que obtêm algum sucesso tem de ser obrigadas a prover os coitadinhos? As relações interpessoais se desenvolvem de maneira a punir aquele que consegue ser bem sucedido. Isso mesmo, assim que você começar a se dar bem na vida, espere pelos ataques. Vão querer saber quanto você ganha, com o que gasta, por que gasta e "por que não me dá um pouquinho? Eu preciso disso, daquilo e daquilo outro também!".

Coitadinho de você, que não estuda, que não trabalha, que não se esforça, que acorda tarde, come e dorme, que desiste de suas oportunidades, que não honra seus compromissos, que faz sempre menos do que pode, reclama de tudo e de todos e, quando tem algum tempinho, quer fazer a contabilidade do sucesso alheio para ver que parte te cabe nesse latifúndio.

Seja quem você for, mãe, pai, filho, irmão, tio, primo, amigo, cachorro, papagaio, levanta-te e trabalha. Do what you can, with what you have, where you are (Roosevelt). Não atraia o desgosto alheio com esse comportamento parasitário, porque quando um dia você estiver no lugar do outro, pode querer matar os parasitas que se aproximarem de você.

Se alguém tem algo, é porque conquistou aquilo, mereceu, trabalhou por isso. Se você não teve parte no trabalho, o que é que você pode querer exigir?

Ser generoso não é ser idiota. A generosidade é espontânea, leve, sadia. As pessoas podem ser generosas, naturalmente. Você jamais pode exigir generosidade, isso é coisa que não se pede, acontece. Mas quando você exige algo, é porque quer ser sustentado, mesmo que minimamente.

Se você quer passar a vida dependendo da generosidade alheia e da sua atitude parasitária, boa sorte. É uma escolha sua. Mas não venha culpar o governo, a sociedade, a família, os amigos pelos seus fracassos ou sua falta de sucessos. Mesquinho é você!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Living your life to the fullest

Acredito que o significado dessa frase acabe sempre se perdendo em meio aos nossos mesquinhos objetivos. A questão não é o que queremos, quais goals queremos alcançar, mas o que deixamos de viver a pretexto de cumprir certos objetivos.

Viver a vida ao máximo seria então conquistar esses objetivos, deixando para "depois" outros aspectos fundamentais? Uns aqui diriam que o que é fundamental para um, pode não o ser para outro, entretanto, em algum momento, todos nós queremos um similar grupo de realizações, apenas vinculamos a esta ou aquela realização um peso maior. Em outra perspectiva, todos nós temos um grupo próprio e mais específico de realizações fundamentais, o que não quer dizer que estejamos buscando todas elas. Nós sabemos quais são e deliberadamente deixamos algumas para "depois".

Ou viver a vida ao máximo seria equilibrar objetivos e realizações fundamentais, de modo a não deixarmos de viver em momento algum de nossas vidas?

Já ouvi muitas pessoas dizerem que estão concentradas demais em suas carreiras e não tem tempo para o amor. E quantas pessoas não há que vivem orbitando seus amores e se esquecem de buscar seus sonhos e objetivos? Pais e mães que estão ocupados demais cuidando do futuro de seus filhos e acham que suas próprias vidas já não necessitam de atenção. Pessoas que sentem falta de espiritualidade e deixam para buscá-la apenas quando estão envergados na dor. Quantas vezes você já ouviu alguém se lamentar de algo que deveria ter feito e não fez, e agora é tarde demais?

Essas pessoas somos nós. Quantas desculpas nós criamos para evitar encarar nossos medos, nossas frustrações? Para evitar encarar os aspectos de nossas vidas que estão em total escuridão?

E quando chegamos ao final de um caminho e descobrimos que alcançar aquele objetivo nem era tão importante assim? Não havia pote de ouro no fim do arco-íris. Então olhamos para trás. Se olhamos para trás, é porque algo lá deixamos. Seja o que for, nos faz falta. Foi algo que deliberadamente não vivemos.

E, pasmem, não existe pote de ouro no fim do arco-íris, porque não há o fim do arco-íris. Ou você vive agora, ou você não vive. O futuro não depende senão de nossas ações no presente. Então, o que realmente importa? O aqui e agora.

A boa notícia: nunca é tarde. Se o passado e o futuro são abstratos, só nos resta o presente.

domingo, 4 de outubro de 2009

Eu lembro e eu penso e eu prefiro esquecer

Mas isso não quer dizer que eu consigo. Deus não nos deu a capacidade de esquecer, mas, felizmente, nos deu a capacidade de superar. É nessa que eu confio quando cutuco as minhas feridas e descubro fatos que, apesar de serem extremamente frustrantes, são/eram de vital importância. Eu vou chamar isso de Knock Out, o golpe final. Se eu ainda precisava disso, aí está.

É sempre muito difícil distinguir a realidade da ilusão. Acho até que nós vivemos muito mais na terra da fantasia do que na realidade. É engraçado isso de fantasiar. Todos nós enxergamos as situações de maneiras diversas, embora sejam sempre as mesmas situações. Isso já é uma fantasia. Eu decido ver isso dessa maneira e baseio minhas ações na visão que eu tenho de determinada situação, perpetuando, assim, a ilusão.

Doses de realidade. Essas sim nós não devíamos evitar. Por mais cruel que pareça, uma dose de realidade sempre traz mais benefício do que a omissão e a mentira. Acredite, o ser humano tem o dom de superar.

E eu sempre volto ao local do crime, querendo encontrar os vestígios que eu deixei passar. Eu poderia viver feliz, alegre, saltitante - e ingênua, mas eu sempre volto. O risco que eu corro não é maior que a minha vontade de saber, de esgotar cada assunto. Eu fico triste, desapontada, frustrada, o que seja, mas pelo menos eu sei.

E não há mais ilusão.