Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Feliz Aniversário!

Uma leve tristeza se aproxima de mim nesse instante, como uma nuvem carregada a se colocar entre mim e o sol. Mais um ano de vida está perto de se completar, mas eu sinto ter envelhecido alguns anos mais nestes últimos meses.

Lembro que em todo aniversário eu ficava sempre muito alegre nas vésperas, aguardava ansiosa o dia e festejava sempre com um grande sorriso no rosto. Esse ano eu não estou tão alegre nas vésperas e nem aguardo ansiosamente o dia. Teria meu sorriso envelhecido e secado?

Não, há de ser só uma fase. Pequenas e grandes preocupações e tristezas congelaram-me um pouco. Quando o leve torpor da paixão some, é isto o que sobra. Uma realidade não tão quente nem tão bonita. E isso é tão normal, tão comum.

Sinto-me mais velha, sim, mas não acho isso mau. Nessa oficina de lapidação do espírito, é bom envelhecer mais cedo. É sinal de que estamos trilhando bem o caminho, aprendendo ao máximo com as situações. E ainda há muito o que envelhecer.

Benditas são as oportunidades em que descobrimos o quanto ainda falta. O quanto ainda somos imperfeitos e "novos". Contudo, não há por que correr e não há por que se desesperar. É essa ilusão do tempo que nos faz querer sempre aqui e agora.

A palavra, agora e sempre, é paciência. Sem esquecer do trabalho, da dedicação, da perseverança e de todas essas palavras bonitas que sem a paciência não são nada.

Feliz Aniversário Deyse!

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Como é fazer a messma coisa todos os dias? Seria isso necessidade de segurança?

Sentada na lanchonete, eu observo aquele cara não tão velho. Ele toma o mesmo café da manhã todos os dias desde que eu comecei a trabalhar aqui. Ele quase segue um ritual. Entra, compra um jornal, senta-se e espera pela comida, que o garçom já está trazendo. Ele deve ter feito o pedido no máximo umas três vezes. Então ele come, lê, bebe o café, que vem sempre um pouco depois, levanta-se e sai.

Hoje eu observei que ele deixa o jornal. Se perguntarem algum dia a ele o que come no café da manhã, ele vai dizer: "Torradas, queijo, café, água e jornal". Sim, o jornal faz parte do ritual e é deixado para trás como sobra.

Nós fazemos isso muitas vezes, mas confesso que nunca observei um caso tão significativo. Jamais o vi pedir outra coisa sequer. Então novamente me questiono, o que provoca tal comportamento?

Quando peço sempre a mesma coisa, faço-o porque já conheço aquela tal coisa e, portanto, já sei que é boa, não preciso me arriscar. Quando vario o pedido e não gosto do que pedi, recrimino-me por ter mudado de ideia. Quando vario o pedido e gosto do que pedi, passo a pedir sempre a nova coisa, se for melhor que a anterior.

Isso demonstra que estamos sempre resistindo às mudanças, apesar delas serem às vezes inevitáveis.

Se um dia o garçom trouxesse àquele cliente um pedido diferente, ou fizesse uma pequena mudança no pedido, o que aconteceria?

Uma vez colocaram orégano no meu misto quente, algo que eu não tinha pedido. Senti-me levemente indignada, o quanto se pode estar numa situação simples como essa. Eu, que ainda me permito mudar, senti-me indignada. O que sentiria ele, que não se permite mudar?

