"Nada é tão comum quanto o desejo de ser extraordinário."
Shakespeare
É muito reconfortante sentir orgulho. Como se o orgulho fosse algo que nos mantivesse coesos, fortes, inquebráveis. Sentimos orgulho de ter orgulho. Ponto.
Gosto de observar as situações em que não há como sentir orgulho ou algum de seus disfarces. Obviamente, nenhuma delas acontece à luz do dia, de 8h às 18h, em tais ou tais eventos sociais, pois lá estamos representando nossos melhores papéis. Situações orgulho-
free acontecem muito mais introspectivamente, à meia-luz, nas madrugadas, à beira da loucura, à beira do abismo e, com alguma sorte, podem acontecer entre duas pessoas. Nada convencional.
Não me surpreende que só passemos a viver realmente quando deixamos o orgulho de lado e fazemos as coisas que envergonham nosso ser superior interno. Porque o que ele quer está bem impresso em nossos discursos, sabemos muito bem explicar, justificar, o que seja. Simples assim? E aquilo que nós fazemos quando não conseguimos mais aguentar nosso próprio joguinho de orgulho? É aí que mora a vida. O resto é teatro.
Para refletir, então, sobre que tipo de pessoas nós procuramos, precisamos saber com o que procuramos. Com orgulho ou sem orgulho?
Sentimos algo por todas as pessoas que conhecemos, banalidades. O que me interessa é quando sentimos algo mais forte, um desejo de estar perto, de conversar, de tocar, de examinar, quase cirurgicamente, esse outro que surgiu em nossas vidas. Em geral, nesses casos mais intensos, queremos que haja reciprocidade. É engraçado o fato de nós não andarmos por aí como vários livros abertos. Como saber então, se há reciprocidade?
Agora é que entra a ação. E que linha de ação você prefere? Livre ou restrita pelo seu grande orgulho de ser uma pessoa incrivelmente superior que não pode se deixar expor? Apesar de você ter ouvido o som de um tapa na cara, não é. Se você não está cheio de mais nada, você está cheio de si. Onde te falta o resto, te sobra o tão falado orgulho. Não é um mistério nem uma ofensa, é a famosa natureza humana.
Os tapas na cara, agora sim, que levamos por agir independentemente do nosso orgulho, fazem de nós seres humanos ilimitados, livres, íntegros e verdadeiros. É uma liberdade indescritível.
Cada um, a seu tempo, irá quebrando as barreiras do seu próprio orgulho. Pretensão querer ordenar que se quebre seja lá o que for do orgulho alheio. Cada um cuidando do que lhe pertence.
Dessa forma, fica a questão... procurar alguém é invadir o seu espaço? Posso querer derrubar uma barreira do meu orgulho e procurar alguém que quer ser encontrado. Mas qual será a desculpa para procurar alguém que não quer ser encontrado? Na era da comunicação instantânea, quando optamos pelo isolamento, é melhor que sejamos deixados lá. Não é trabalho de ninguém saber por que nos isolamos. Quando nós quisermos nos expor verdadeiramente ao mundo, o faremos.
Se eu escrevo para me defender? Não. Escrevo para expor a mim mesma as barreiras do meu próprio orgulho.