quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Auto-filantropia

Filantropia. Amor à humanidade.

Filantropo. Que ou aquele que trata de melhorar a situação dos homens.

Quando se fala em humanidade, automaticamente pensamos em algo tão mais significativo do que apenas uma vida. Melhorar a situação da humanidade: nada que nenhuma máquina já criada pelo homem consiga fazer, por mais complexa que seja.

Entretanto, se recortarmos a humanidade até sua unidade fundamental, eis que deparamos com o ser humano. Sim, eu, você e todos os outros. Unidades.

O ser humano é essencialmente egoísta. Mesmo quando estamos pensando no outro, pensamos também em nós mesmos. Aparentemente, a nossa característica mais desprezível, somos incapazes de exercer a filantropia.

Entretanto, observando mais atentamente, se nos concentrarmos em nossa própria evolução, estaremos melhorando as unidades do todo e, consequentemente, o todo. Não há como não citar Gandhi, "temos de nos tornar a mudança que queremos ver."

E Fernando Pessoa:
"Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado
a ser outro também."

E Madre Teresa de Calcutá, em outro nível deste tema:
"Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem essa gota o oceano seria menor."

Por vezes, nos sentimos tão imersos em nossos próprios dilemas e crises que acabamos por classificar isso como aquele frio egoísmo de não pensar senão em si. Procuramos então concentrar nossos esforços em algo que pareça maior do que nós. Levamos o olhar ao horizonte, sem conseguir, entretanto, enxergar um palmo dentro de nossos próprios espíritos. Pensamos que, ao entender o dilema da humanidade, compreenderemos magicamente o nosso.

Shakespeare disse: “nada é tão comum quanto o desejo de ser extraordinário”. Não queremos ser simplesmente uma gota no oceano, queremos ter a importância e a força do próprio Poseidon. Contudo, quanto mais observamos dos sábios, dos profetas, dos grandes espíritos que de tempos em tempos surgiram para guiar a humanidade, percebemos que exaltaram sempre a simplicidade.

Se com simplicidade e silêncio procurássemos melhorar nossos próprios espíritos, estaríamos praticando a verdadeira filantropia. Os grandes espíritos não quiseram ser grandes e famosos, apenas agiram de acordo com o que havia em seus próprios corações. Nós podemos perder o olhar no horizonte o quanto quisermos, sonhar e arquitetar os mais completos e complexos planos, ignorando o grito de nossa própria alma, mas enquanto não formos capazes de caminhar na resolução de nossos próprios dilemas, nada poderemos fazer a quem quer que seja, quanto mais à humanidade. Se nos fosse dado perguntar aos grandes espíritos o que caminharam para chegar a tal condição, acredito que nos surpreenderíamos.

Buscar na filantropia a grandeza que não encontramos em nosso interior, nada mais é do que auto-filantropia. O verdadeiro amor à humanidade se expressa, em primeiro lugar, no amor próprio. Ninguém que esteja em desequilíbrio será capaz de ajudar o próximo.  Dessa forma, é muito mais sensato cuidar de si antes de almejar grandes conquistas, ainda mais se buscamos na conquista algum reconhecimento. “Conhece-te a ti mesmo” para, então, lançar-te ao mundo, mas sem que ninguém te perceba pelo barulho e sim pelo exemplo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

2009, o estranho

É com grande contentamento que anuncio o fim do ano de 2009, o ano mais estranho. O ano em que tudo que era tornou-se pó e tudo que não era veio a ser. Apesar de parecer que esse ano demorou dez para passar, não posso dizer que foi ruim, foram experiências e mudanças que valerão por toda a vida.

Acho que lá pelo meio do ano esse ano já era passado. Já tinha valido por uns cinco. Sabe essas experiências que você não quer repetir? Anticorpos fortíssimos. Comparada com a primeira metade, a segunda foi extremamente light. Nem por isso menos estranha. Parece, e eu espero fortemente que sim, que as coisas desse ano foram para ficar nesse ano. Sei que é clichê esperar grandes mudanças só porque um ano novo vai começar, mas, como eu disse, 2009 já passou faz tempo. High hopes para 2010.

Agora é enterrar 2009 com tudo o que teve de estranho. As experiências são as experiências, o nome já diz.

2010 começa com planos, lista de objetivos e muita vontade de fazer o possível para tudo dar certo (acho que essa é a parte mais importante). Fazer planos é sempre uma coisa abstrata, mas pelo menos temos a sensação de que não estamos à deriva (como em 2009). Dica de presente para 2010: um par de remos.

Como o tempo é uma coisa muito abstrata e que talvez nem exista, contradições à parte, 2009 acabou ontem. Feliz 2010!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Eu quero estar aqui

Eu quero estar aqui a pensar
Eu quero estar aqui a chorar
Nas idas, nas vindas
Nas rasteiras que a vida me dá

Nos cantos em que me escondo
O chão me some e a parede cede
E de repente é só você que aparece
Me estende uma mão que, você sabe,
Eu não consigo ainda agarrar

Como eu queria voltar a ser
página em branco
Que cada dia fosse um nascer
uma nova poesia, um novo canto
e as memórias, livros na estante
livros sem culpa, sem mágoa, sem pranto

Dói a solidão que repara e prepara
E como droga eu uso esse canto
Nessa alma feita de tanto a tanto
Pra parar de arder no meu riso esse pranto

Eu quero estar aqui a pensar
Eu quero estar aqui a amar
Nas idas, nas vindas
Nas vidas que a vida me dá

26 nov 2009

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fogo

E houve um dia em que não mais te reconheci

Escrevi duas poesias pensando em você
Você nunca saberá
Pensei em você por muito mais tempo
Você nunca saberá
Chorei por você
Num momento de fraqueza - admito
Você nunca saberá

Lágrimas
ainda que sem sentido
caem com a mesma realidade

Sentei-me ao seu lado naquela noite
Foi como se não o tivesse feito
Creio que se tivesse tentado me tocar
Talvez eu não evaporasse

O fogo crepitava com a mesma rapidez dos meus pensamentos
E os insetos voavam ao redor
Enlouquecidos pela luz e pelo calor
Ainda que dentro houvesse frio
Frio que ainda há
Frio que aquele fogo não é capaz de esquentar

Escrevi três poesias pensando em você
Você nunca saberá
Pensei em você por ainda mais tempo
Você nunca saberá
Não mais chorei e não me sinto mais forte

Lancei-me ao fogo e não me sinto mais quente
Lancei-me ao fogo e só me sinto gelar
Lancei-me ao fogo e te sinto gelar, sublimar-se e sumir

Apenas queria que soubesse

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Borboleta

No dia em que te conheci,
uma borboleta entrou em minha casa

Eu, que havia deixado a armadura lá fora,
e de olhos fechados, exposto minha alma
ao teu ser etéreo, translúcido, universal,
entendi que então entrava,
mãos dadas contigo,
numa dimensão outra, transcendental

Quem me falava, teu eu distante
na verdade da consciência
E teu espírito ao meu dizia,
pela vibração que me elevava
até onde não compreendia

Flutuando à meia distância
entre o que é carne e o que é divino
voltei metade à carne e fiquei alma nos céus
em êxtase divino

