quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

17th Song

É tudo tão delicado agora
Eu tenho medo de perder
esse elo inusitado

É minha velha tendência ao vício

Não seja imprudente
Isso não é uma brincadeira

É que a gente constrói
tudo tão lentamente
Mas uma palavra pode sim
destruir

E lá vamos nós outra vez

Eu não quero mais tentar
Eu preciso conseguir

Eu sei que a gente vai errar
Mas isso não pode impedir

Para, pensa, respira e cala

Muitas vezes o melhor que eu posso fazer

Tanto o silêncio como a palavra
podem criar ou destruir

Mas a gente pode sempre escolher

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Essay on Freedom

Primeiramente, a liberdade se desenvolve no nível da consciência, independe da condição física. Posto isso, esqueçam todos os conceitos conhecidos de liberdade.

A privação da liberdade não pode ser perpetrada por um agente externo. O indivíduo é o único ser capaz de restringir a sua própria liberdade. Considera-se aqui a vida como sendo transcendental.

A privação da liberdade não requer prisão física. Um indivíduo encarcerado pode ser livre, assim como um indivíduo que goze plenamente do seu direito de ir e vir pode não ser livre.

Liberdade:
- Individualide. Cada ser possui uma experiência individual e única, que não pode ser compreendida pelo outro e, portanto, não é passível de julgamento. Experiência transcendental. Herança. Opõe-se à personalidade, que é transitória.

- Honestidade. Ao longo de sua trajetória, o indivíduo se depara com situações em que o que sente não está de acordo com o que pensa. A honestidade o impede de reprimir-se e, conseqüentemente, enganar-se. Aceitando seus próprios sentimentos, o indivíduo é capaz de lidar com eles, minimizando o sofrimento que seria causado pela repressão. Opõe-se ao orgulho.

- Integridade. O indivíduo que não vive apenas na personalidade e consegue ser honesto consigo mesmo conhece-se e é capaz de formar o seu caráter. A experiência agrega elementos à integridade. O indivíduo íntegro convive de maneira igual com a crítica e com o elogio.

- Intuição. Ponte entre sub-consciente e consciente. Se bem desenvolvida, torna-se completamente eficaz contra a mentira e a falsidade. A falta de honestidade consigo mesmo diminui o poder da intuição. Não há intuição no nível da personalidade.

- Sofrimento. É livre aquele que aceita o sofrimento, que é indispensável e único. Não aceitando o sofrimento, o indivíduo torna-se preso a ele.

- Desprendimento. Viver e deixar viver. O indivíduo que se liga obsessivamente a outro não pode ser livre. É necessário que cada um viva sua vida de maneira independente. Laços que se manifestam no plano da personalidade são meramente teatrais. Não se opõe ao compromisso.

- Verdade. Imprescindível à liberdade. Cada vez que se falta com a verdade, cria-se um laço pernicioso, que só pode ser quebrado com o perdão alheio e com o esclarecimento do fato, não necessariamente nessa ordem. A verdade também se une à integridade. Um indivíduo que fala somente a verdade jamais será traído por suas próprias palavras ou por sua má intenção. Mesmo a má intenção deve ser acompanhada de verdade. A verdade não está relacionada com a impulsividade. Tanto pode haver verdade na impulsividade como pode não haver. A verdade é sempre a verdade.


A liberdade é uma busca necessariamente interior. Requer desprendimento também dos mitos do senso-comum.

O amor não é pré-requisito para a liberdade, mas a liberdade é pré-requisito para o amor.

A atitude de um indivíduo não deve se basear na atitude de outro, mas tão somente na integridade, caso contrário, não há liberdade.

A liberdade é, portanto, um estado de consciência.

sábado, 6 de dezembro de 2008

You shall not believe in poetry

A poesia que há na vida deixa as pessoas loucas, assim como a poesia que não há na vida. Alternar entre o poético e o não-poético pode ser uma questão de orgulho, mas nunca há um equilíbrio.

O que é, afinal, o equilíbrio, se é a oscilação entre a poesia e a não-poesia que torna a vida intrigante?

Não se acredita totalmente na poesia.

O quanto de vida "real" há na poesia?
O quanto de poesia há na vida "real"?

A poesia da vida real se confunde com a realidade da própria poesia. Onde está a poesia? No papel ou nos sentidos? E o que é a vida real?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Te querer e não te querer

Eu quero e não quero
aquele beijo murcho
aquele abraço frouxo
aquela conversa mole

Isso parece samba e isso - definitivamente - não é bom

Yo te quiero
Me gustan tu boca
tus brazos, tus ojos
"me gustas tu"

Pero yo no hablo español

Indeed
I don't really speak your language
I speak your tongue
And it tells me all there is to know about you

Give me just one second to translate

Lame

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Love Letter to a Friend

Uma vez, por volta dos meus doze ou treze anos, numa rara conversa sobre amor, meu tio disse uma frase interessante: "Quem ama, não perdoa". Essa frase fez total sentido para mim, como uma verdade universal. Cinco minutos depois eu a esqueci.

Hoje, exatamente hoje, eis que volta à minha mente a tal frase. Entretanto, agora, eu já adquiri a bagagem necessária para entendê-la completamente.

O amor, o mais sublime amor, é racional. Não necessita perdoar, porque entende que cada um tem de seguir sua estrada. Juntos? Separados? Não importa, o verdadeiro amor não se importa. O verdadeiro amor respeita, acima de tudo.

Para esse amor, o tempo não existe, pois não há distância que separe duas almas com as mentes em sintonia.

O verdadeiro amor não tem forma. Manifesta-se num olhar, num sorriso, num "simples" pensamento.

Esse amor, calmo e sereno, entende e respeita. Aprendeu a viver e a deixar viver.

Nós podemos ser tudo que quisermos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Bad Day Report

Hoje as portas estão rangendo, as pessoas estão sérias e macambúzias, o dia está frio por dentro e por fora.

Brasília: mínima 20º, máxima 28º (mentira).

Primeira bebida do dia: boldo.

Dois acidentes a caminho do trabalho: um envolvendo moto e outro envolvendo um Palio apressado e um Corola nervoso.

Resultados: mini-engarrafamento no eixão e discussão na Esplanada dos Ministérios.

Bom: eu acordei cedo.

Mau: o dia será mais longo.

Bom: as plantas falam, de acordo com os japoneses (o que será que aquela planta ali pensa sobre mim?).

Mau: meu estômago está se revirando.


Fim.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pale Impressions

I am now just a pale impression of what I can be
Eu sou agora apenas uma pálida impressão do que posso ser

Em alguma parte dessa estrada, eu me perdi de mim mesma. Ignorei os meus próprios ideais, minhas convicções, talvez com o tolo objetivo de tentar ser o que eu não era e nem nunca serei. Tudo para novamente reafirmar em mim a necessidade da primazia da consciência.

Se muitos conseguem guiar suas vidas de tal ou tal maneira e assim vivem felizes, é porque o que fazem está de acordo com o que é permitido por suas consciências. Não há que se cogitar viver como esses muitos. Nenhum deles serve de padrão para mim, assim como eu não sirvo de padrão para absolutamente ninguém. E todos estão certos.

Não há volta. Porque nunca há volta. Mas há sempre uma continuação, um novo capítulo, uma página em branco. E não é preciso que eu vá para longe daqui, como eu sempre quis, ou que eu esteja absolutamente sozinha. Em qualquer lugar, eu posso fechar os olhos e analisar meus pensamentos, sentimentos, dúvidas, confusões, contradições.

A vontade de recomeçar me faz pensar automaticamente em um novo lugar, em novas pessoas e novos ambientes. Entretanto, problemas se resolvem apenas no nível da consciência. Estão refletidos no exterior, nas coisas, nas pessoas, na vida, mas não é aí que se encontra sua resolução.

O interior, sim, deve se renovar. Se eu sou uma pessoa nova, tudo ao meu redor é novo, embora aparentemente eu esteja no mesmo lugar e me relacione quase sempre com as mesmas pessoas.

A cada dia eu sou um pouco dessa pessoa nova, como se fosse me reconstruindo brick by brick. Mas ainda não é suficiente. Ainda me sinto presa à infidelidade aos meus próprios ideais.

Lembro sempre que o passado não volta mais, embora eu sinta uma infinita saudade daquela autenticidade. Se houvesse como voltar ao passado, eu também voltaria a ser aquela pessoa do passado. Viver a situação do passado com a experiência já adquirida no presente seria o que eu poderia chamar de uma situação ideal.