Rejeitaria o pedido com mudanças e mandaria trazer o certo. Alegaria que, pela assiduidade da presença dele ali, tal ato não se justificava. Sequer experimentaria. Seu delicado equilíbrio foi quebrado. Todo o seu dia estaria comprometido por causa daquela pequena falha no ritual. Sentir-se-ia inquieto até que tudo voltasse ao normal. Meditaria ainda por algumas horas sobre aquele incidente e, quando voltasse à lanchonete na manhã do outro dia, sempre no mesmo horário, um calafrio percorreria-lhe a espinha. Ousaria o garçom cometer novamente aquele erro? Só restaria a ele comprar o jornal, sentar-se e esperar, mas dessa vez com os olhos por cima dos papéis, espionando a atividade do garçom. Não descansaria enquanto não visse o seu pedido impecável sobre a mesa. E, após certificar-se de que tudo estava correto, seria capaz de finalmente relaxar, comer, ler, sair, trabalhar, ir para casa, dormir, acordar, escovar os dentes, vestir-se, sair, estacionar, entrar, relaxar, comer, ler, sair, trabalhar, ir para casa, dormir, acordar, escovar os dentes, vestir-se, sair, estacionar, entrar, relaxar, comer, ler, sair, trabalhar, ir para casa, dormir, acordar, escovar os dentes, vestir-se, sair, estacionar, entrar... e assim sucessivamente até o fim dos tempos.

Acho que às vezes confundimos prisão com segurança. Encarceramo-nos em nossas rotinas e passamos a viver à margem de nós mesmos. O que somos capazes de fazer a pretexto de segurança? O que somos capazes de perder a pretexto de segurança?

Por isso, vale a pena repetir:

É impressionante como nossas vidas mudam nesse instante.
Eu vejo nos seus olhos, ouço nas suas palavras
tudo aquilo que eu pensava por tantas madrugadas
na loucura de uma palavra,
sem querer pensar no amanhã,
por que o que seria do amanhã sem esse momento?
O quanto nós perderíamos?

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Cinco minutos

O que você sente quando sabe que vai entrar em colapso dentro de cinco minutos? O que você pensa? Você pensa?!?! Eu não consigo pensar, os dedos se movem freneticamente. O que eu seria capaz de dizer a você se você fosse embora dentro desses cinco minutos, não! Quatro minutos agora. O que fazer? Você é capaz de deixar de gostar de mim dentro desse tempo que resta? Três minutos e trinta segundos. Meus dedos tremem. O amor virtual não me deixa expressar todo o meu ser... meus dedos são lentos... ainda mais quando tremem. O que fazer? Eu vou entrar em colapso, não tenho mais do que três minutos! Três minutos! Os erros se sucedem! Dois minutos e meio! Eu te amei tanto desde o momento em que eu te vi. Apenas não sabia. Mas agora eu sei! Então por que você vai querer estar confuso? Por que você vai me deixar? Eu tenho apenas dois minutos! Dois! Dois! Não há tempo para dizer nada, nada! Então apenas me beije. Será que há tempo para um beijo? Sim, na modernidade há tempo. Mas não para falar. Não fale, apenas sinta. Um minuto e meio. O que fazer? Pra onde ir? Não há tempo. Eu quero corrigir os erros, mas não há tempo. Apenas um minuto. Eu respiro fundo, mas não há tempo nem para respirar. O que eu queria dizer é que já me sinto só... eu apaguei o que havia aqui, mas não deveria ter feito isso. Eu me sinto só e o que pode consertar isso? A confusão já existe. O que? A confusão... eu te amo. Apenas. Desculpe-me.


Escrito em 2 de novembro de 2007.

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

"Poems everybody! Poems!"

Hoje a ansiedade diminuiu sim, mas a tristeza assumiu o seu lugar. O livro, lógico, está ali do lado, e a minha concentração a uns trinta e dois quilômetros. Minha vida está "no repeat", assim parece. Até que eu entenda o quanto é desnecessária e inútil a impaciência, ela me dominará e tornará inférteis todos os meus atos. Infértil, assim parece a vida quando nada dura mais que horas, dias e até semanas.

A rapidez, a velocidade, a infreqüência me assustam. Quero um lugar de paz, longe do meu eu mais veloz e mais ignóbil. Inconstante, assim pareço (ou quero parecer, para enfim fugir totalmente de mim mesma). A mariposa-fênix que se queima na luz. Abomino a minha própria inconstância. Erro. Vivo a minha inconstância. Acerto?

Não.