Vez ou outra, sem ti, procuro a poesia
Voltaste à carne e nela te esqueceste
Quisera poder ler - a ti - a poesia,
aquela que separa, eleva e sublima
Corpo, alma, poesia

No dia em que te conheci,
uma borboleta entrou em minha casa
Borboleta-poesia
no íntimo do meu ser que se elevou alma

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Flores do caos

Pela conexão dos animais com a natureza, eles sabem e se agitam quando o perigo está próximo. Pela conexão do ser humano com a natureza, ele sabe e se agita quando o perigo está próximo. Pensa, logo pensa demais e nega o perigo até ele se tornar visível o bastante para não poder mais ser ignorado. Na negação, agita-se demasiado e desnecessariamente, para sofrer mais com o perigo visível o suficiente. O perigo inexorável, na cabeça do ser humano em negação, não é tão perigoso quanto a falta de determinação para transformar o perigo em uma não-verdade. E o perigo inexorável aos olhos de quem não o quer ver pode não ser tão implacável quanto a inexorabilidade de quem o não-vê. Opção. O perigo está lá e todo o perigo é a mudança.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A poesia do momento

Eu vivo e revivo os momentos
Leio e releio as poesias
Penso e repenso os versos
Repito em voz alta as rimas
Declamo uma e outra vez
Do início ao recomeço
Meio sonho, meio realidade

Fecho os olhos pra não dormir
E observo como vibra em mim
Toda a poesia do teu olhar

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Procurar ou não procurar?

"Nada é tão comum quanto o desejo de ser extraordinário."
Shakespeare

É muito reconfortante sentir orgulho. Como se o orgulho fosse algo que nos mantivesse coesos, fortes, inquebráveis. Sentimos orgulho de ter orgulho. Ponto.

Gosto de observar as situações em que não há como sentir orgulho ou algum de seus disfarces. Obviamente, nenhuma delas acontece à luz do dia, de 8h às 18h, em tais ou tais eventos sociais, pois lá estamos representando nossos melhores papéis. Situações orgulho-free acontecem muito mais introspectivamente, à meia-luz, nas madrugadas, à beira da loucura, à beira do abismo e, com alguma sorte, podem acontecer entre duas pessoas. Nada convencional.

Não me surpreende que só passemos a viver realmente quando deixamos o orgulho de lado e fazemos as coisas que envergonham nosso ser superior interno. Porque o que ele quer está bem impresso em nossos discursos, sabemos muito bem explicar, justificar, o que seja. Simples assim? E aquilo que nós fazemos quando não conseguimos mais aguentar nosso próprio joguinho de orgulho? É aí que mora a vida. O resto é teatro.

Para refletir, então, sobre que tipo de pessoas nós procuramos, precisamos saber com o que procuramos. Com orgulho ou sem orgulho?

Sentimos algo por todas as pessoas que conhecemos, banalidades. O que me interessa é quando sentimos algo mais forte, um desejo de estar perto, de conversar, de tocar, de examinar, quase cirurgicamente, esse outro que surgiu em nossas vidas. Em geral, nesses casos mais intensos, queremos que haja reciprocidade. É engraçado o fato de nós não andarmos por aí como vários livros abertos. Como saber então, se há reciprocidade?

Agora é que entra a ação. E que linha de ação você prefere? Livre ou restrita pelo seu grande orgulho de ser uma pessoa incrivelmente superior que não pode se deixar expor? Apesar de você ter ouvido o som de um tapa na cara, não é. Se você não está cheio de mais nada, você está cheio de si. Onde te falta o resto, te sobra o tão falado orgulho. Não é um mistério nem uma ofensa, é a famosa natureza humana.

Os tapas na cara, agora sim, que levamos por agir independentemente do nosso orgulho, fazem de nós seres humanos ilimitados, livres, íntegros e verdadeiros. É uma liberdade indescritível.

Cada um, a seu tempo, irá quebrando as barreiras do seu próprio orgulho. Pretensão querer ordenar que se quebre seja lá o que for do orgulho alheio. Cada um cuidando do que lhe pertence.

Dessa forma, fica a questão... procurar alguém é invadir o seu espaço? Posso querer derrubar uma barreira do meu orgulho e procurar alguém que quer ser encontrado. Mas qual será a desculpa para procurar alguém que não quer ser encontrado? Na era da comunicação instantânea, quando optamos pelo isolamento, é melhor que sejamos deixados lá. Não é trabalho de ninguém saber por que nos isolamos. Quando nós quisermos nos expor verdadeiramente ao mundo, o faremos.

Se eu escrevo para me defender? Não. Escrevo para expor a mim mesma as barreiras do meu próprio orgulho.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Saudade

Eu tenho uma saudade quase que religiosa dos tempos do amor. Quando tudo era romance, calor, carinho. Quando havia um nós e nós tínhamos sonhos, talvez até planos. Quando ter um dia difícil era chegar e encontrar o amor, esperando de braços abertos como um clichê.

Pensando sobre o amor, um amor jamais será igual ao outro. Inútil também achar que só se ama uma vez. Mas tudo será sempre diferente. Do outro amor, que bom que fica a lembrança, a saudade... levemente, saudavelmente.

A falta de amor me gela o coração de uma maneira que eu não gostaria. E não é a falta de se sentir amado, mas a falta de amar. Eu ainda me lembro, mas temo chegar um dia a não me lembrar mais quanto tempo faz... mesmo o tempo sendo uma coisa tão abstrata, inexistente às vezes. Difícil não procurar algo do antigo amor em um novo rosto, difícil fazer brilhar um novo amor em um novo rosto, em meu novo rosto. Nem todos estão aí para amar, por diversas razões que nem cabe discutir.

Ah, o amor... assim mesmo: ah, o amor... suspirante, confortável, aconchegante, quente e sereno.

E o vazio, esse oco no peito.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Imperfeição

"E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?"


Surtei. Onde foi que eu me perdi?

Rolou aquela adrenalina toda de estar vivendo uma situação nova. De ter me colocado numa situação difícil, inusitada, delicada. De ter me lançado ao mundo, de ter feito aquelas coisas que eu dizia que nunca ia fazer. De ter enlouquecido sã.

Por isso eu admiro o modo como a vida dá suas rasteiras na gente. O modo como a vida faz com que nós mesmos nos joguemos no fogo. Burn, motherfucker, burn! Nada de hipocrisias e meias verdades, depois que o mundo gira, você quer e quer agora, sem eufemismos. Até porque, se não for agora, você respira fundo e a vontade passa.

E isso me faz pensar. Mais uma vez, gosto do que me faz pensar. Tudo sempre tem um impulso inicial. O resto é inércia. O drama é se deixar levar pela inércia. Vai ficando normal, vai virando rotina, tão fácil como respirar. E lá ficamos todos, nos deixando levar, cada um na sua própria inércia, sem pensar, sem questionar.

"Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite." É quase inevitável, é o nosso egoísmo disfarçado de "o ser humano é um ser social". Sim, o ser humano é um ser social, mas é um ser que socializa com intenções, sejam elas boas ou más. Mas mesmo a má intenção deve ser acompanhada de verdade.