Entretanto, não existe situação ideal. Mais uma vez, é necessário escrever um novo capítulo. Fico feliz pela experiência adquirida, por tudo que foi possível aprender até agora. Isso me tira um pouco da culpa de ter traído a mim mesma.

Uma nova fase não é escrita de uma noite para outra, como dormir uma pessoa e acordar outra. Venho aprendendo a me respeitar e, dessa forma, eu não poderia ser autoritária comigo mesma.

O ímpeto de mudar já traz em si uma mudança, que por sua vez trará outras, todas conscientes e serenas.

sábado, 22 de novembro de 2008

Life holds strange situations,
that happen late in the night,
when your thoughts are blurred
and your feelings intensified.

Flashes of light throughout the night,
glimpses of truth in your mind,
tides of darkness after all,
that take your sanity away.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

If I could just go away
Leave it all behind
Cry my tears on my own
In some low-rent place far from here
All of you could be relieved
Not to have me around again
With all my confusion
That like a web reaches you all
Hurting

But I swear I've been true to all of you
Except to myself

domingo, 9 de novembro de 2008

Não posso relaxar, a não ser no sono. Fora isso, cada minuto que passa é uma tortura de pensamentos contraditórios. Se eu ao menos soubesse. Se ao menos me fosse permitido saber.

Será que a alguém é dada essa permissão? Sim, com certeza. Mas apenas àquele que não deseja saber. Não posso me enganar, entretanto. Eu desejo, sim, saber. Sempre.

No dia em que você se despisse dessas máscaras, desses disfarces, e entrasse por aquela porta, com a firme resolução de me dizer a verdade, eu seria tão feliz.

"Não, eu não te amo."

This is the taste of freedom.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

"Todo mundo espera que eu me desculpe, mas essa situação não é algo pela qual eu possa me desculpar, porque falei a verdade, e cedo ou tarde mamãe deveria descobrir. Pareço indiferente às lágrimas de mamãe e aos olhares de papai, e estou mesmo, porque agora os dois estão sentindo o que sempre senti. Só posso ter pena de mamãe, que terá de descobrir sozinha qual deveria ter sido a sua atitude. De minha parte, continuarei em silêncio e distante, e não pretendo fugir da verdade, porque quanto mais ela for adiada, mais difícil será eles aceitarem quando precisarem ouvi-la."

Anne Frank (O Diário de Anne Frank: edição integral, trad. Ivanir Alves Calado, 5.ed., Rio de Janeiro: BestBolso, 2008.)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O sol que me consome

Eu quero levar alegria ao mundo
À minha maneira

Quero provocar todos os seus sorrisos
E vê-los todos muito mais de uma vez
Sempre

Quero que você se surpreenda sempre
E depois diga
"Eu sabia"

Quero passear na chuva com você
Naquele dia em que você estiver
Bem, bem doente

Quero te deixar acordado até tarde
Quando você tiver que acordar
Muito, muito cedo

Quero jogar a TV pela janela
Dirigir em alta velocidade
Sair por aí sem rumo

Quero te levar até onde você nunca foi
Se vc ainda não correu, vamos correr até cansar
Vamos ver o mar, as estrelas, a lua, as constelações

Bem de perto

E vamos ver também o sol

Bem de perto
Bem de perto

O que me move
É o que me consome

O sol que me consome

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eu ouço minhas músicas favoritas do passado
Elas me lembram de um tempo em que eu nem mesmo existi
Nem eu nem vocês
Mas se você pára pra ouvir
A música te leva até lá

E vão retornando numa brisa morna todos aqueles sonhos que você não sonhou
Todo aquele sangue que vc não derramou
Todos os ideais que você não teve
Tudo volta na brisa quente do passado que se repete e que não volta mais

Os ideais são outros
Nós somos os mesmos
Nós somos outros
Os ideais são os mesmos

Nós somos os outros
O passado é o mesmo
O passado é outro
O futuro é o mesmo

Nós nos perdemos no passado daqueles que se perderam no nosso futuro

Passado?
Presente?
Futuro?

O tempo não existe
A vida corre num rio interminável
O tempo é a consciência

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Lágrima

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
[Saint-Exupèry]


O reflexo cor de rosa pálido do céu de fim de tarde nas ondulações calmas do lago. As águas que correm agora jamais serão as mesmas. Tudo que carregam para longe, lá ficará, não voltará mais.

Anti-romântica, a natureza acontece indiferente. Seus tons verdes, róseos, azuis, roxos, vermelhos tanto podem acompanhar a tristeza como a alegria. O cenário do encontro e da despedida é o mesmo, apenas nós somos outros, mudando a cada instante.

Se no mundo só eu existisse, não seria capaz de mudar, e a vida não teria sentido. Ainda que, em certos momentos, eu não sinta o mundo existir à minha volta, as horas passam, as pessoas passam, a história segue e cada coisa influencia outra, como uma enorme teia.

Mas antes de tudo, de toda a tristeza e de toda a alegria, é preciso não sentir vergonha de ser humano. É preciso reconhecer a importância de ser humano. Antes isso ao vazio, mais frio que a mais fria das noites daqueles que sentem.

No lago, o primeiro céu da noite que antecede muitas noites, azuis, escuras, iguais, indiferentes. Em mim há uma noite escura e cruel, esperando, gélida, pelo amanhecer.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Era uma mulher feia, via-se logo. Os dentes, estragados e amarelados pela idade e pelo hábito de fumar, eram o que primeiro se via de sua aparência. Fora isso, era uma mulher de feições comuns, nem magra nem gorda, nem nova nem velha, cabelos pretos de tinta e lisos. Vestia roupas normais, que não pioravam nem tampouco melhoravam seu aspecto.

Muito embora eu repudie o hábito do fumo, passei a admirar aquela mulher que vinha todos os dias à tarde fumar à porta de meu local de trabalho, sem deixar de me cumprimentar uma vez sequer, com um sorriso sincero e amigável, desde que passamos a trabalhar no mesmo prédio.

Creio que até hoje ela não sabe meu nome, eu também nunca me dei ao trabalho de me apresentar ou de perguntar seu nome, e se trocamos dez palavras foi muito. Mas tenho certeza de que compartilhamos da mesma simpatia, natural e gratuita, como são todas as simpatias.

domingo, 24 de agosto de 2008

Série Trechos de Músicas - Nº 03

"E o que eu faço enquanto eu perco você?
E o que eu faço enquanto esqueço você?"
[Sammy Daves - Tormenta e Calmaria]


Tava legal sim, mas ah... não tava tão legal. Eu queria ir mais alto, queria ao menos chegar perto daquela sensação tão diferente. Era como se eu pulasse, mas por mais que me esforçasse, não conseguisse alcançar... Você experimenta uma vez e é tão bom, supremo, esplêndido. Por que não é assim depois? Por que parece que é uma corrida sem fim, sempre vislumbrando o êxtase, mas nunca o alcançando. Correndo, correndo, correndo, até cansar e cair.

É como se tudo fosse sempre uma tentativa. Uma atrás da outra, mas sempre uma tentativa. E eu me canso de tentar, de tentar sempre. Sempre que eu me deito à noite, tenho sempre aquela sensação de não ter conseguido.

Relembro os fatos do dia e da noite, de olhos fechados, e penso muito em tudo, a confusão aumenta, os pensamentos se embaralham. Percebo que não me lembro das pessoas, elas são uma grande massa uniforme, sem sentido e sem ideal.

As palavras que eu disse não ecoaram no vazio. E eu me cansei de dizer, de sentir, de olhar, de esperar, de sorrir, de chorar, de acreditar... As coisas não vão acontecer, você não vai conhecer, você não vai gostar, você não vai querer, você não vai tentar, você não vai ficar nem ir embora, você não vai existir.

E à sua volta o mundo tenta girar, mas você já não se sente parte dele, é apenas inércia. Você não sabe mais o que fazer, você não consegue mais fazer. O mundo acontece, você não.

E quem é você, estranho?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Série Trechos de Músicas - Nº 02

"There's still a little piece of your face I haven't kissed"
[Damien Rice - Cannonball]


A cada dia, quando eu acordo e te observo ao meu lado, percebo que você já é outro, diferente daquele que me abraçou ao deitar. Observo cada detalhe do seu rosto adormecido, antes de te despertar com um beijo e receber seu sorriso de olhos ainda fechados.