Onde achar lugar para o constante na velocidade e na infreqüência? O que é o constante se visto sob o prisma da velocidade? Posso eu ter sido constante por duas horas? Duas horas < dois anos?

E poderíamos ficar horas a tecer perguntas e mais perguntas, sem responder uma sequer, apenas pensando sobre elas e gerando mais perguntas, porque perguntar é fácil.

Responder é perigoso.

Quem é você?



Post-scriptum: "Inconsistente". Sinto-me desmanchar e espalhar por toda parte. Por todo lugar onde eu já estive, como pensei há uns anos, deixei um pedaço da minha existência e vivo a procura eterna de um eu-inteiro-consistente-utópico. Ao "final", terei que retornar pelo caminho que trilhei e catar meus pedaços, cada um deles. É certo que no caminho agreguei também pedaços à minha pouca consistência. Pouca, mas que é responsável por me manter de pé. A velocidade, a infreqüência, a inconstância tornaram mais difícil a Consistência. Entretanto, ao mesmo tempo, tornaram-na permanente.

Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Se você fosse daquele tipo que bate à minha porta de madrugada, desesperado, insano, louco pra me dar aquele beijo que você sabe que vai me deixar em ebulição, talvez eu gostasse de você.

Mas você dorme à noite, você dorme.

E eu? Eu nem me dou ao trabalho de esperar.

Muitas vezes sou eu que vou bater à sua porta tarde da noite.

Era só um sonho. Eu também durmo à noite.

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Prostitutas da Nova Era

Dizzy & Day

Historicamente, as prostitutas foram mulheres temidas pela sua independência, inteligência, talento e não submissão aos valores morais impostos.

O homem ordinário buscava sempre o prazer e o conforto em mulheres distintas. Para o conforto, havia a mulher do lar. Para o prazer hedonista, a prostituta.

Ele sabia que ela não o julgaria. Nenhuma qualidade ele precisava ter, se tivesse como recompensá-la. Era apenas o prazer individual masculino, pois o homem não precisava se preocupar em satisfazer sua parceira. Curioso é que essa situação se repetia em casa, tornando a mulher do lar também uma prostituta, por renunciar ao seu prazer pela estabilidade do matrimônio e por medo da estigmatização social.

Entretanto, mesmo a mulher do lar, ainda que não se prostituísse, precisava da liberdade de sensações, sentimentos e ideais. O feminismo, contudo, se mostrou insuficiente no atingimento desses objetivos. Quebrou alguns paradigmas, mas instaurou a competição entre os sexos.

A prostituta, por sua vez, estigmatizada e apedrejada ao longo dos séculos, soube tirar o necessário e justo aprendizado da sua caminhada. Deixou para trás as angústias por ter perdido a sua identidade e dignidade em troca de bens materiais e voltou-se para o lado do sentimento, buscando o prazer associado ao amor. Contudo, a independência, a liberdade, a intelectualidade, o talento e a consciência da própria sexualidade continuaram presentes na sua essência de mulher.

O homem moderno oscila entre essas duas mulheres, enquanto a mulher oscila - em si mesma - entre a mulher do lar e a prostituta. Entretanto, ela não será mais a prostituta que a sociedade estigmatizou, pois não mais busca recompensas financeiras, mas sim qualidade, intelectualidade e sentimento.

A Prostituta da Nova Era é uma mulher forte, dedicada e generosa como a mulher do lar, e que respeita e é respeitada, sem, no entanto, deixar de lado a sua individualidade. Ela surpreende sobremaneira a sociedade, pois as pessoas ainda estão perdidas nos extremos, sem entender que a nova lei é o equilíbrio.
É impressionante como nossas vidas mudam nesse instante.
Eu vejo nos seus olhos, ouço nas suas palavras
tudo aquilo que eu pensava por tantas madrugadas
na loucura de uma palavra,
sem querer pensar no amanhã,
por que o que seria do amanhã sem esse momento?
O quanto nós perderíamos?