Talvez seja justamente esse o espinho na minha carne. Não fui tão verdadeira quanto eu gosto de ser. Enredei-me na trama dos meus atos, não tão friamente calculados, por sorte da minha consciência, e fiz das circunstâncias um jogo de esconde-esconde. E quando a gente joga, não joga sozinho. "Volte três casas."

Até me questiono agora, entre parênteses, se cabe verdade nesse tipo de ato. Se a verdade não acaba por descaracterizar o ato e transformá-lo em outra coisa qualquer que não vai fazer seguir o jogo. Não tem como jogar com a verdade. A verdade é e pronto.

Eu não quero construir uma imagem para que as pessoas me aceitem. Sou, como todo ser humano, um ser de erros e acertos. E aceitar meus erros e meus medos, vencer a inércia, tomar o caminho estreito e espinhoso, é isso que eu quero, de mim para mim, sinceramente. Nunca me contentei com o fácil. Eu quero a imperfeição das coisas e das pessoas. Quero a minha própria imperfeição.

Eu não quero jogar e não intento ferir. Mas se eu chegar a ferir, que seja com a verdade, pois esta é uma ferida à qual acorre o bálsamo da sinceridade.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Insatisfações

1. Eu quero internet em casa novamente!!!

2. Eu quero paixão, aventura e romance na minha vida! (ao vivo, não online)

3. Eu quero escrever um livro (sonho tolo de quem não põe a mão na massa).

Talvez eu me contentasse em escrever uma short story com bastante paixão, aventura e romance e publicar na internet.

Ha-ha-ha.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Peixe fora d'água

"Olha, não sou daqui, me diga onde estou
não há tempo não há nada que me faça ser quem sou,
mas sem parar pra pensar sigo estradas, sigo pistas pra me achar

Nunca sei o que se passa com as manias do lugar,
porque sempre parto antes que comece a gostar
de ser igual, qualquer um, me sentir mais uma peça no final"

Nosso olhar possui o véu do nosso entendimento. Disseram-me um dia, em uma reunião de pessoas que eu não via há muito tempo, quando eu ponderava o fato de não pertencer àquele lugar, que eu desprezava a todos e me achava superior a eles. Disse-me isso uma pessoa, perscrutando-me pelo véu do seu próprio entendimento. Das outras mais presentes eu não conheço os respectivos pensamentos, captei apenas alguns olhares, que, pelo meu próprio véu, não pareceram tão hostis, apenas igualmente perscrutadores e surpresos.

Sim, surpresos. Não é assim que ficamos quando um estranho se aproxima de nosso grupo? Ficamos surpresos, intrigados, queremos saber por que aquele estranho está ali.

Eu, colocando-me na condição de estranha, aqui venho explicar-me. Tudo que posso dizer, entretanto, é de mim para mim. Até mesmo o texto passará pelo vosso véu.

Muitas pessoas há que passaram pela minha vida ao longo desses poucos 23 anos. Apenas com os familiares mais velhos e mais próximos mantive contato durante todo este tempo. Se cada pessoa que nós conhecêssemos permanecesse em nossas vidas até o fim, teríamos um fim um tanto quanto badalado. Logicamente, nem todas as pessoas que conhecemos queremos perto de nós. Esses vão ficando para trás, naturalmente ou por meio de um adeus. Outras pessoas, de quem gostamos, oscilam em nossas vidas. Vem e vão, ao sabor da maré.

É fato que muitas vezes sou eu a me afastar. Por isso gosto das amizades atemporais, que não dependem de contato frequente, nem de caras e bocas. Amizades sinceras, eu diria.

Porque eu gosto de sumir, sem dramas ou descontentamentos, apenas porque meu barco derivou para outro lugar. Gosto, também, da sensação de encontrar pessoas queridas depois de muito tempo. Conhecer as novidades, observar as mudanças, surpreender e surpreender-se. Às vezes até participar de suas vidas um pouco ou deixar que participem da minha.

Mas todo barco tem um porto e eu volto sempre ao meu. Não posso descrevê-lo, é uma imagem que ainda desenho, dia a dia. É uma imagem que alimento a cada experiência. Poderia dizer que nunca volto ao mesmo porto, mas a uma nova versão dele. Assim como é bom e recompensador encarar o oceano de possibilidades, é igualmente bom e recompensador retornar a um porto seguro. Seguro não porque certo, seguro porque conhecido.

Em outra metáfora, o que escrevi na equação da vida me trouxe até mim, ao mesmo tempo em que me distanciou dos vários eus que eu poderia ter sido. Sei que aqueles que passaram suas vidas sobrevoando perigosamente seus vários eus não chegaram nunca a pousar em um sequer, insatisfeitos com o não poder ter tudo. Não há, pois, nenhum arrependimento da minha parte. Confesso ainda sair e sobrevoar um ou outro eu, mas satisfaço-me de ter uma estrutura para onde voltar. E isso é uma escolha, apenas. Admiro o escolher.

Não, eu não desprezo e não me sinto superior. Apenas fiz outras escolhas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O Sucesso

Quem não quer ter sucesso? Nem todos nós somos Rock Stars, mas, masoquistas à parte, todos queremos alcançar o sucesso, seja ele qual for. Para uns pode ser financeiro, emocional, para outros pode ser chegar ao topo do everest, conseguir um corpo escultural, passar num concurso público ou, por que não, ser um Rock Star. Whatever.

Mas quantos de nós sabemos chegar ao sucesso? E pior ainda, quantos de nós sabemos compreender o sucesso alheio?

Como já diz o ditado, "Deus deu a vida para cada um cuidar da sua". Por que então estamos sempre tão concentrados no sucesso alheio? Se você já justificou o seu fracasso e o sucesso alheio colocando em questão as condições que ele teve e você não, você não aprendeu nada com esse ditado, muito menos com a vida. Com esse pensamento, daqui a 30 anos você ainda estará parado se justificando, enquanto seu "rival" já terá ido a Marte.

Se você ainda não obteve o sucesso que deseja (desconsiderado aqui o "sucesso" que depende do sofrimento de outras pessoas), é porque simplesmente você não trabalhou o suficiente. A culpa é única e exclusivamente sua.

E por que raios as pessoas que obtêm algum sucesso tem de ser obrigadas a prover os coitadinhos? As relações interpessoais se desenvolvem de maneira a punir aquele que consegue ser bem sucedido. Isso mesmo, assim que você começar a se dar bem na vida, espere pelos ataques. Vão querer saber quanto você ganha, com o que gasta, por que gasta e "por que não me dá um pouquinho? Eu preciso disso, daquilo e daquilo outro também!".

Coitadinho de você, que não estuda, que não trabalha, que não se esforça, que acorda tarde, come e dorme, que desiste de suas oportunidades, que não honra seus compromissos, que faz sempre menos do que pode, reclama de tudo e de todos e, quando tem algum tempinho, quer fazer a contabilidade do sucesso alheio para ver que parte te cabe nesse latifúndio.

Seja quem você for, mãe, pai, filho, irmão, tio, primo, amigo, cachorro, papagaio, levanta-te e trabalha. Do what you can, with what you have, where you are (Roosevelt). Não atraia o desgosto alheio com esse comportamento parasitário, porque quando um dia você estiver no lugar do outro, pode querer matar os parasitas que se aproximarem de você.