Um sábio uma vez disse, à beira de um rio silencioso, que as águas de um rio jamais são as mesmas. No minuto seguinte, o rio já era outro. O sábio também.

Eu percebo, todas as manhãs, que seu sorriso é sempre único, há um para cada dia da vida, um para cada beijo meu. E quando você abre os olhos, meu reflexo neles já não é mais o mesmo.

Nós rimos um para o outro, saboreamos ali juntos, abraçados, os primeiros momentos do dia, e eu sinto que meu amor por você já é outro e que todos os meus eus amam completamente os seus.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Série Trechos de Músicas - Nº 01

"When night comes down, you lock the door.
The book falls to the floor."
[Pink Floyd - A Pillow of Winds]

A poltrona ficava perto da janela. Da janela se podia ver o campo que se estendia, em declive, do fundo da casa até a estrada que passava por ali, a única que chegava e saía daquela cidade. Todos os dias, às cinco horas da tarde, eu me sentava nessa poltrona e lia. Lia os mesmos livros de há vinte anos, ao ponto de decorar as passagens mais marcantes. De vez em quando, elevava os olhos até o campo, até a estrada, e parecia continuar a ler sem olhar para o livro.

E assim meu olhar se perdia por aqueles campos, pelas flores, pela grama. Às vezes ia com os raros carros que passavam pela estrada e voltava com outros mais raros ainda.

Então o sol começava a se pôr e a me trazer de volta para mim. Levantava, olhava em volta, registrava cada móvel da sala. Todos estiveram sempre no mesmo lugar, pareciam entes que repousavam, cheios de memória e de melancolia. Andava entre eles solenemente, respeitando cada lembrança.

Com a porta já trancada, voltava à minha poltrona. Com o livro no colo, apenas à luz do por do sol, olhava pela janela a chuva fria e fina que começava a cair. As gotas pareciam as palavras de um livro. Lia-as até que o livro tombasse ao chão, provocando um som, que abafado pelo tapete, não chegava a me despertar.

domingo, 6 de julho de 2008

A Jornada

Não, eu não estou bem. Por que estaria? Você está bem? Não. Nem eu, nem você, nem ela, nem ele, ninguém está bem. Entretanto, isso não quer dizer que sejamos ingratos.

Eu não estou bem, mas agradeço a Deus por tudo que tenho, absolutamente tudo, inclusive as dores e os sofrimentos. Agradeço por tudo que sou e pelo que trabalharei para ser.

Por que mentir para o mundo e dizer: 'estou bem!', 'estou feliz!'? Por que não encarar a sua própria dor e aceitá-la como algo que te fará aprender, mudar, evoluir?

Pouquíssimas pessoas são felizes realmente. Muitíssimas fingem que o são para fugirem da árdua tarefa de se auto-conhecer. Qual o sentido da vida? Por que estamos aqui na Terra? Por que nascemos?

"Hoje sei muito bem que nada na vida repugna tanto ao homem do que seguir pelo caminho que o conduz a si mesmo." [Hermann Hesse - Demian]

Vivemos para que possamos ter a oportunidade de chegar ao auto-conhecimento. Não é outro o sentido da vida. Pois absolutamente tudo passa pelo auto-conhecimento.

Se ferimos, matamos, choramos, sofremos, é porque não nos conhecemos, não sabemos dos nossos limites e os ultrapassamos. Buscamos a felicidade sem saber o que ela é para nós.

Porque a felicidade existe para aqueles que já se conhecem e, por terem esse conhecimento, conhecem os outros e sabem respeitá-los, vivendo em harmonia consigo mesmos e com o mundo.

Seguimos em busca do auto-conhecimento, que não é algo impossível, é apenas trabalhoso. Pois fazer o mal é extremamente fácil, mas repará-lo, fazer o bem, é algo totalmente diferente.

Ao mesmo tempo em que a esperança te faz levar os olhos para o alto e sonhar com uma consciência tranqüila, a dor, que te leva embora a respiração e te faz envergar o corpo físico, te lembra do longo caminho ainda a percorrer.

Desistir? Jamais.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Micro e soft

Bill Gates se aposentando em tempo parcial da Microsoft, hehehe!

Agora veja o staff da Microsoft em 1978:



Dá pra formar uma banda de rock estilo The Mamas and The Papas, não dá? ^^
Gates seria o produtor ou alguém totalmente backstage, lógico.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Meet me at Andromeda by 3h49

Você deveria vir me encontrar hoje nas estrelas, nas constelações, nas nebulosas, porque lá não há limites, não há máscaras.

Porque lá se vive sem o peso, esse peso que a nossa consciência carrega, que pesa mais que o próprio peso da Terra.

Deixe a sua mente ser livre essa noite e me acompanhe. Saiba que lá também não há mais ninguém, porque pra lá só vão mentes livres.

Pense que nada disso é real, nada do que você vê desde que acorda até quando vai dormir.

Apenas os sonhos, as constelações e as nebulosas são reais.

Encontre-me na Constelação de Andrômeda às 3 horas e 49 minutos.

Além do que se vê

Eu combinei comigo mesma uma escala diária:

8 horas de sono,
15 horas pra fingir que vivo e
1 hora antes de dormir pra viver a minha realidade.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Quebra-cabeça

Um dia você se dará conta de que cada movimento seu, cada passo, cada escolha foi importante para que você estivesse onde está agora.

Por não conseguirmos sequer imaginar o peso de cada acontecimento, muitas vezes deixamos passar oportunidades.

Oportunidades são peças do quebra-cabeça. Aparecem na hora certa, apesar de não notarmos. Se as aproveitarmos, saberemos posteriormente onde encaixá-las, quando ficarmos diante de uma das peças que está ao lado de uma peça-oportunidade.

Só aí saberemos o valor de uma oportunidade. Podemos refletir sobre o quanto foi bom tê-la aproveitado ou sobre o quanto de tempo perdemos em tê-la deixado passar.

Ao longo da nossa formação familiar e educacional, tudo que juntamos são peças-oportunidade. Mais tarde descobriremos seu uso, pois não há nada que ocorra por acaso.

E absolutamente cada oportunidade aproveitada, cada habilidade adquirida, a menor e a maior das experiências, tudo será útil.

sábado, 14 de junho de 2008

Essa dor que parece não ter fim
Finaliza minha alma
Do fim para o começo

Pra já começar sem fim
Sem esperança
Sem luz no fim
Porque o fim já não existe

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Adeus

Eu sempre quis dizer adeus, daqueles bem dolorosos, no auge do contentamento...

um adeus

Precedido de alegria e sucedido por um longo silêncio, daqueles cheios de palavras mudas. E mesmo que eu não agüentasse, que quisesse voltar correndo, de braços abertos, eu queria. Não apenas queria, sabia. Sabia que um dia teria que dizê-lo, com todas as letras frias e afiadas...

adeus

E eu sabia também que você aceitaria, que apenas me olharia, daria as costas, sumiria. Como eu queria que você não me deixasse dizê-lo, tapasse minha boca ou seus ouvidos, me fizesse esquecer de tudo com um abraço. Não.
adeus

Permaneceu como pedra. Apenas ouviu e aceitou o golpe. Sangraria? Não sei. Sararia? Talvez. Eu sangraria e não sararia jamais.

"Everyone I know goes away in the air"

Se você me libertasse eu correria pra você.
Mas eu te libertei e você fugiu de mim.

Como todos os que passaram.
Livres.

E eu quero tanto ir embora, que sei que teria que te deixar um dia.
Você foi apenas mais rápido.

"Babe, I'm gonna leave you". Twice.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Amo

Amo,
com um amor calmo e sereno
para o qual o tempo não existe.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Eu estava pensando, pensando, pensando tanto, que dormi. E os pensamentos escorreram pela minha boca como baba e mancharam tudo. Acordei com um pensamento grudado na cara. Ele tinha letras e imagens. Os pensamentos têm letras e imagens! Era a sua imagem. Mas espera! Não era só a sua, eram muitas, todas misturadas entre si. Ora era você, ora ele, ora ela. O texto estava turvo, letras dissolvidas na baba. Tentei recuperar o nexo com o pensamento que estava grudado no lençol, mas não havia como. Pensamento babado, pensamento perdido.

Liguei a torneira, peguei água com as mãos e limpei os pensamentos. Ao contato com a água eles se tornaram furta-cor, como aqueles papéizinhos de embrulhar presentes, e foram abaixo. Por um momento pensei o que fariam aqueles pensamentos no esgoto, se sobrevivessem. Se.

