sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cinco minutos

O que você sente quando sabe que vai entrar em colapso dentro de cinco minutos? O que você pensa? Você pensa?!?! Eu não consigo pensar, os dedos se movem freneticamente. O que eu seria capaz de dizer a você se você fosse embora dentro desses cinco minutos, não! Quatro minutos agora. O que fazer? Você é capaz de deixar de gostar de mim dentro desse tempo que resta? Três minutos e trinta segundos. Meus dedos tremem. O amor virtual não me deixa expressar todo o meu ser... meus dedos são lentos... ainda mais quando tremem. O que fazer? Eu vou entrar em colapso, não tenho mais do que três minutos! Três minutos! Os erros se sucedem! Dois minutos e meio! Eu te amei tanto desde o momento em que eu te vi. Apenas não sabia. Mas agora eu sei! Então por que você vai querer estar confuso? Por que você vai me deixar? Eu tenho apenas dois minutos! Dois! Dois! Não há tempo para dizer nada, nada! Então apenas me beije. Será que há tempo para um beijo? Sim, na modernidade há tempo. Mas não para falar. Não fale, apenas sinta. Um minuto e meio. O que fazer? Pra onde ir? Não há tempo. Eu quero corrigir os erros, mas não há tempo. Apenas um minuto. Eu respiro fundo, mas não há tempo nem para respirar. O que eu queria dizer é que já me sinto só... eu apaguei o que havia aqui, mas não deveria ter feito isso. Eu me sinto só e o que pode consertar isso? A confusão já existe. O que? A confusão... eu te amo. Apenas. Desculpe-me.


Escrito em 2 de novembro de 2007.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"Poems everybody! Poems!"

Hoje a ansiedade diminuiu sim, mas a tristeza assumiu o seu lugar. O livro, lógico, está ali do lado, e a minha concentração a uns trinta e dois quilômetros. Minha vida está "no repeat", assim parece. Até que eu entenda o quanto é desnecessária e inútil a impaciência, ela me dominará e tornará inférteis todos os meus atos. Infértil, assim parece a vida quando nada dura mais que horas, dias e até semanas.

A rapidez, a velocidade, a infreqüência me assustam. Quero um lugar de paz, longe do meu eu mais veloz e mais ignóbil. Inconstante, assim pareço (ou quero parecer, para enfim fugir totalmente de mim mesma). A mariposa-fênix que se queima na luz. Abomino a minha própria inconstância. Erro. Vivo a minha inconstância. Acerto?

Não.

Onde achar lugar para o constante na velocidade e na infreqüência? O que é o constante se visto sob o prisma da velocidade? Posso eu ter sido constante por duas horas? Duas horas < dois anos?

E poderíamos ficar horas a tecer perguntas e mais perguntas, sem responder uma sequer, apenas pensando sobre elas e gerando mais perguntas, porque perguntar é fácil.

Responder é perigoso.

Quem é você?



Post-scriptum: "Inconsistente". Sinto-me desmanchar e espalhar por toda parte. Por todo lugar onde eu já estive, como pensei há uns anos, deixei um pedaço da minha existência e vivo a procura eterna de um eu-inteiro-consistente-utópico. Ao "final", terei que retornar pelo caminho que trilhei e catar meus pedaços, cada um deles. É certo que no caminho agreguei também pedaços à minha pouca consistência. Pouca, mas que é responsável por me manter de pé. A velocidade, a infreqüência, a inconstância tornaram mais difícil a Consistência. Entretanto, ao mesmo tempo, tornaram-na permanente.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Se você fosse daquele tipo que bate à minha porta de madrugada, desesperado, insano, louco pra me dar aquele beijo que você sabe que vai me deixar em ebulição, talvez eu gostasse de você.

Mas você dorme à noite, você dorme.

E eu? Eu nem me dou ao trabalho de esperar.

Muitas vezes sou eu que vou bater à sua porta tarde da noite.

Era só um sonho. Eu também durmo à noite.