Se alguém tem algo, é porque conquistou aquilo, mereceu, trabalhou por isso. Se você não teve parte no trabalho, o que é que você pode querer exigir?

Ser generoso não é ser idiota. A generosidade é espontânea, leve, sadia. As pessoas podem ser generosas, naturalmente. Você jamais pode exigir generosidade, isso é coisa que não se pede, acontece. Mas quando você exige algo, é porque quer ser sustentado, mesmo que minimamente.

Se você quer passar a vida dependendo da generosidade alheia e da sua atitude parasitária, boa sorte. É uma escolha sua. Mas não venha culpar o governo, a sociedade, a família, os amigos pelos seus fracassos ou sua falta de sucessos. Mesquinho é você!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Living your life to the fullest

Acredito que o significado dessa frase acabe sempre se perdendo em meio aos nossos mesquinhos objetivos. A questão não é o que queremos, quais goals queremos alcançar, mas o que deixamos de viver a pretexto de cumprir certos objetivos.

Viver a vida ao máximo seria então conquistar esses objetivos, deixando para "depois" outros aspectos fundamentais? Uns aqui diriam que o que é fundamental para um, pode não o ser para outro, entretanto, em algum momento, todos nós queremos um similar grupo de realizações, apenas vinculamos a esta ou aquela realização um peso maior. Em outra perspectiva, todos nós temos um grupo próprio e mais específico de realizações fundamentais, o que não quer dizer que estejamos buscando todas elas. Nós sabemos quais são e deliberadamente deixamos algumas para "depois".

Ou viver a vida ao máximo seria equilibrar objetivos e realizações fundamentais, de modo a não deixarmos de viver em momento algum de nossas vidas?

Já ouvi muitas pessoas dizerem que estão concentradas demais em suas carreiras e não tem tempo para o amor. E quantas pessoas não há que vivem orbitando seus amores e se esquecem de buscar seus sonhos e objetivos? Pais e mães que estão ocupados demais cuidando do futuro de seus filhos e acham que suas próprias vidas já não necessitam de atenção. Pessoas que sentem falta de espiritualidade e deixam para buscá-la apenas quando estão envergados na dor. Quantas vezes você já ouviu alguém se lamentar de algo que deveria ter feito e não fez, e agora é tarde demais?

Essas pessoas somos nós. Quantas desculpas nós criamos para evitar encarar nossos medos, nossas frustrações? Para evitar encarar os aspectos de nossas vidas que estão em total escuridão?

E quando chegamos ao final de um caminho e descobrimos que alcançar aquele objetivo nem era tão importante assim? Não havia pote de ouro no fim do arco-íris. Então olhamos para trás. Se olhamos para trás, é porque algo lá deixamos. Seja o que for, nos faz falta. Foi algo que deliberadamente não vivemos.

E, pasmem, não existe pote de ouro no fim do arco-íris, porque não há o fim do arco-íris. Ou você vive agora, ou você não vive. O futuro não depende senão de nossas ações no presente. Então, o que realmente importa? O aqui e agora.

A boa notícia: nunca é tarde. Se o passado e o futuro são abstratos, só nos resta o presente.

domingo, 4 de outubro de 2009

Eu lembro e eu penso e eu prefiro esquecer

Mas isso não quer dizer que eu consigo. Deus não nos deu a capacidade de esquecer, mas, felizmente, nos deu a capacidade de superar. É nessa que eu confio quando cutuco as minhas feridas e descubro fatos que, apesar de serem extremamente frustrantes, são/eram de vital importância. Eu vou chamar isso de Knock Out, o golpe final. Se eu ainda precisava disso, aí está.

É sempre muito difícil distinguir a realidade da ilusão. Acho até que nós vivemos muito mais na terra da fantasia do que na realidade. É engraçado isso de fantasiar. Todos nós enxergamos as situações de maneiras diversas, embora sejam sempre as mesmas situações. Isso já é uma fantasia. Eu decido ver isso dessa maneira e baseio minhas ações na visão que eu tenho de determinada situação, perpetuando, assim, a ilusão.

Doses de realidade. Essas sim nós não devíamos evitar. Por mais cruel que pareça, uma dose de realidade sempre traz mais benefício do que a omissão e a mentira. Acredite, o ser humano tem o dom de superar.

E eu sempre volto ao local do crime, querendo encontrar os vestígios que eu deixei passar. Eu poderia viver feliz, alegre, saltitante - e ingênua, mas eu sempre volto. O risco que eu corro não é maior que a minha vontade de saber, de esgotar cada assunto. Eu fico triste, desapontada, frustrada, o que seja, mas pelo menos eu sei.

E não há mais ilusão.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A quem não interessar possa

Difícil. Difícil não se importar com aqueles que amamos. Impossível deixar de amar aqueles que amamos, para, quem sabe, nos importarmos menos.

Há quase dois anos, adotei como lema de vida o "viver e deixar viver" (live and let live). De lá pra cá, tive muitos progressos, abandonei muitos preconceitos, deixei de perder o sono por causa de muita gente, enfim, vivo mais livre. Não deixei de amar aqueles que amava, apenas deixei de me preocupar (tanto).

Progresso total? Certamente que não. Por isso aqui estou hoje para dizer que sim, eu me preocupo com você ao ponto de sentir raiva de ver o que você está fazendo com a sua vida. Raiva? Sim, eu sei que não deveria sentir e vou trabalhar nisso. Mas coloque-se no meu lugar. Troquemos de lugar. É assim que você gostaria de me ver? É assim que você quer me admirar? É esse o exemplo que você quer de mim?

Eu te admiro e gostaria de admirar ainda mais. Mas estou aqui hoje também para dizer que estou me retirando. Não consigo não sentir raiva (ainda), não consigo não me preocupar e, principalmente, não consigo continuar fingindo que está tudo bem. Porque é exatamente isso que eu venho fazendo. Consigo até rir e me divertir por um tempo, mas logo tudo isso se esvai e eu vejo claramente a fria realidade. Lá está você me dizendo que não se importa com a sua vida.

Tantas coisas me passam pela cabeça, tantas lembranças, tanta energia corre pelo meu corpo e, ao final, eu percebo que não posso fazer nada. Que, se você, que possui essa vida, não se importa, o que mais eu poderei fazer? Que utilidade eu terei? Nenhuma.

Eu não vou implorar para você fazer diferente, não vou negociar migalhas, não vou mais dizer "faça pelo menos isso". Porque eu, na minha insignificância, tudo que posso fazer é cuidar de mim. Porque eu sinto o golpe quando não sou diferente de um estranho na rua, cuja palavra não vale nada ou às vezes vale mais que a minha. Se a minha palavra e o que eu represento não merecem seu respeito, é porque você não precisa de mim.

Em respeito ao que eu acredito, ao que eu quero demonstrar com meu exemplo - e isso é o máximo que eu posso fazer - eu estou me retirando. Não deixarei de te amar jamais, mas o farei à distância. Se você não entende meu comportamento, aí está: não quero mais fingir, não quero mais compactuar com isso pela minha falta de atitude. Eu te amo, a minha garganta embarga ao dizer isso, e estarei sempre aqui para quando você quiser respeitar e se importar. Sem mais, boa sorte.