O que fazem os pensamentos que sobrevivem? Decidi experimentar. Peguei um pensamento ainda grudado na cama e o guardei na boca. Mais tarde, quando te encontrei, passei-o para você. Não sei se você percebeu. Por um momento vi o interior da sua boca brilhar. E vejam só, tinha uma cor diferente. Não era furta-cor. Gostei e, dias depois, tentei novamente. Também dessa vez você não percebeu e o pensamento estava de outra cor, diversa das anteriores.

Assim fui fazendo e você nunca notou. Até que um dia eu ri e você não entendeu, mas é que você falava justamente algo que eu tinha pensado na noite anterior, e da sua boca saíam pensamentos de todas as cores.

Cada um que passa em nossa vida,
Passa sozinho ...
Porque cada pessoa é única pra nós,
E nenhuma substitui a outra...
Cada um que passa em nossa vida,
Passa sozinho,
Mas não vai só...
Cada um que passa em nossa vida,
Leva um pouco de nós mesmos,
E nos deixa um pouco de si mesmo...
Há os que levam muito,
Mas não há os que não levam nada...
Há os que deixam muito,
Mas não há os que não deixam nada...
Esta é a mais bela realidade da vida.
A prova tremenda da importância de cada um,
É que ninguém se aproxima do outro por acaso....

Antoine de Saint-Exupéry

domingo, 1 de junho de 2008

Sobre o sofrimento

As pessoas sofrem.

Eu sofro
Tu sofres
Ele sofre
Nós sofremos
Vós sofreis
Eles sofrem

As pessoas tentam fugir do sofrimento.

Eu sofro
Tu sofres
Ele sofre
Nós sofremos
Vós sofreis
Eles sofrem

O sofrimento é parte integrante e indispensável da vida de todos os seres humanos, absolutamente todos.

O sofrimento é individual e único. Ninguém sofre no lugar de ninguém. A dor de um não é comparável à dor de outro.

É por isso que apenas o dono do sofrimento pode saber sua origem e o modo de solucioná-lo. Desde que o encare.

Sendo assim, sofram. ;)

sábado, 24 de maio de 2008

No silencioso desespero da solidão recém-conformada
Acordei.

Com os olhos vazios de quem olha mas não vê
Olhei.

Sentindo ainda as lágrimas que não secam jamais
Chorei.

Um choro silencioso de alma
de lágrimas que apenas molham os olhos
mas não têm permissão de cair

E como se houvesse deixado a alegria no ontem
Levantei-me.

Olhando lá fora as nuvens escuras
Senti-as dentro de mim.

Soube então que viveria apesar da vida
que sorriria apesar da tristeza
e que caminharia na solidão

15 fev 2008


Olga Spiegel - Sea Bubblestars

terça-feira, 13 de maio de 2008

Nirvana - Drain You

Porque só o Kurt podia falar isso hauhauhauhauhauhauhauhaa!

"Chew your meat for you
Pass it back and forth
In a passionate kiss
From my mouth to yours
'Cause I like you"

Vc já fez isso?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

É engraçado que existam músicas tão emocionantes, no sentido de que vc a ouve e consegue sentir o que ela pretende passar, em harmonia perfeita, instrumental, voz, letra. Não é como quando vc já está sentindo alguma coisa e ouve uma música que tem a ver com aquilo. É a música que provoca o sentimento em vc.

Ouçam:
Nancy Sinatra - Bang Bang (Da trilha sonora de Kill Bill Vol. 1.)
Green Bird - Da trilha sonora de Cowboy Bebop (música e cena - perfeitas)

terça-feira, 6 de maio de 2008

"Every time you go away, you take a piece of me with you"

Vai chegar uma hora que não vai sobrar mais nada!
Pense nisso!

domingo, 4 de maio de 2008

Sorte de hoje


Aguarde para breve momentos emocionantes



Tô esperando, tô esperando!!! \o/

Cadê? Cadê? Cadê?!?! \o/ \o/ \o/


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Um scanner e nada pra fazer

Olha o resultado da obra paralizada do lado da FD:


Simpáticos Aedes Aegypti. Mortos. Hahahahahaha! >=]

Notícia: Feridas a caminho de baile funk, Correio Braziliense, 13/04/2008


Duas garotas foram baleadas na madrugada de ontem quando iam para um baile funk entre os morros Chapéu Mangueira e Pavão, na Zona Sul do Rio de Janeiro. As vítimas têm 10 e 19 anos.

10 anos indo pra baile funk?!?!?! Nem precisa dizer no que vai dar, já que nenhuma delas morreu.

;)

Sem imagem dessa vez hehehehe! u.u

segunda-feira, 21 de abril de 2008

No way out

“So it slips through your hands, like grains of sand, you watch it go
There is no time to be lost, you pay the cost, so get it right
There is no way out of here, when you come in you're in for good”


Uma nota de arrependimento talvez. Uma carta a um amor perdido para sempre. Era tudo que eu queria escrever naquela noite, algo que pudesse amainar o sofrimento da impotência diante dos desígnios da vida. Mil lágrimas inconsoláveis era o que eu tinha, entretanto. Sozinha no quarto, em casa, na vida, assim eu pensava, assim me sentia. Não parecia haver remédio para tanta dor, não parecia nem ao menos haver corpo que pudesse controlar aquela alma em fúria dolorosa, mas não de amor, de inconformação. Tudo queria destruir-me, principalmente eu mesma. Acabar com toda a fonte do meu mal.

Todo o meu ser pensante se esvaía, sobrava aquele coração que me atirava em cheio na cama, convulsa de lágrimas. Era, antes de tudo, uma batalha interna. Eu queria ao mesmo tempo raciocinar e entregar-me à minha própria dor, deliciar-me com ela, viver para ela, sentir que todos os que a desejavam estavam sendo felizes, regozijando-se no meu sofrimento.

Não, esses pensamentos não poderiam ser meus.

Precisava reagir, acender as luzes do quarto e da mente, encarar minha dor com outros olhos. Vê-la fiel a mim, participante, companheira. Enfim, andar de braços dados com ela, mas andar.


La lagrima, Claudia Perenzalez
Não, não me peça para esquecer
que eu não consigo
Não, não me peça para ir embora
que eu não quero

Não me chame de teimosa
Se é você que pede coisas impossíveis
E não me chame de abusada
Eu sei que sou, mas não quero ouvir

O que eu quero ouvir
Você não pode dizer
Então cala
e me abraça.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Nada de viagens monótonas de ônibus. Tem que ter emoção!

Se você deseja ter emocionantes viagens de ônibus, tudo o que tem que fazer é cometer o desatino de entrar num ônibus da VIPLAN por livre e espontânea vontade.

Depois de entrar na sucatazinha amarela, que por sinal cheira muito mal, você usa o paninho que deixaram por ali para limpar seu banco, que está molhado porque 'alguém' esqueceu as janelas abertas na hora da chuva. Tudo bem, quem precisa de cadeiras estofadas, limpas e secas, isso é luxo. E luxo é lixo.

Dali a uma meia hora você já consegue até pegar no sono. Aquele sono gostoso misturado com o cheiro e o barulho. Você está até com sorte porque não tem luz no ônibus, melhor pra dormir.

Muito sem emoção, não é?

As pessoas começam a dizer (leia-se praguejar): "Vai explodir!", "Quebrou!".

Não, não é pesadelo. Se continuar, o motor vai explodir sim. E quebrou mesmo, bem naquele trecho onde é raro passar um ônibus, ainda mais à noite.

Tá começando a ficar bom!

A multidão rapidamente começa a se enfurecer, ou seja, a gritar ainda mais, a falar com as pessoas próximas (nessas horas as barreiras sociais se quebram e ficam todos unidos numa só desgraça), a acender os seus cigarros, até quem não fuma quer acender um.

Alguém atira uma pedra no ônibus!!!

Mentira. Você não acreditou que isso aconteceria aqui em Brasília, né? O ônibus continua intacto, provavelmente até agora.

Chega o guincho. A loura mais histérica, sempre tem uma mulher mais histérica (as mulheres que me perdoem, mas a culpa é realmente de vocês), quer ir embora com o guincho. Sim, é isso mesmo que você leu. A loura histérica quer ir embora com o cara do guincho! E aí, mais alguém se habilita?

Ninguém.

Terminado o árduo trabalho de encaixar o guincho no ônibus, todo mundo pra dentro de novo(!).

Você já teve o prazer de estar num ônibus que está sendo guinchado? Eu já.

