quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

17th Song

É tudo tão delicado agora
Eu tenho medo de perder
esse elo inusitado

É minha velha tendência ao vício

Não seja imprudente
Isso não é uma brincadeira

É que a gente constrói
tudo tão lentamente
Mas uma palavra pode sim
destruir

E lá vamos nós outra vez

Eu não quero mais tentar
Eu preciso conseguir

Eu sei que a gente vai errar
Mas isso não pode impedir

Para, pensa, respira e cala

Muitas vezes o melhor que eu posso fazer

Tanto o silêncio como a palavra
podem criar ou destruir

Mas a gente pode sempre escolher

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Essay on Freedom

Primeiramente, a liberdade se desenvolve no nível da consciência, independe da condição física. Posto isso, esqueçam todos os conceitos conhecidos de liberdade.

A privação da liberdade não pode ser perpetrada por um agente externo. O indivíduo é o único ser capaz de restringir a sua própria liberdade. Considera-se aqui a vida como sendo transcendental.

A privação da liberdade não requer prisão física. Um indivíduo encarcerado pode ser livre, assim como um indivíduo que goze plenamente do seu direito de ir e vir pode não ser livre.

Liberdade:
- Individualide. Cada ser possui uma experiência individual e única, que não pode ser compreendida pelo outro e, portanto, não é passível de julgamento. Experiência transcendental. Herança. Opõe-se à personalidade, que é transitória.

- Honestidade. Ao longo de sua trajetória, o indivíduo se depara com situações em que o que sente não está de acordo com o que pensa. A honestidade o impede de reprimir-se e, conseqüentemente, enganar-se. Aceitando seus próprios sentimentos, o indivíduo é capaz de lidar com eles, minimizando o sofrimento que seria causado pela repressão. Opõe-se ao orgulho.

- Integridade. O indivíduo que não vive apenas na personalidade e consegue ser honesto consigo mesmo conhece-se e é capaz de formar o seu caráter. A experiência agrega elementos à integridade. O indivíduo íntegro convive de maneira igual com a crítica e com o elogio.

- Intuição. Ponte entre sub-consciente e consciente. Se bem desenvolvida, torna-se completamente eficaz contra a mentira e a falsidade. A falta de honestidade consigo mesmo diminui o poder da intuição. Não há intuição no nível da personalidade.

- Sofrimento. É livre aquele que aceita o sofrimento, que é indispensável e único. Não aceitando o sofrimento, o indivíduo torna-se preso a ele.

- Desprendimento. Viver e deixar viver. O indivíduo que se liga obsessivamente a outro não pode ser livre. É necessário que cada um viva sua vida de maneira independente. Laços que se manifestam no plano da personalidade são meramente teatrais. Não se opõe ao compromisso.

- Verdade. Imprescindível à liberdade. Cada vez que se falta com a verdade, cria-se um laço pernicioso, que só pode ser quebrado com o perdão alheio e com o esclarecimento do fato, não necessariamente nessa ordem. A verdade também se une à integridade. Um indivíduo que fala somente a verdade jamais será traído por suas próprias palavras ou por sua má intenção. Mesmo a má intenção deve ser acompanhada de verdade. A verdade não está relacionada com a impulsividade. Tanto pode haver verdade na impulsividade como pode não haver. A verdade é sempre a verdade.


A liberdade é uma busca necessariamente interior. Requer desprendimento também dos mitos do senso-comum.

O amor não é pré-requisito para a liberdade, mas a liberdade é pré-requisito para o amor.

A atitude de um indivíduo não deve se basear na atitude de outro, mas tão somente na integridade, caso contrário, não há liberdade.

A liberdade é, portanto, um estado de consciência.

sábado, 6 de dezembro de 2008

You shall not believe in poetry

A poesia que há na vida deixa as pessoas loucas, assim como a poesia que não há na vida. Alternar entre o poético e o não-poético pode ser uma questão de orgulho, mas nunca há um equilíbrio.

O que é, afinal, o equilíbrio, se é a oscilação entre a poesia e a não-poesia que torna a vida intrigante?

Não se acredita totalmente na poesia.

O quanto de vida "real" há na poesia?
O quanto de poesia há na vida "real"?

A poesia da vida real se confunde com a realidade da própria poesia. Onde está a poesia? No papel ou nos sentidos? E o que é a vida real?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Te querer e não te querer

Eu quero e não quero
aquele beijo murcho
aquele abraço frouxo
aquela conversa mole

Isso parece samba e isso - definitivamente - não é bom

Yo te quiero
Me gustan tu boca
tus brazos, tus ojos
"me gustas tu"

Pero yo no hablo español

Indeed
I don't really speak your language
I speak your tongue
And it tells me all there is to know about you

Give me just one second to translate

Lame

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Love Letter to a Friend

Uma vez, por volta dos meus doze ou treze anos, numa rara conversa sobre amor, meu tio disse uma frase interessante: "Quem ama, não perdoa". Essa frase fez total sentido para mim, como uma verdade universal. Cinco minutos depois eu a esqueci.

Hoje, exatamente hoje, eis que volta à minha mente a tal frase. Entretanto, agora, eu já adquiri a bagagem necessária para entendê-la completamente.

O amor, o mais sublime amor, é racional. Não necessita perdoar, porque entende que cada um tem de seguir sua estrada. Juntos? Separados? Não importa, o verdadeiro amor não se importa. O verdadeiro amor respeita, acima de tudo.

Para esse amor, o tempo não existe, pois não há distância que separe duas almas com as mentes em sintonia.

O verdadeiro amor não tem forma. Manifesta-se num olhar, num sorriso, num "simples" pensamento.

Esse amor, calmo e sereno, entende e respeita. Aprendeu a viver e a deixar viver.

Nós podemos ser tudo que quisermos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Bad Day Report

Hoje as portas estão rangendo, as pessoas estão sérias e macambúzias, o dia está frio por dentro e por fora.

Brasília: mínima 20º, máxima 28º (mentira).

Primeira bebida do dia: boldo.

Dois acidentes a caminho do trabalho: um envolvendo moto e outro envolvendo um Palio apressado e um Corola nervoso.

Resultados: mini-engarrafamento no eixão e discussão na Esplanada dos Ministérios.

Bom: eu acordei cedo.

Mau: o dia será mais longo.

Bom: as plantas falam, de acordo com os japoneses (o que será que aquela planta ali pensa sobre mim?).

Mau: meu estômago está se revirando.


Fim.