Peço licença para me retirar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

The Non-loving Factor

Anos depois do meu último relacionamento sério (relevante), eis que me encontro numa situação estranha, para dizer o mínimo. Percebo que não é mais preciso amar. Antes, os relacionamentos tinham de ter algo de especial, sublime, algo que os justificasse, mesmo que percebêssemos o contrário no fim. Agora, nada disso é necessário. Basta se ter a vontade. A vontade é um começo e um fim em si mesma. Não que a vontade não existisse antes, ela é fundamental, apenas estava aliada a uma série de fatores. Agora, o relacionamento foi reduzido a apenas um fator. Ficou mais livre, porém mais vazio. É como uma semente plantada em terreno infértil, que não possui todos os nutrientes necessários ao seu crescimento. Ela talvez cresça, mas morrerá rapidamente.

Como voltar a amar? Como sair da cômoda limitação da vontade estéril, do desejo puro, do mero carinho, que nos faz ir e vir sem maiores envolvimentos?

E esse envolvimento não é aquele de fachada, que pode muito bem existir sem que haja um verdadeiro envolvimento de coração. Quantas vezes você pensou que isso era só um passatempo? Que no fundo você não gostava dele/dela? Que você estava ali presente, mas sabia que cedo ou tarde seguiria outro caminho, sozinho(a)?

Sim, nós sempre soubemos. Friamente, conservamos a fachada enquanto tivemos vontade. Não dissemos, porém, "eu te amo", num pálido ato de sinceridade.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

On a rainy September 11th

Acordei para uma chuvosa manhã de 11 de setembro em Nova York. Não sei se essa chuva foi de propósito, mas me pareceu sombrio chover logo hoje, depois de vários dias de sol. Aliás, acho que só houve um outro dia de chuva desde que cheguei aqui.

O interessante da chuva e do 11 de setembro é que nada é capaz de parar essa cidade (nada menos importante que atentados terroristas). Não fosse por essa data ter sido repetida nas nossas cabeças tão incessantemente, creio que muitos aqui nem se lembrariam. As ruas estavam lotadas como sempre, com o agravante dos guarda-chuvas se esbarrando a todo momento, as lojas não estavam fechadas (faz-me rir), e não ouvi em nenhum momento alguma referência à memória desse dia.

Considerando o destaque que foi dado pela mídia internacional ao 11 de setembro e todos os acontecimentos que decorreram dos ataques, eu confesso que esperava mais de Nova York. Em contrapartida, depois de conviver com a cidade por todos esses dias, acharia até estranho se ela se permitisse comover mais que isso.

Houve uma cerimônia perto do local onde ficavam as torres gêmeas, à qual compareceram políticos, familiares das vítimas e sobreviventes. Foram lidos os nomes dos 2.752 mortos, entre outros acontecimentos. O blog do City Room registrou (NY Times) o que eu senti durante o dia:

Updated, 10:42 a.m. | Former Gov. George E. Pataki just asked the crowd to pledge “never to let the country forget what happened here.” The question about when these types of commemorations should either be scaled back or stop entirely comes up occasionally, provoking strong feelings on both sides.

Friday morning’s event hints that the process could be a natural one. The crowd is noticeably lighter than in the past, but the family members here, many of them becoming emotional, are still clearly getting a lot out of the ritual of remembrance. The surrounding area seems to be in the midst of a normal rainy Friday in Manhattan: Broadway remains open to traffic; coffee shops are busy; and in the office building overlooking the park and adjacent to ground zero, people can be seen working through the windows.


Uma cidade frenética como Nova York não perde tempo com choradeira, verdade seja dita, ainda mais depois de oito anos dos atentados. Sem mencionar a enorme população de imigrantes. Não seria surpreendente se outros lugares dos Estados Unidos tivessem lamentado mais o 11 de setembro do que Nova York.

O lado sempre bom é que isso mostra que o 11 de setembro está sendo superado. Nós nunca esqueceremos, mas passaremos por esse dia como se ele não fosse o aniversário de uma tragédia. Se isso esconde mais alguma face de Nova York, eu não sei, mas que existe uma liquidação da Macy's hoje, isso existe. Whatever that means.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

New York City: Trick or Treat?

In NYC you'll be branded, put in a plastic bag with
plastic knife and fork, and sold by something,99.
Are you worth it?



O primeiro choque: velocidade. Nova York é como a última obra futurista, velocidade, propaganda, cores, marcas, telões, uma cidade que nunca dorme, lojas que nunca fecham. Não existem domingos e feriados. O que existe é uma liquidação da Macy's no 11 de setembro. Você viveu uma vida calma e sem pressa até chegar a Nova York. Aqui tudo é pressa. Antes que você perceba, estará andando rápido, esbarrando nas pessoas, como se estivesse sempre atrasado. Esperam isso de você. Next! Next in line, please!

Nos cassinos de Atlantic City ou L.A., se você jogar um determinado número de horas seguidas, pode ganhar uma refeição. Se jogar ainda mais, pode ganhar uma noite no hotel super luxuoso do cassino. A maior parte do espaço do cassino é dedicada aos caça-níqueis. Nova York é um grande cassino, querendo sempre mais. Se você levar mais esse conjunto com seis pares de meias, ele sai pela metade do preço. Que tal esse acessório para deixar o tênis com um cheirinho bom? Se você reservar a jóia antes, tem 50% de desconto. Quanto mais você joga, mais quer jogar.

Os vislumbres que se pode ter de natureza em NY são alívios para os olhos e para a alma. O Central Park, apesar de milimetricamente planejado (nem pense em natureza selvagem, nativa, as God intended), é um consolo em meio à literal selva de pedra. O ar é melhor, as paisagens são bonitas e uma das visões mais impressionantes do Central Park é o contraste da natureza com os imponentes prédios. O segundo deep breath é ao sul da ilha de Manhattan, onde você pega o barco para ir até a ilha em que fica a Estátua da Liberdade. Esse foi com certeza o melhor passeio que fiz aqui. O vento, a água, os pássaros, a imagem da ilha de Manhattan ao longe, com seus prédios transformers gigantes, a estátua em si. Tudo muito bonito de se ver rodeado de natureza, de realidade.

A comida em Nova York é como se fosse o mundo servido numa grande vasilha plástica com tampa (pratos normais e talheres de metal só em restaurantes). Numa cidade que abriga tanta variedade de imigrantes, é natural ter japanese, italian, thai, chinese, indian, brazilian para o jantar (não há necessidade de dizer food). Simples assim. Mas no fim das contas, é tudo feito na mesma panela, então dificilmente você não sente o tempero de Nova York em tudo que come por aqui. Não sei dizer qual é esse tempero, mas como cada casa tem o seu, talvez as cidades também tenham, até mesmo Nova York.

Outro detalhe interessante sobre Nova York é que é impossível andar pelas ruas daqui sem ouvir pelo menos três idiomas diferentes. E não é só por causa da quantidade absurda de turistas. Em atividades cotidianas como ir ao supermercado ou pegar o elevador no trabalho, é a coisa mais normal do mundo encontrar pessoas diferentes falando idiomas diferentes. Em situações das mais diversas minhas anteninhas já captaram brasileiros conversando por aí. Conheci um bebê canadense na fila para subir no Empire State. Turistas australianos na ilha da Estátua. Tudo muito comum, tudo muito new york style. O mix de idiomas é um aspecto característico de Nova York, mas observando bem, você encontra uma sensação de terra de ninguém. Nova York é a estação de baldeação do mundo, todos passam por aqui. Uns seguem, outros ficam por aqui perdidos.