500 metros à frente, desce todo mundo de novo. Pense na cena: um monte de gente, estudantes, trabalhadores, homens, mulheres e crianças andando nos gramados, dirigindo-se à pista mais próxima para interceptar outro ônibus amarelo-sucata.

Opa, peraí! Eis que vem um outro L2 Gama Oeste. Corre todo mundo pra pista anterior e invade o 'L2'. Tá tudo dominado!

Acabou? Claro que não!

Ônibus lotado, ânimos exaltados, alguém puxa a corda para sinalizar que quer descer. A campainha está funcionando? É claro que não. Este ônibus também está às escuras. Aliás, esse parece bem mais antigo que o anterior, não? Sabe aquelas portas no meio?

E a parada ficando para trás. Gritos, pragas, xingamentos, murros no ônibus. E mais paradas ficando para trás.

Qual a solução? "Próxima, motorista!", "Próxima desce!".

No dia seguinte? Todo mundo volta ao normal, afinal, depois de uma jantinha, um banhinho e uma novelinha das oito, quem se preocupa com ônibus.

Cada povo tem o que merece.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Disquetes antigos XD

É impressionante o que se pode encontrar vasculhando disquetes antigos da FD.

1. Não apenas um, mas dois trabalhos de Romantismo pra aula da Ana Laura! Hahahaha! A morte do sagrado? Não podia faltar né!

"A 'morte do sagrado' que iniciou com os românticos também está presente no fantástico, o sentido do absoluto que antes pertencia a Deus e a ciência tomou posse, agora também não consegue mais satisfazer e tranqüilizar a humanidade."

2. Um texto do assessor político pessoal de Yasser Arafat!

"Para uma paz palestino-israelense"

3. E, claro, um disquete do Frajola! Por que não?

Sorte de hoje: A felicidade está no horizonte da sua vida.

E onde está o horizonte da minha vida???

terça-feira, 15 de abril de 2008

Diz nos meus olhos - Zélia Duncan

"Pensei
Que haveria um pouco mais
De amor para mim
Guardei
Cada luar
Cada verso encoberto
Nas notas da canção

Pra que
Se um vazio me esperava
E eu não percebi
Devolve meus dias
Minha alegria
Diz nos meus olhos
Verdades ruins"

Esse também foi escrito há muito tempo, mas um texto não tem idade.

O sono é a paz de alguém que sente saudades
O coração em pedaços se renova e a alma enfim se acalma
Na tranqüila ignorância do sono

Mas dormir até quando?

Posts novos

Terminei de trazer os textos antigos para esse blog, pois, como eu expliquei no primeiro post, o blogger.com.br cancelou minha conta então não posso mais modificar o antigo blog.

Em breve, se a inspiração e a oportunidade me permitirem, colocarei textos novos aqui ou o que vier.

o/


Pesquisei "renovar" no google imagens. ;)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

As palavras não deveriam ser desperdiçadas.
Deveríamos pensar muito bem antes de usá-las.
Por que isso não acontece?

As palavras criam ilusões ao nosso redor.
As palavras desfazem as ilusões.

As palavras deveriam ecoar...
em outras vozes com outras palavras.

Talvez as palavras não devessem existir...
Silêncio!



Escrito em 06 de fevereiro de 2007.
Foi-se o tempo...

Foi-se o tempo em que eu sonhava.
Foi-se o tempo em que eu amava.
Foi-se o tempo em que eu acreditava.
Foi-se o tempo em que eu escrevia.



Escrito em 25 de julho de 2006.
"Pra não dizer que não falei das flores" e de você

Eu queria apenas me sentar ao seu lado
Ver que seus olhos ainda procuram os meus
Mas não mais

Como a rosa que no início é botão
E depois desabrocha em linda flor
Seus olhos foram

Mas como toda a rosa e toda a vida
Também seus olhos se renderam ao tempo
Não brilham mais

Como toda rosa, que sempre traz seus espinhos,
E quanto mais bela - mais fatal
Assim é a vida


Escrito em 24 de março de 2006.
I wonder...

Por que parece que o tempo tem o poder de engolir tudo?

Dá uma sensação esquisita pensar que o que nós pensamos e sentimos agora não passará de lembrança depois, na maioria das vezes triste.

Há sim coisas que ficam, que sobrevivem, que tem altos e baixos mas acabam firmes. Mas há muitas outras mais que definham lentamente, como se para tudo existisse um tempo determinado e desde o início já começasse a morrer. Acabando esse tempo, não sobra quase nada, talvez uma ou outra memória.

É ruim e é bom ao mesmo tempo ter essa sensação de estar colecionando sentimentos, memórias. Há o sentimento de que estamos realmente crescendo, mudando, evoluindo, e há o outro de que estamos realmente passando, como tudo o mais.

Mas é mais do que tudo estranho rever pensamentos, escritos, vasculhar um pouco do passado e encontrar coisas que foram ouvidas, ditas, registradas, e que agora não passam de uma leve sombra translúcida, distante, apagada...

Não será por acaso que as coisas, pessoas, sentimentos e pensamentos passam. Embora seja difícil saber a razão, ela existe.

De tudo isso fica uma certa insegurança, muito embora esse eterno desconhecimento de todas as coisas seja também o sabor da vida.

A vida não é toda enfeitada com flores. Talvez seja enfeitada com uma só, mas ela há muito está perdida no tempo e no espaço.



Escrito em 21 de janeiro de 2006.
Preciso dizer alguma coisa?



Postado em 29 de novembro de 2005.

Porque o que está escrito não pertence a um só tempo.


If you can reach the 'depth' of my thoughts... or maybe the 'higher altitudes'...


Acordei de manhã bem cedo, o quarto estava tão claro, aconchegante. Você já havia levantado. Ouvi barulho na cozinha e senti um cheiro bom de café. É incrível como é sempre bom passar um tempo a mais na cama para refletir sobre a vida nova que cada manhã trás nos seus lindos raios de sol. E nossa casa é tão assim cheia de sol, de vida, tem nosso amor em cada detalhe, que escolhemos juntos ou discutimos um pouco até um de nós ceder.

Eu gosto de olhar pela janela e ver esse céu tão azul, mas que um dia já foi tempestuoso. É, nos tempos da juventude nós só tínhamos medo e dúvida, foi díficil vencer mas conseguimos. Eu gostava sempre de olhar para você, tentava sempre decifrar seus sentimentos, suas vontades, seus pensamentos. Conseguia, na maioria das vezes, embora a dúvida estivesse sempre comigo e me fizesse calar. Não sei bem explicar como nos aproximamos, eu tinha medo até de te tocar. Sei lá, deve haver algo entre duas pessoas que nada é capaz de bloquear, talvez o olhar seja mesmo o elo mais forte, mais forte que o mais forte dos abraços.

Foi interessante, depois, descobrir que já sabíamos de tudo sobre nós mesmos, tínhamos os mesmos planos e sonhos. Acho até que acabamos lutando demais contra nossos próprios sentimentos, tudo isso por pensar demais. Mas a natureza é realmente algo incomum. Há as forças que se atraem e as que se repelem, e assim será sempre. Lutar contra a natureza nos trás muita experiência, por ser mesmo doloroso e incoerente. Entretanto, sempre há uma hora em que o guerreiro deve descansar, encontrar seu pouso e deixar que outros mais jovens se deixem levar pela brisa gelada que nos leva a lugares distantes, a pessoas diferentes.

Quem não passa por isso? Quem não sente na alma aquele sentimento insaciado, que parece só se acalmar diante de uma e outra aventura? Quem não sente uma força estranha te conduzir por um caminho que você não queria seguir, e entretanto sabe que deve passar por ali? Se terá chance de retomar seu caminho ou não, é um mistério.

Os nossos sonhos continuaram vivos dentro de nós, nossa imaginação ainda é bastante jovem, e creio mesmo que isso nos mantém de pé. Penso às vezes que eu seria uma casca vazia se não imaginasse, se não sonhasse, se não sentisse.

Pois é, foi uma caminhada bem longa até alcançarmos alguns dos nossos objetivos, a nossa casa, aquela viagem para a praia, enfim, várias coisas que sempre quisemos muito, e realizar juntos foi o melhor de tudo. Nós até pensamos que seria uma vida banal, que a magia se dissiparia em pouco tempo. Não foi bem assim. É claro, a magia muda, mas é extremamente gratificante perceber que a cada fase da vida tem-se uma magia diferente, nem por isso menos saborosa ou encantadora.