Esse mix de Nova York me faz pensar sobre as motivações das pessoas quando deixam seus países de origem e vem para os Estados Unidos. Trabalhando no Consulado, eu posso entrever a realidade dos brasileiros sob a jurisdição do Consulado-Geral de Nova York, que não me surpreenderia se traduzisse a realidade de muitos dos imigrantes vindos de países em desenvolvimento. São, em sua maioria, pintores, carpinteiros, pedreiros, motoristas, faxineiros, diaristas, autônomos, não raro ilegais, em busca de dinheiro. A questão é: até que ponto vale a pena deixar sua terra natal, que é macroscopicamente o seu lar, para se aventurar em terras estrangeiras? Com certeza, há muitas questões envolvidas nesta grande questão, e há muitas histórias felizes e muitas tristes com relação à imigração, mas não consigo deixar de pensar se isso não seria mais do mesmo em outro país.

E o mix também consegue aniquilar um pouco do glamour de Nova York. É tanta variedade que você não se sente em outro país, você se sente em vários países, num grande quebra-cabeças com peças de todos os lugares. E você com certeza viu filmes e seriados ambientados em Nova York, certo? Não, estar aqui não é como estar em Sex and the City ou Gossip Girl. Estar aqui é perceber que Nova York não quer vender a Nova York real para o resto do mundo. 99% dos atendentes em qualquer lugar de NY são negros ou latinos. Aquela loirinha dos olhos verdes te atendendo em uma loja de departamentos, muito raro. A estratificação é muda, mas é perceptível.

Nova York é uma engrenagem contraditória, que por isso e apesar disso não deixa de funcionar. Muitas coisas você não vai conseguir aqui, como talheres decentes, mas todas as outras estão em promoção. 50% off.

domingo, 6 de setembro de 2009

Having the real taste of loneliness

Eu sinto tanta falta de casa, das ruas, das horas, do clima, de tudo. E ainda mais das pessoas, aquelas que nós vemos todo dia ou com uma certa frequência e que, de repente, não estão mais lá. E a gente sempre sabe que não há passe de mágica para a distância. Não importa o quanto você sinta falta, se você está a 5000 milhas de distância, não tem jeito.

Um dia desses eu fechei os olhos dentro do elevador e no mesmo instante eu estava em outra dimensão, em outro plano. Mas só durou alguns segundos, infelizmente. Durou até eu me dar conta do que estava acontecendo. E o mais engraçado é que foi real, não sei como, mas foi real. Deixou uma sensação estranha, inexplicável.

Já houve uma pequena crise antes. A crise da segunda semana, quando você já viu muita coisa, já comprou tudo que queria e não entende por que ainda está ali, por que ainda não voltou pra casa.

Essa seria então a segunda, a crise da terceira semana. Depois de recuperar o fôlego, comprar mais de tudo que você não precisa, ver mais, sabendo que nunca poderá ver tudo, e, no fim, se sentir só, você entende porque as pessoas tem amigos no trabalho, vivem o trabalho e falam sobre ele quando estão fisicamente longe dele. É o que resta.

Em casa, nós temos assuntos de família, nós temos nossos amigos, que custaram anos para serem feitos, nós conhecemos os lugares, os hábitos, ou seja, não estamos no escuro. Por mais que a nossa cidade durma, ao contrário de Nova York, nós nos sentimos à vontade com esse fato e vamos dormir com ela.

Logicamente todos nós um dia blasfemamos contra nossa cidade e elogiamos algum outro lugar do mundo que tem algo que nossa cidade não tem. Mas experimente não voltar para casa ao fim do dia, ao fim de vários dias. Sua cidade tem tudo que é mais importante e que nenhuma outra no mundo vai ter.

E não é como passear. Viajar a trabalho significa que você não se enquadra no grupo dos turistas, que é imenso e composto por famílias ou amigos que viajam juntos, na maioria dos casos, nem no grupo dos locais, os new yorkers no caso, que eu não sei nem quem são e posso dizer que outros colegas a serviço também não os conhecem.

Por essas e outras, não consigo não pensar em como será quando eu realmente me mudar? Quando não for por um ou dois meses, mas sim por dois, três, cinco anos? Pensar tudo isso e retornar ao Brasil em uma semana e quatro dias é fácil. Saber que não vai voltar tão cedo é totalmente diferente.

Viajar a trabalho é como se fosse colocar seu corpo num avião e levá-lo para trabalhar enquanto sua alma espera pacientemente na sua casa. Isso explica em parte porque a maioria dos funcionários a serviço não fazem amigos aqui, nem mesmo constituem família. Todos sabem que em cinco anos, no máximo, terão um novo destino e em doze anos, no máximo, estarão voltando para suas respectivas almas.

Se você fizer amigos, arrumar um namorado, constituir uma família, seja o que for, em cinco anos, você está fora. E poucos, muito poucos, estariam dispostos a te acompanhar. Isso é trabalhar no exterior. O glamour? Ah, o glamour. Depois de três, quatro semanas ele com certeza já saiu de cena, a solidão sim é a personagem principal.

É diferente para aqueles que abandonaram o Brasil e estão fora há dez, vinte anos e, o que é mais importante, não planejam voltar. Eles são livres para se estabelecerem onde quer que estejam. Nós deixamos nossas almas no Brasil. E isso não é nenhum pouco poético ou romântico, é a realidade.

O que eu sei? Que vou apreciar bem mais os momentos em casa, em família, entre amigos, de agora em diante.

E aqui fora, seja por um mês ou doze anos, a única maneira de se sentir mais próximo dos seus é fechar os olhos e pensar. Aonde o pensamento vai, a alma também vai.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Let it go

I am not the let it go kind. Wish I were, but my mind works so fast trying to solve life issues that I can't let a single thing go. Relationships that didn't work out, I wanna know why. Friends that don't wanna see me anymore, I wanna know why. Relatives that don't look at my eyes but at the floor, I wanna know why. I always wanna know why and what can I do to fix everything.

Sometimes, dear, it's beyond your action. You can't really do a thing. But that fire still burns inside you, dragging you to the danger of knowing why.

When we end a period in life, we leave it in the past. In order to know why, we have to bring back a piece of this, which means danger.

Sometimes, I just wanna make a list of all the unsolved things in my life, and, one by one, fix them. Unfortunately, it's not like organising the closet, the bookshelf, althought I really need to do these two things and many more like that. The list of bad ended relationships must be solved getting in touch with the other interested part, if he's still interested.

How do we know if we don't know why? Is it worthy the effort?

Things work so differently in people's minds that we never know if 4 or 5 years of friendship are really worthy a 5 minutes call. Just because we don't know why the other part doesn't want to see us. If you had a single answer, you wouldn't need to bother that person again, because you know why.

That's why let it go people are happy.

Tell me the truth, am I the last person you wanna see?

Lately, I'm being the let it go kind, but every day that passes by makes me feel guiltier about not having done a thing.