É, é bom ver você parado assim na porta com uma xícara do café recém-feito, olhando para mim com esse sorriso nos olhos que eu nunca esqueci. Por mais que tentasse fugir, esconder-me, partir... eu via nas montanhas, no céu e nas matas o seu olhar.

O pensamento, meu amigo, é uma força inigualável, é o mistério da vida - e o nosso. A única força eterna, capaz de unir passado, presente e futuro.


Escrito em 20 de novembro de 2005.

"In a world of magnets and miracles"

Em todas as relações humanas, estão envolvidos diversos tipos de energia. Podemos chamá-los por diversos nomes, aura, sentimento, energia espiritual, ki, energia magnética, atração etc. Tudo que queremos fazer envolve um tipo de energia, que se antecipa à nossa própria decisão. Essa energia pode ser resumida no pensamento. Toda a nossa vida ocorre primeiro no pensamento e pelo pensamento.
Quando você gosta ou simplesmente se interessa por alguém de uma forma um pouco mais especial, cria-se um magnetismo, que atinge essa pessoa sempre que você olha para ela ou pensa nela.
A pessoa em questão vai, com certeza, sentir esse magnetismo, inconscientemente. Mas é uma incógnita a maneira como ela vai lidar com a nova energia que chegou até ela. Se o magnetismo não for bem aceito, logo se dissipará, de ambos os lados. Por outro lado, se bem aceito, ou seja, se as energias forem afins, é uma questão de tempo até a aproximação. O imã do pensamento age sub-repticiamente em nossas consciências e, lentamente, aproxima seus pólos.
Se analisarmos a força do pensamento, veremos que antes de qualquer contato, há esse magnetismo, é ele que afasta ou aproxima as pessoas.
O magnetismo traça um caminho mais ou menos inevitável. Se você conserva seu pensamento (na forma de energia magnética) e o lança a alguém, enquanto essa fonte estiver fluindo, não há outra força capaz de neutralizar essa energia. Repito que o magnético deve fluir de ambos os lados; a energia que só tem uma direção tem vida curta.

A força do pensamento é incomensurável e é capaz de coisas que, para muitos, podem parecer mera coincidência ou acaso. Mas nada acontece por acaso.

Escrito em 12 de novembro de 2005.
"Lost in thought and lost in time
While the seeds of life and the seeds of change were planted
Outside the rain fell dark and slow
While I pondered on this dangerous but irresistible pastime"
[Pink Floyd - Coming Back To Life]

Às vezes um olhar, um acontecimento, uma cena, enfim, inúmeras situações podem fazer nossa mente voar rápido, sem razão aparente, até algum momento perdido no tempo e no espaço. Uma questão difícil de explicar, de entender, mas que é quase onipresente em nossas vidas.

Por mais que sejamos céticos e não queiramos acreditar nos indícios intuitivos que se nos apresentam, o passado está sempre ao nosso lado e sentimos fortemente a presença dele. Dizemos sempre que tudo não passa de imaginação, não temos o costume de acreditar em nossas intuições, mas há certos sentimentos que são em nós tão fortes que insinuam o tempo todo a sua presença, não descansam enquanto não nos colocam a meditar sobre eles. Esses sentimentos, em sua maioria, são de natureza aparentemente inexplicável. Para entendê-los provavelmente teríamos que possuir a visão além do alcance.

Como ainda não chegamos a esse patamar, resta-nos confiar ou não em nossas intuições. E estas se apresentam também das mais variadas formas, sempre difíceis de compreender, e mais difíceis ainda de aceitar.

Geralmente o irresistível passado se apresenta contraditoriamente ao que vivemos no presente. E é justamente por isso que às vezes nos irritamos, não queremos aceitar ou simplesmente desrespeitamos o apelo do nosso inconsciente, alegando os motivos que nossa criatividade for capaz de inventar. Entretanto, ao mesmo tempo em que é irresistível, o passado pode ser perigoso. Às vezes trazemos em nosso inconsciente sentimentos que nos levaram à ruína no passado ou que provocaram nossa tristeza. E também nessa forma o passado se mostra, querendo que nós consertemos nossas falhas.

Como saber então, se são bons ou ruins os apelos inconscientes? O sentimento irresistível que leva nosso olhar a coisas que, no presente, não queremos ou não podemos olhar, como saber se é saudável? Como saber a hora em que devemos mudar e se devemos mudar? São, sem dúvida, perguntas difíceis de responder e, provavelmente, até o final deste texto não teremos resposta alguma. Podemos apenas meditar sobre fatos, às vezes isolados, sobre acontecimentos, sobre sentimentos. Podemos ainda despir-nos das roupagens presentes e concentrarmo-nos apenas na intuição, no sentimento.

A intuição, por vezes, pode nos levar a lugares completamente estranhos, a pessoas dos mais variados tipos, simpatizando ou não com elas, enfim, a tudo que possuímos no nosso ser íntimo e que não nos é revelado a não ser por meio de intuições, flashs, sentimentos. Todos nós possuímos nossos dilemas transcendentais, que se apresentam para nós, agora, sob a forma de problemas inexplicáveis.

Até que ponto, então, seria saudável seguir nossas intuições?
Essa questão nos leva a dois outros problemas. Um deles é que, muitas vezes, temos uma intuição não tão boa quanto ao que nosso passado está nos dizendo e pode ser melhor ficarmos quietos e seguirmos a vida. Porém, questões como essas são extremamente ambíguas. Ao mesmo tempo que achamos que nosso passado talvez não nos trará coisa boa, ele nos é irresistível. Quando menos esperamos nos vemos caminhando de livre e espontânea vontade para ele. E, por outro lado, resistindo, ficamos automaticamente inquietos, como se algo estivesse sempre a perturbar-nos, exigindo de nós uma providência.

É geral essa questão. Sempre que contrariamos, por nós mesmos, vontades íntimas e às vezes inconscientes, sentimo-nos inquietos, não conseguimos conciliar nossos sentimentos. A razão, portanto, pode ser muitas vezes, o maior motivo da inquietação. Nossa mente apela para a razão, enquanto o inconsciente apela para o transcendental e íntimo.

Descobrimos em situações como essas missões e tarefas a cumprir, dívidas a resgatar, outras a receber. Existe uma infinidade de possibilidades. Apesar disso, recuamos sempre. Consideramos possibilidades, atos e conseqüências, pessoas e sentimentos ¿ causa e efeito ¿ e se percebemos porventura algo de doloroso que a mudança possa trazer, recuamos. Temos medo da mudança. Queremos a estabilidade, mas ela é quase uma utopia. Como pode haver estabilidade em alguém que é constantemente chamado por seu passado e por sua própria vontade? Nós, seres humanos, temos tendência a nos martirizar. Queremos trair nossas vontades em benefício de outra entidade qualquer, na maioria das vezes outro ser humano. Às vezes, tarde descobrimos que teria sido melhor enfrentar a estranheza e a nossa própria dor, seguindo a nossa vontade ou a intuição.

Não há, no momento, conclusão possível sobre esse assunto. Há apenas o passado transcendental e sua força, quase irresistível e às vezes perigosa, agindo sobre nós. Segui-la ou não depende unicamente de nós e as conseqüências desse processo são indeterminadas.


Escrito em 22 de outubro de 2005.
Blogs solitários e outras coisas

Não sei se todos estão assim, mas os que eu tenho visto ultimamente...
As coisas uma hora são moda, às vezes até necessidade...
Mas as tendências ficam mornas, mornas até esfriar
E tudo segue seu ciclo de vida - nascer, desenvolver-se, morrer.

Inclusive nós, de uma forma um pouco mais lenta
Embora algumas situações tenham o poder
de envelhecer alguns anos os nossos rostos,
ou de fazer a vida perder parte do brilho.

Tenhamos calma, porém, outras há
que podem com alguma sorte - rejuvenescer -
tirar o véu que torna opaca a vida
ou devolver o brilho tirado, sim, dos olhos

Há dias em que é até engraçado...
contemplar o turbilhão da vida
através do véu - a ausência
do som na alma



Escrito em 21 de julho de 2005.
Viva o Efeito Borboleta!

"Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda
em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim, em vez de não
ou não, em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora,
no meio-sono, elaboro -
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado
a ser outro também."

Fernando Pessoa



Postado em 09 de março de 2005.
A vida:
Um pouco de água que você pega na mão e atira ao chão.
Você pode controlar a direção e a intensidade com que joga a água,
mas jamais sabe as imagens que ela formará.



Escrito em 21 de janeiro de 2005.
"Lost in thought and lost in time
While the seeds of life and the seeds of change were planted."

[Coming Back To Life - Pink Floyd]



E se de repente você encontra o seu destino?
E ele olha nos seus olhos, vê além,
vai no fundo da sua alma e volta,
em menos de um segundo?

No seu inconsciente agora está gravado
o passado, o presente e... o futuro.

O seu coração sente toda a energia
que sua mente não é capaz de entender,
por mais que trabalhe.

As imensidões do tempo são quase intocáveis.
Só o amor sabe tudo em um instante,
para em seguida viver, minuto após minuto,
de ignorância.

Em um instante seu destino é revelado.
Lute, ignore-o, fuja, esconda-o, esqueça.
A vida é paciente, espera,
minuto após minuto, os reajustes.

E o que a sua intuição disse,
no instante do encontro
da sua consciência com sua inconsciência,
estará irremediavelmente certo.



Escrito em 23 de agosto de 2004
Dias chatos, mornos e com gosto de leite com café mal feito

Eu tenho pensado muito e isso, definitivamente, não faz bem. Cada vez mais eu penso (droga!) que aquela frase dita pelos adultos "experientes" tem mesmo razão. "Diminua os teus pensamentos e aumenta os teus deveres". Toda vez que eu começo a pensar muita besteira de uma vez só eu escuto essa frase na minha cabeça. Aliás, nos meus devaneios mais tristes eu chego a pensar que nessa fase da vida nada é muito real ou seguro. Você vive algumas situações para aprender o que não deve fazer posteriormente. Tomara que eu não esteja certa, mas é isso que eu sinto.

O que eu tenho feito então? Terminei de ler Ana Terra hoje. Um livro muito bom, apesar de ser triste pra caramba. É do Érico Veríssimo, vale a pena. >> Também estou jogando Icewind Dale. Estou no capítulo cinco, só falta um! (Aaah, depois o que farei?)

E hoje visitei um dos blogs of note, Rock Way of Life. Achei o título interessante e o conteúdo também, especialmente o texto que fala sobre o ecletismo (tem nos links). Mas o melhor de tudo foi essa frase:

"Tristes, alegres, apavorados, eufóricos, tranqüilos, agitados, pensativos, ali está o Rock para nos entender."

Digam-me qual outro estilo tem essa propriedade? Viva o Rock Multi-Função!


Pink Floyd, minha banda preferida! Trilha sonora da minha vida, presente nos momentos de dor e alegria. =^.^=

Escrito em 18 de agosto de 2004
"Diminua os teus pensamentos e aumenta os teus deveres"

Seria muito egoísmo dizer que minha vida é triste. Tá certo que muitos pensamentos meus são infelizes e cheios de angústia, mas isso é, em grande parte, fruto do ócio. Por isso eu digo que a minha vida não é triste.

Mas afinal, como andam meus pensamentos? É difícil dizer, não é fácil organizá-los como eu disponho na mente as partes do mapa da Severed Hand em Icewind. Falando por alto, eu penso raramente no passado, tenho lembranças da internet, penso na evolução da minha vida e das minhas relações com o mundo ao longo dos anos, penso nos amigos, na família, principalmente na minha irmã, no meu pai e na minha mãe, mas eu penso bem mais que tudo no amor. Talvez porque o amor mova o mundo...

Acho que é basicamente isso o que passa pela minha cabeça enquanto eu não estou jogando. A falta do que fazer é realmente terrível.

Mas realmente, eu penso muito mais no amor que nas outras coisas... gostaria de saber por que isso. O que tem ele de tão especial para provocar minha mente a cada minuto de ociosidade? São milhões de hipóteses, histórias, pensamentos desconexos...

Isso tudo talvez por causa da necessidade de falar certas coisas, muitas coisas bobas que eu queria dizer e não digo, coisas que mantém a conversa, criam novos temas e não deixam que o silêncio impere.

"All we need to do is make sure we keep talking."
Às vezes falar frases simples resolve muitas coisas, é como dizer a uma pessoa o quanto você gosta dela apenas para que ela saiba, sem fins lucrativos. Dizer aos seus amigos o quanto você os ama simplesmente porque você quer dizer, teve vontade.

Enfim, temos que falar, sempre.

E eu aqui, às quatro e quarenta e três da madrugada, escrevendo. Aproveitando a noite, já que eu me resignei ao meu destino de acordar tarde todos os dias. Quando eu conseguir falar muito do que eu tenho a dizer, talvez eu não aproveite as noites para escrever e vocês não leiam mais posts como esse.

Vida longa ao Portal do Tempo e Espaço Indefinido!

Porque o Kurt é impagável hahaha!


"Domingo eu quero ver o domingo acabar"


Que dia chato! Tudo está fechado, os cinemas são mais caros, a viplan não aceita meus passes estudantis... Um dia que eu poderia aproveitar de outro jeito, mas porque ele se chama Domingo, eu estou em casa morgando no meu quarto.

Acho que vou dormir ou jogar... sei lá, fazer alguma coisa nem que seja limpar meu quarto (pra vcs terem noção do tamanho do tédio)...

Até outro dia mais feliz, tomodachi! /o\



Escrito em 11 de julho de 2004.

Hey, it's me!


Simples


Eu não sou poeta
não sou escritora
nem estudiosa
de nada
de coisa alguma.

Sou viciada em
desenho
jogo e
suco de laranja.

Eu - não pretendo ser...
I - don't pretend to be...

A modelo da L'Oréal não poderia ser esquecida!

On the way home (Bus) 17h20

Estou com uma dor de cabeça bem chata e com o pescoço doendo... aff, uma lástima porque tenho que estudar pra prova de Introdução à Lingüística. Hoje de manhã, eu peguei uma carona pra UnB e me deixaram no início da L2 Sul, faltando vinte minutos pra começar a aula! ¬¬' Tive que pegar um ônibus e consegui chegar com quinze minutos de atraso.

Desastres à parte, quero registrar uma coisa interessante. A L'Oréal escolhe ótimas modelos para fazer suas propagandas! Vocês já observaram a mulherzinha dos cabelos vermelhos, nas propagandas que têm nas ruas do Plano Piloto? Que olhar FROM HELL é aquele?!?!?! >> Queria colocar uma imagem dela aqui, mas não consegui encontrar!

Está um dia bonito, o sol brilha sobre os campos verdejantes que se estendem ao longo do caminho, o cheiro da civilização enche os pulmões de cada pessoa neste ônibus, a saudade consome meu coração a cada pensamento voltado para aquele de quem gosto e eu escrevo que até esqueço da minha cabeça que dói impiedosamente. E tudo segue seu curso, destinos se cumprindo, dívidas sendo quitadas, outras contraídas... mas como dizia Cazuza, o tempo não pára.

E esse humilde Portal do Tempo (e Espaço Indefinido) também não pode parar. Não deixem de comentar, tomodachiii!!! Eu prometo que vou me inspirar para escrever textos interessantes para vocês! ^^'

Escrito em 02 de junho de 2004.

Porque ficou bom, só por isso.

Half Moon

O amor que sinto agora, há muito que não o tinha
Sentia-me ser levada sem o aperto no coração
Aquela dor saudável que o poeta um dia cantou

O brilho da meia lua não é mais o mesmo,
pois as lágrimas dos meus olhos a fazem brilhar
mais e mais forte, ainda que através da neblina.

Há calor novamente em meu coração
Minha alma já não caminha só
Tem o sentimento a seu lado
Personificado ou não
O Amor



Viva o Charlie Brown Jr. ;)

Assisti Kill Bill hoje. Muito louco esse filme! Tá certo que não tem uma história bem definida e várias coisas não são explicadas, mas o filme é muito Anime! Lutas e mais lutas, partes do corpo decepadas, muito sangue jorrando (pense em jatos de sangue), vingança, katanas, Tokio e, claro, anime! ^^'

No ônibus, por volta de oito horas, depois de assistir Kill Bill >:D
Estava lendo as poesias da Cristina e ouvindo Charlie Brown ("Eu não sei fazer poesia, mas que se foda!"). Isso diz algo, não diz?
A Cristina é uma professora que deu uma palestra na UnB segunda-feira, sobre Literatura Feminina (sem entrar no mérito da questão). No livro, as poesias ficam todas nas páginas ímpares e nas pares não tem nada. Comecei e terminei de ler o livro no ônibus.