Sigh...

sábado, 1 de agosto de 2009

Live and Let Live

Sometimes we feel like we are isolated. All world is partying, having fun, doing their things on a saturday night and you are at home, in front of your computer, writing this.

You can hear their laughs, their voices and sometimes you even wanna be there, just for a while, to laugh with them, but you know... it's just not right. You don't fit there. Your friends didn't call, but whatever... you don't need to replace them with such thing.

Because that would be agreeing with them.

Why does that bother you anyway? It shouldn't.

They are like wild creatures you observe. They laugh, dance, sing, drink, but at night, in a second before sleep, they are all going to dedicate a little thought to frustration. There are a lot of goals they hadn't yet achieved in their lives, and maybe all they ever wanted was something close to what you have. That's why we shouldn't be mad at them, because they are still on their ways.

You? You are still on your way to something even better. Of course there are thousands behind you, but there are also thousands ahead. Nevertheless, it's not my or your business to judge any of them. You were there once upon a time. You just moved a little up. But there is still a long way to go and we shouldn't waste our time trying to guess what's gonna happen with them. That's their problem after all.

Just relax and let'em live their lives. Live and let live.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Feliz Aniversário!

Uma leve tristeza se aproxima de mim nesse instante, como uma nuvem carregada a se colocar entre mim e o sol. Mais um ano de vida está perto de se completar, mas eu sinto ter envelhecido alguns anos mais nestes últimos meses.

Lembro que em todo aniversário eu ficava sempre muito alegre nas vésperas, aguardava ansiosa o dia e festejava sempre com um grande sorriso no rosto. Esse ano eu não estou tão alegre nas vésperas e nem aguardo ansiosamente o dia. Teria meu sorriso envelhecido e secado?

Não, há de ser só uma fase. Pequenas e grandes preocupações e tristezas congelaram-me um pouco. Quando o leve torpor da paixão some, é isto o que sobra. Uma realidade não tão quente nem tão bonita. E isso é tão normal, tão comum.

Sinto-me mais velha, sim, mas não acho isso mau. Nessa oficina de lapidação do espírito, é bom envelhecer mais cedo. É sinal de que estamos trilhando bem o caminho, aprendendo ao máximo com as situações. E ainda há muito o que envelhecer.

Benditas são as oportunidades em que descobrimos o quanto ainda falta. O quanto ainda somos imperfeitos e "novos". Contudo, não há por que correr e não há por que se desesperar. É essa ilusão do tempo que nos faz querer sempre aqui e agora.

A palavra, agora e sempre, é paciência. Sem esquecer do trabalho, da dedicação, da perseverança e de todas essas palavras bonitas que sem a paciência não são nada.

Feliz Aniversário Deyse!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Como é fazer a mesma coisa todos os dias? Seria isso necessidade de segurança?

Sentada na lanchonete, eu observo aquele cara não tão velho. Ele toma o mesmo café da manhã todos os dias desde que eu comecei a trabalhar aqui. Ele quase segue um ritual. Entra, compra um jornal, senta-se e espera pela comida, que o garçom já está trazendo. Ele deve ter feito o pedido no máximo umas três vezes. Então ele come, lê, bebe o café, que vem sempre um pouco depois, levanta-se e sai.

Hoje eu observei que ele deixa o jornal. Se perguntarem algum dia a ele o que come no café da manhã, ele vai dizer: "Torradas, queijo, café, água e jornal". Sim, o jornal faz parte do ritual e é deixado para trás como sobra.

Nós fazemos isso muitas vezes, mas confesso que nunca observei um caso tão significativo. Jamais o vi pedir outra coisa sequer. Então novamente me questiono, o que provoca tal comportamento?

Quando peço sempre a mesma coisa, faço-o porque já conheço aquela tal coisa e, portanto, já sei que é boa, não preciso me arriscar. Quando vario o pedido e não gosto do que pedi, recrimino-me por ter mudado de ideia. Quando vario o pedido e gosto do que pedi, passo a pedir sempre a nova coisa, se for melhor que a anterior.

Isso demonstra que estamos sempre resistindo às mudanças, apesar delas serem às vezes inevitáveis.

Se um dia o garçom trouxesse àquele cliente um pedido diferente, ou fizesse uma pequena mudança no pedido, o que aconteceria?

Uma vez colocaram orégano no meu misto quente, algo que eu não tinha pedido. Senti-me levemente indignada, o quanto se pode estar numa situação simples como essa. Eu, que ainda me permito mudar, senti-me indignada. O que sentiria ele, que não se permite mudar?

Rejeitaria o pedido com mudanças e mandaria trazer o certo. Alegaria que, pela assiduidade da presença dele ali, tal ato não se justificava. Sequer experimentaria. Seu delicado equilíbrio foi quebrado. Todo o seu dia estaria comprometido por causa daquela pequena falha no ritual. Sentir-se-ia inquieto até que tudo voltasse ao normal. Meditaria ainda por algumas horas sobre aquele incidente e, quando voltasse à lanchonete na manhã do outro dia, sempre no mesmo horário, um calafrio percorreria-lhe a espinha. Ousaria o garçom cometer novamente aquele erro? Só restaria a ele comprar o jornal, sentar-se e esperar, mas dessa vez com os olhos por cima dos papéis, espionando a atividade do garçom. Não descansaria enquanto não visse o seu pedido impecável sobre a mesa. E, após certificar-se de que tudo estava correto, seria capaz de finalmente relaxar, comer, ler, sair, trabalhar, ir para casa, dormir, acordar, escovar os dentes, vestir-se, sair, estacionar, entrar, relaxar, comer, ler, sair, trabalhar, ir para casa, dormir, acordar, escovar os dentes, vestir-se, sair, estacionar, entrar, relaxar, comer, ler, sair, trabalhar, ir para casa, dormir, acordar, escovar os dentes, vestir-se, sair, estacionar, entrar... e assim sucessivamente até o fim dos tempos.

Acho que às vezes confundimos prisão com segurança. Encarceramo-nos em nossas rotinas e passamos a viver à margem de nós mesmos. O que somos capazes de fazer a pretexto de segurança? O que somos capazes de perder a pretexto de segurança?

Por isso, vale a pena repetir:

É impressionante como nossas vidas mudam nesse instante.
Eu vejo nos seus olhos, ouço nas suas palavras
tudo aquilo que eu pensava por tantas madrugadas
na loucura de uma palavra,
sem querer pensar no amanhã,
por que o que seria do amanhã sem esse momento?
O quanto nós perderíamos?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cinco minutos

O que você sente quando sabe que vai entrar em colapso dentro de cinco minutos? O que você pensa? Você pensa?!?! Eu não consigo pensar, os dedos se movem freneticamente. O que eu seria capaz de dizer a você se você fosse embora dentro desses cinco minutos, não! Quatro minutos agora. O que fazer? Você é capaz de deixar de gostar de mim dentro desse tempo que resta? Três minutos e trinta segundos. Meus dedos tremem. O amor virtual não me deixa expressar todo o meu ser... meus dedos são lentos... ainda mais quando tremem. O que fazer? Eu vou entrar em colapso, não tenho mais do que três minutos! Três minutos! Os erros se sucedem! Dois minutos e meio! Eu te amei tanto desde o momento em que eu te vi. Apenas não sabia. Mas agora eu sei! Então por que você vai querer estar confuso? Por que você vai me deixar? Eu tenho apenas dois minutos! Dois! Dois! Não há tempo para dizer nada, nada! Então apenas me beije. Será que há tempo para um beijo? Sim, na modernidade há tempo. Mas não para falar. Não fale, apenas sinta. Um minuto e meio. O que fazer? Pra onde ir? Não há tempo. Eu quero corrigir os erros, mas não há tempo. Apenas um minuto. Eu respiro fundo, mas não há tempo nem para respirar. O que eu queria dizer é que já me sinto só... eu apaguei o que havia aqui, mas não deveria ter feito isso. Eu me sinto só e o que pode consertar isso? A confusão já existe. O que? A confusão... eu te amo. Apenas. Desculpe-me.