"Eu odeio gente chic e eu não uso sapato". Acho que às vezes o conhecimento nos afasta de coisas fundamentais na vida, coisinhas simples demais para alguém que tem tantas questões com que se preocupar. Esse foi um pensamento aleatório.

Olhando para a Cristina, eu não enxerguei nada do que ela escreveu nas poesias, algo de alma atormentada e amante. Talvez por isso a poesia. E o conhecimento? Leva uma alma atormentada e amante a fazer poesia, porque chorar não basta. O poeta talvez respire de um jeito diferente.

"Mas que se foda." Chega de conhecimento.



Escrito em 26 de maio de 2004.

A música em mim

Se pararmos para pensar, a música tem uma relação mutio próxima com nossas vidas, ou pelo menos com as vidas daqueles que interpretam o mundo de uma maneira não tão sistemática, não tão capitalista.

Nesse momento eu estou ouvindo Summer '68, do Pink Floyd, e por falta de uma explicação mais teórica, eu digo que a música é especial para mim porque me transporta para mundos distantes do meu pensamento, faz-me ter vontade de sair de mim mesma.

Sei que essa explicação não é satisfatória e creio que não exista uma, pois que palavras poderiam descrever os sentimentos que tomam conta de mim e me fazem viajar ao ouvir Fat Old Sun?

"And if you see, don't make a sound,
Pick your feet up of the ground"

Deve existir algum estudo a respeito dos efeitos da música no ser humano (se alguém souber de um, comente), mas, a partir das impressões que temos ao ouvir determinadas canções, podemos concluir, sem embasamento teórico, é claro, que reagimos à melodia de alguma maneira, positiva ou negativa e com intensidades diferentes.

O mesmo acontece com nossa sensibilidade em relação a esse ou aquele instrumento. Por exemplo, nesse momento eu estou escutando um lindo solo de piano de Alan's Psychedelic Breakfast e isso me causa uma sensação muito boa, porque o piano é um instrumento que me fascina.

Ao longo de nossa experiência musical, nós vamos escolhendo aquelas músicas que vão compor a trilha sonora das nossas vidas. Aquelas que possuem um significado especial para nós, que nos fazem lembrar de momentos marcantes ou mesmo de pessoas marcantes.

A vida é mais feliz com música. Quando você não tem a que recorrer, palavras não vão ajudar, pessoas não vão entender, você entra no seu quarto, tranca a porta e, "in perfect isolation", escolhe alguma música da sua trilha sonora e viaja pelo portal do tempo e espaço indefinido.

Gostei muito desse, sempre me lembro dele.

Batalha


Porque hoje eu vi o sol nascer...
Após as lanças de muitos homens e mulheres
trajados para a batalha
Longas capas de várias cores
e armas de todos os tipos

Mais de mil guerreiros
Aguardavam ansiosos a luz
Sem fraquejar, contudo,
Diante do frio implacável

E ocultas pela noite
As energias transformadoras
Captadas pelas lanças
Apontavam a uma só direção

Ajudados pela força invisível
Os guerreiros de outrora
São vencedores agora
Sem que uma gota de sangue seja derramada



Escrito no dia primeiro de maio de 2004.

Essa sou eu? E com direito a Puca!

Ninguém acha fácil expressar seus sentimentos, expor suas idéias. Eu não sou diferente. E exatamente por esse motivo, eu criei esse blog. Não completamente do nada, mas depois de algumas reflexões e depois de ler alguns textos para os amigos, que me estimularam bastante.

Esse último poeminha é um claro exemplo da tentativa de perder o medo de expressar sentimentos. É uma coisa bem pessoal, poucas pessoas sabem do que se trata realmente, mas, mesmo assim, aí está, para que vcs leiam, interpretem e, se fizerem isso com calma, consigam descobrir coisas que estão implícitas nas palavras e frases, como o Faru-san fez.

Espero que continuem participando dessas viagens pelo Portal do Tempo e Espaço Indefinido :D
>>Love you all<<



Escrito em Quinta-feira, Abril 29, 2004
Como eu respondi ao Furi Kuriano (Dhin), a tristeza é inspiradora, (in)felizmente...
>> Foi escrito no dia 22 de Abril de 2004 e não tem título mesmo, acho que eu me esqueci de colocar ¬¬'


Visão de amor e pureza
A inocência de uma criança
No sorriso de um homem

Os olhos negros que brilham
Lindos, afetuosos - só para mim
O abraço amigo tem cor

Sobre o que falamos não sei
E também não importa
Desde que eu ouça sua voz

Por algum tempo observei
Aquele que povoa meus sonhos
E assim continuará

Pois as palavras que de mim saem
Não têm sentido e não querem dizer
O que meus olhos por si demonstram

Mas que nem tudo é feliz
Dez minutos da minha vida
Eu estive ao seu lado

Ainda carrego no pulso um desejo a realizar...
O texto é grande e foi escrito no dia 20 de Abril de 2004, numa "viagem" de ônibus do Plano Piloto para o Gama. Se ninguém tiver paciência pra ler e comentar aí eu não coloco mais textos grandes, é como um teste. Have Fun!

"Estou no ônibus, esperando por causa do congestionamento do horário, a fila está enorme, eu posso até esperar o ônibus parar para continuar escrevendo.
O céu tá limpíssimo. Agora há pouco eu observava várias "faixas" coloridas convergindo para um ponto qualquer do céu.
Um garoto sentado em um banco à minha direita, perto da porta, vangloria-se por conseguir beijar e respirar pela boca ao mesmo tempo. É o mesmo que, em outra viagem, conversava com uma menina sobre seu modo de enxergar o relacionamento.
Pela janela eu avisto um apartamento onde há apenas uma pessoa e alguns quadros na parede rosa. Vi-o agora mais de perto, mas não vi ninguém, só os quadros.
E eu estou como quem apenas observa. Qual será minha relação com os quadros naquela parede? Haverá alguma?...
...
Muitas luzes, muita velocidade, muito barulho e nenhuma música. Muitos prédios, muitos carros, muitas placas e propagandas. Algumas árvores.
Eu tenho uma imagem refletida no vidro da porta, mas ela não diz nada sobre mim, exceto que eu possuo um corpo.
Muitas pistas, muitas pessoas indo e vindo em seus carros, sozinhas, e mais escritórios onde ainda há trabalho.
E qual a razão disso tudo? Há razão?
Não há razão. Eu escrevo sobre elas, tiro-as de suas vidas sem poesia e as dou vida num texto, sem que elas tenham a menor noção disso.
Entretanto, para mim, por que existiriam tantas pessoas se eu não estabelecesse qualquer relação que seja com elas? Elas não existiriam para mim.
No carro ao lado, um homem lê uma revista. Ele, que jamais existiria para mim, agora está registrado em meu texto. Essa é a razão de sua existência - para mim.
Os quadros na parede existem porque eu os observei, nada mais.
...
Tudo isso, todo o mundo está em mim porque eu o vi, mas continuo vazia e sem sentido, porque ninguém me vê. Sou apenas uma observadora, mas eles não têm consciência disso. Suas vidas não têm poesia porque, para eles, nada significa uma menina de olhar triste e parado, a observá-los pela janela.
Como agora há pouco, olham uma vez, indecisos e olham outra, intrigados, pois isso não é normal, o que haverá de importante nesse olhar?
Um mégane vermelho, um beijo, um olhar. Coisas que meus olhos registram em um movimento de cabeça. Uma figura marcante, um cheiro horrível, estalos na lataria.
A vida está passando.
Estranhos passageiros.
Passageiros como a própria vida.
Uma estrada iluminada, o fim se perde.
Lá, ainda não.
A noite está quente, minha alma não. Eu me perdi em alguma parte da estrada. Caminho vazia. Não há música, não há razão...
E esse percurso que eu farei inúmeras vezes ainda, jamais será o mesmo. Ele apenas será o mesmo se um dia eu perder a poesia dos meus sentidos e tudo o mais deixar de existir - para mim."

Post do blog antigo

Primeiramente, vou postar textos do meu blog antigo, porque perdi o direito de modificá-lo ^^'

O sentimento é mais forte e mais sublime
Não posso tocá-lo
Em seus olhos leio sua alma, o decifro
Não posso tocá-lo
Em minhas palavras deixo a tentativa, o risco
Minhas mãos não chegam até as suas
Meus olhares sim - cheios de significado
E sem sentido algum...
O que farei, então?

Escrito em Quinta-feira, Abril 22, 2004.