Escrito em 2 de novembro de 2007.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"Poems everybody! Poems!"

Hoje a ansiedade diminuiu sim, mas a tristeza assumiu o seu lugar. O livro, lógico, está ali do lado, e a minha concentração a uns trinta e dois quilômetros. Minha vida está "no repeat", assim parece. Até que eu entenda o quanto é desnecessária e inútil a impaciência, ela me dominará e tornará inférteis todos os meus atos. Infértil, assim parece a vida quando nada dura mais que horas, dias e até semanas.

A rapidez, a velocidade, a infreqüência me assustam. Quero um lugar de paz, longe do meu eu mais veloz e mais ignóbil. Inconstante, assim pareço (ou quero parecer, para enfim fugir totalmente de mim mesma). A mariposa-fênix que se queima na luz. Abomino a minha própria inconstância. Erro. Vivo a minha inconstância. Acerto?

Não.

Onde achar lugar para o constante na velocidade e na infreqüência? O que é o constante se visto sob o prisma da velocidade? Posso eu ter sido constante por duas horas? Duas horas < dois anos?

E poderíamos ficar horas a tecer perguntas e mais perguntas, sem responder uma sequer, apenas pensando sobre elas e gerando mais perguntas, porque perguntar é fácil.

Responder é perigoso.

Quem é você?



Post-scriptum: "Inconsistente". Sinto-me desmanchar e espalhar por toda parte. Por todo lugar onde eu já estive, como pensei há uns anos, deixei um pedaço da minha existência e vivo a procura eterna de um eu-inteiro-consistente-utópico. Ao "final", terei que retornar pelo caminho que trilhei e catar meus pedaços, cada um deles. É certo que no caminho agreguei também pedaços à minha pouca consistência. Pouca, mas que é responsável por me manter de pé. A velocidade, a infreqüência, a inconstância tornaram mais difícil a Consistência. Entretanto, ao mesmo tempo, tornaram-na permanente.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Se você fosse daquele tipo que bate à minha porta de madrugada, desesperado, insano, louco pra me dar aquele beijo que você sabe que vai me deixar em ebulição, talvez eu gostasse de você.

Mas você dorme à noite, você dorme.

E eu? Eu nem me dou ao trabalho de esperar.

Muitas vezes sou eu que vou bater à sua porta tarde da noite.

Era só um sonho. Eu também durmo à noite.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Prostitutas da Nova Era

Dizzy & Day

Historicamente, as prostitutas foram mulheres temidas pela sua independência, inteligência, talento e não submissão aos valores morais impostos.

O homem ordinário buscava sempre o prazer e o conforto em mulheres distintas. Para o conforto, havia a mulher do lar. Para o prazer hedonista, a prostituta.

Ele sabia que ela não o julgaria. Nenhuma qualidade ele precisava ter, se tivesse como recompensá-la. Era apenas o prazer individual masculino, pois o homem não precisava se preocupar em satisfazer sua parceira. Curioso é que essa situação se repetia em casa, tornando a mulher do lar também uma prostituta, por renunciar ao seu prazer pela estabilidade do matrimônio e por medo da estigmatização social.

Entretanto, mesmo a mulher do lar, ainda que não se prostituísse, precisava da liberdade de sensações, sentimentos e ideais. O feminismo, contudo, se mostrou insuficiente no atingimento desses objetivos. Quebrou alguns paradigmas, mas instaurou a competição entre os sexos.

A prostituta, por sua vez, estigmatizada e apedrejada ao longo dos séculos, soube tirar o necessário e justo aprendizado da sua caminhada. Deixou para trás as angústias por ter perdido a sua identidade e dignidade em troca de bens materiais e voltou-se para o lado do sentimento, buscando o prazer associado ao amor. Contudo, a independência, a liberdade, a intelectualidade, o talento e a consciência da própria sexualidade continuaram presentes na sua essência de mulher.

O homem moderno oscila entre essas duas mulheres, enquanto a mulher oscila - em si mesma - entre a mulher do lar e a prostituta. Entretanto, ela não será mais a prostituta que a sociedade estigmatizou, pois não mais busca recompensas financeiras, mas sim qualidade, intelectualidade e sentimento.

A Prostituta da Nova Era é uma mulher forte, dedicada e generosa como a mulher do lar, e que respeita e é respeitada, sem, no entanto, deixar de lado a sua individualidade. Ela surpreende sobremaneira a sociedade, pois as pessoas ainda estão perdidas nos extremos, sem entender que a nova lei é o equilíbrio.
É impressionante como nossas vidas mudam nesse instante.
Eu vejo nos seus olhos, ouço nas suas palavras
tudo aquilo que eu pensava por tantas madrugadas
na loucura de uma palavra,
sem querer pensar no amanhã,
por que o que seria do amanhã sem esse momento?
O quanto nós perderíamos?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Pintura Impressionista

Dizzy & Lulu

"O egoísmo! eis a voz da humanidade"
Álvares de Azevedo

Interesse circunstancial
Relacionamento miojo
Carinho que não se propaga
No vácuo
No vazio

O meu carinho vazio
Pré-fabricado em laboratório
Sucumbe a si mesmo
E o egoísmo aflora

Percebo - de perto
A tua face impressionista
E te quero longe

Longe - te sinto perto
E fatalmente
Me aproximo

Pelo impulso e pelo risco
O egoísmo de querer saber
Se te altera o beijo ardente e nu
Se - após a loucura - desvia os olhos


Renoir, A pensadora

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009


Israeli Defence Minister Ehud Barak said the offensive would continue until "peace and tranquility" were secured for Israeli civilians. (Source: BBC in pictures)

O Ministro da Defesa de Israel Ehud Barak disse que a ofensiva continuaria até que a "paz e a tranquilidade" fossem asseguradas aos civis israelenses.


Por que será que paz e tranquilidade estão entre aspas? Há como se conseguir paz e tranquilidade por meio da guerra?

...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Um segundo

Eu vejo você fugindo
Mas você tá fugindo de quê?

Eu vejo você se destruindo
Tá se acabando pra quê?

Eu vejo você correndo
Mas você não pode correr de você

Porque você sabe
Tudo vai voltar pra você

E eu fico te olhando, te olhando
E penso - hoje dói bem menos que antes

E o futuro pode ser daqui a um segundo
ou daqui a uma eternidade

Mas o que é o tempo na linha da vida?
Um segundo é igual a uma eternidade